CRÍTICA: Pânico 4

Críticas
// 14/04/2011

Depois de uma década, Pânico 4 retorna aos cinemas e, enfim, leia a crítica porque você não deve estar interessado em introdução dessa vez. E aproveite e participe da nossa promoção.


Pânico 4
por Breno Ribeiro

Quando o primeiro filme da franquia Pânico foi lançado em 1996, o que mais chamou a atenção do público foi a maneira como o longa conseguiu juntar ao mesmo tempo os sustos comuns nos filmes slash e uma paródia-crítica aos filmes do gênero, ressaltando seus clichês e fórmulas, culminando assim em um interessante e divertido exercício de metalinguagem. Além disso, o original possuía uma linha de raciocínio lógica e uma trama que foi mantida como base para a existência das duas continuações, resultando em uma trilogia que se fechava em si mesma. Dessa forma, muitos fãs se perguntavam como a série continuaria mantendo sua lógica depois de um ciclo fechado com a criação do que promete ser uma nova trilogia. O resultado, porém, eleva ainda mais o nível da história de Sidney, Gale e Dewey, os sobreviventes dos primeiros três filmes.

O longa se passa mais uma vez na fictícia Woodsboro, para a qual a chorona Sidney retorna para divulgar seu best-seller. Ao mesmo tempo, a franquia de filmes-dentro-dos-filmes Stab ainda resiste em sua oitava sequência e o casal Dewey e Gale possui sinais de desgaste quando ela não consegue manter sua vida de escritora. Ah, sim, e claro… o Ghostface está de volta, matando pessoas a facadas.

Se o exercício metalinguístico do primeiro filme dizia respeito aos filmes slashs de terror; se o do segundo filme se referia basicamente a continuações puramente comerciais, dizendo que as continuações nunca superavam os originais; se o terceiro longa se focava em trilogias onde as “regras” dos originais eram quebradas, esse novo Pânico se baseia claramente em franquias que nunca têm fim ou franquias que retornam depois de tempos esquecidas com remakes – com citações diretas a Jogos Mortais, Sexta-Feira 13 e Halloween. O roteirista Kevin Williamson (o mesmo da série inicial – Pânico 3, o mais fraco da franquia, foi escrito por Ehren Kruger baseado em anotações deixadas por Williamson para o desfecho da série) aposta nos mesmos diálogos rápidos e recheados de referências pop para abraçar seu novo público. Ele ainda cria referências e critica a Internet, com destaque para Facebook, Twitter e não-diretamente-citado YouTube, além de ótimas referências a filmes anteriores da série e a, de longe, melhor introdução da franquia.

Por vezes, o filme funciona mais como uma comédia do que um terror propriamente dito. Contudo, isso não é um problema. Dosando bem os diálogos mais divertidos com os momentos de tensão, perseguição e susto, Wes Craven dirige mais uma vez para a franquia – tendo sido o diretor dos três anteriores. O elenco, lotado de figurinhas conhecidas hoje, é uma boa jogada do estúdio para despertar o público jovem atual para a história; e funciona muito bem.

Trazendo uma conclusão (por conclusão leia-se “identidade do Ghostface + motivo”) que perde apenas para o original – as motivações do Ghostface do longa de 96 eram um pouco mais surpreendentes, bem boladas e menos moralistas –, Pânico 4 veio para resgatar a ideia de que o que filmes de terror precisam é apenas de um roteiro e história bem estruturados e atuações que ultrapassem os berros. Porém, é como Sidney diz lá pelas tantas do filme: “O remake nunca supera o original”.

PS: Fiquei feliz de descobrir a identidade do Ghostface lá pelo meio do filme, embora tenha errado no motivo.

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Scream 4 (EUA, 2011). Terror. Thriller. Imagem Filmes.
Direção: Wes Craven
Elenco: David Arquette, Neve Campbell, Courteney Cox
Trailer

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