CRÍTICA | Os Vingadores: A Era de Ultron

Ação
// 22/04/2015
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Em sua despedida do comando direto das aventuras dos Heróis Mais Poderosos da Terra, o diretor e roteirista Joss Whedon apresenta uma obra de escopo monumental, mas também inflada, com nítidos sinais de cansaço. Diante das altas expectativas criadas a partir do impecável primeiro filme da equipe, a fase 2 do universo cinematográfico Marvel culmina… Em um anticlímax.

Não seria um exagero chamar de revolução. A construção paciente e meticulosa de um mundo habitado por renomados personagens de diferentes origens, que vivem suas próprias aventuras separadamente, mas, de tempos em tempos, lutam lado a lado contra ameaças que nenhum deles poderia enfrentar sozinho tirou os super-heróis Marvel de um gueto de adaptações tenebrosas e os jogou no centro da cultura pop mundial. No processo, a rival DC Comics se adiantou para correr atrás do prejuízo e outros estúdios começaram a queimar neurônios para criarem seus próprios universos compartilhados, como a Universal com seus monstros clássicos e a Sony com os questionáveis spin-offs, agora abortados, do Homem-Aranha de Marc Webb e Andrew Garfield. Mas um processo de expansão acelerada sempre corre o risco de atingir o ponto de saturação, e para os Vingadores – pelo menos nas mãos de Joss Whedon – esse momento parece ter chegado.

O desafio, evidentemente, estava longe de ser desprezível: seguindo à risca os mandamentos que determinam que tudo na sequência de um blockbuster de ação deve ser maior, mais alto e mais impactante, Era de Ultron acrescenta nada menos que três novos nomes a um elenco principal que já contava com seis (!) figuras de destaque, ao mesmo tempo em que tenta manter o charme e química dos titulares originais – tarefa em que nem sempre obtém sucesso. O humor constante presente nas interações entre os protagonistas aqui parece, em várias ocasiões, forçado, e há até uma cena em que um personagem declara com todas as letras que “nada disso faz sentido”.

Diante da necessidade de explorar as motivações e dramas de tantos lados diferentes, aqueles que têm suas próprias franquias acabam sendo deixados de lado nesse quesito, como o Capitão América de Chris Evans; partindo em buscas paralelas que mais servem para estabelecer o pano de fundo para os filmes vindouros, papel do Thor de Chris Hemsworth; ou enfrentando questões redundantes, como é o caso do Tony Stark de Robert Downey Jr, que AINDA sofre com o trauma da invasão alienígena de Os Vingadores, a despeito de praticamente todo o terceiro longa do Homem de Ferro ter tratado do tema. O próprio Downey Jr, já nitidamente entediado com o papel, também não ajuda muito. Assim, acabam ganhando mais atenção os backgrounds do Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e da Viúva Negra (Scarlett Johansson), além dos novatos Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson, o Kick-Ass), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany).

É claro que nenhum filme de super-heróis está completo sem um vilão de respeito, e o Ultron de James Spader se revela um sucessor digno para o memorável Loki de Tom Hiddleston, ao menos no que se refere ao carisma do personagem. Responsável pelas melhores tiradas do filme, o robô genocida criado por Stark e Bruce Banner (Mark Ruffalo) traz consigo a clássica – e relevante – discussão sci fi sobre como uma inteligência artifical superior à do homem pode facilmente chegar à conclusão de que sua espécie criadora é uma influência negativa sobre o planeta, e portanto deve ser eliminada. O plano que Ultron desenvolve para atingir esse objetivo é engenhoso e impressionante como só um vilão dos quadrinhos seria capaz de arquitetar.

Infelizmente, o excesso de personagens também prejudica o desenrolar das cenas de ação, que, apesar de inegavelmente grandiosas, parecem confusas, com ritmo inconstante, e cujo maior destaque acaba sendo, sintomaticamente, uma reedição do icônico plano de 360 graus da equipe no primeiro filme. E no fim das contas, com todos os exageros e extrapolações, o que temos aqui não vai muito além disso: uma versão anabolizada, mas sem o fôlego e brilho da obra original.

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Avengers: Age of Ultron (EUA, 2015) Ação/Ficção Científica. Marvel Studios.
Direção: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr, Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, James Spader

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