CRÍTICA: Par Perfeito

Ação
// 26/08/2010

Lançado originalmente nos EUA antes de Encontro Explosivo, Par Perfeito, que desembarca amanhã nas salas de cinema do Brasil, é uma amostra grátis do que aquele filme seria: uma ação breve, sem muitas chances de aprofundar a veia cômica entre os personagens (sejam eles protagonistas ou coadjuvantes) e uma patinação em clichês exaustos de tanto que já foram requisitados. Tudo isso em menor escala qualitativa.

Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Par Perfeito
por Gabriel Giraud

Um dos homens mais bonitos de Hollywood com uma das mulheres mais bonitas de Hollywood protagonizam a mais nova comédia romântica de Hollywood. Ok, nada muito inovador em Par perfeito (Killers). O casal digno de suspiros Katherine Heigl e Ashton Kutcher são os apaixonados Jen e Spencer, que vivem numa pacata cidadezinha americana. No entanto, ela não sabia que Spencer era um matador profissional. Quando o antigo chefe de Spencer chega na cidade à sua procura, Jen se depara com seu marido como vítima de várias tentativas de assassinato. Então eles vivem uma fuga alucinada, se vendo como alvo dos próprios vizinhos e “amigos”.

O novo filme de Robert Luketic (A Verdade Nua e Crua; A Sogra; Legalmente Loira) brinca mais uma vez com os embates bastante estereotipados entre homens e mulheres, levando o espectador a um divertimento cego e automatizado. Levando em consideração que a presença de clichês nessas comédias românticas já vêm de fábrica, ainda vemos que há probleminhas no roteiro de Par Perfeito. Há uma preocupação muito grande em se mostrar a origem de Spencer e a relação com seu chefe. Contudo, não se mostra a discussão que leva com que todos resolvam caçá-lo. Parece que Spencer é um matador profissional de uma organização que não existe e o mandado de assassinato ao “desertor” não foi oficialmente promulgado.

A vizinhança poderia ter sido mais bem explorada no filme. As falas podiam carregar mais intimidade e personalidade entre os antagonistas das cenas. Nos diálogos antagônicos, vemos que os estereótipos são tão rasos que até esse tipo de comédia sai perdendo. Mesmo o pai e a mãe de Jen (Tom Selleck e Catherine O’Hara) não conquistam tanto no início do filme, mas são os únicos que adquirem força, especialmente no final. O carisma de Selleck e O’Hara também ajudam muito a ganhar o espectador.

As atuações de Heigl e Kutcher não surpreendem – até porque não há espaço para isso –, mas agradam o público médio. A química entre os dois é clara, e isso ajuda no sucesso das piadas entre os dois. Aliás, essas piadas são boas, o argumento permite uma maior acidez no tônus do filme; mas é uma pena que elas não saiam do “permitido para toda a família”. Nas cenas finais, parece que há uma maior liberdade (ou seria improviso?) na atuação, o que enriquece muito as cenas.

A sensação ao fim do filme é de diversão, mas também é de uma história que não cresce. Uma caçada de apenas um dia, com poucos personagens e muitas cenas de ação e muita trilha musical típica parecem comprimir os já pequenos – mas clássicos – noventa minutos de projeção. Além disso, a estética high-key (bem-iluminada, de luz clara), recorrente dessas produções, ajuda a pesar a mão no tempero da sensação de “você já viu esse filme 4732 vezes”. Certamente, quem for assistir ao filme sem grandes expectativas sairá ganhando.

Killers (EUA, 2010). Comédia Romântica. Ação. Imagem Filmes.
Direção: Robert Luketic
Elenco: Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Tom Selleck e Catherine O’Hara

Comentários via Facebook