CRÍTICA: Pequenos Invasores

Aventura
// 24/09/2009

Pequenos Invasores

Em uma época na qual as crianças já estão familiarizadas com tramas mais carregadas de conteúdo e subtramas seria interessante retroceder? Isso pode ser um problema para Pequenos Invasores, com Ashlay Tisdale, que aposta  em uma história simples demais e carregada de coisas que  os pequenos já estão cansados de ver.

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Pequenos Invasores
por Arthur Melo

Foi-se o tempo em que levar uma criança ao cinema era motivo de dias de preparação para aturar historinhas bobas e cansativas; por menor que o tempo de duração dos longas para a garota tivessem – pelo óbvio motivo de àquela época ser impossível controlá-las na mesma num ambiente fechado, escuro e sentadas numa cadeira sem se mexer ou gritar por mais do que 90 infindáveis minutos. Hoje, o objetivo dos filmes voltados para o público infantil é agradar também aos pais que são arrastados pelos desejos dos filhos de visitarem as salas de cinema, o que, se for lembrado quem tem o trabalho de aquietar os pequenos e ainda pagar pelo martírio, é muito justo. Pequenos Invasores, no entanto, vai na direção oposta.

No filme, um grupo de adolescentes e crianças da mesma família passam as férias juntos na mesma casa, ao lado de seus pais. Em meio à diversão – ou a tentativa de – um ataque alienígena em mínima escala ocorre na tal casa. Obstinados a invadir e conquistar a Terra, os invasores de apenas um metro utilizam do controle de mentes (que só funciona com adultos) para conseguirem chegar até o porão da residência e ativarem um misterioso equipamento que os auxiliará na missão. Agora, as crianças irão se unir para combater os monstrinhos enquanto os seus pais não tem a mais vaga noção dos acontecimentos.

Extremamente voltado apenas para as crianças, o longa não tem a menor preocupação em explicar o porquê dos aliens estarem invadindo o planeta ou como o artefato procurado por eles fora parar ali, se valendo apenas de pressupostos vindos dos próprios personagens, muitas vezes. O desenvolvimento da história também não é de grande destaque. A narrativa se volta basicamente para as diversas engenhocas criadas por ambos os lados de batalha, um para eliminar o outro. Neste processo, como o amplamente conhecido em filmes de crianças salvadoras da Terra, as idéias artesanais, tantas vezes esquematizadas com um desenho bem colorido e realizadas através de objetos de utensílio doméstico ganham à frente, batendo de frente com a avançadíssima tecnologia extraterrestre. Um primor de inteligência bélica infantil que testa a paciência, mas funciona magistralmente para prender a atenção.

Não fosse pelo desejo da história em manter às escuras a guerra quase particular que está havendo debaixo do teto para os adultos, Pequenos Invasores se encaixaria perfeitamente como uma versão alternativa de Pequenos Guerreiros, filmeco de “Sessão da Tarde” em que bonecos de ação e monstros de brinquedo movidos por um chip de armas nucleares travam um combate que põe em risco todos os moradores de um bairro, forçando uma aproximação entre as crianças e adultos. Algo que este filme só deixa para o final, através de lições de moral do próprio personagem central.

Mas há ressalvas. Alguns diálogos das cenas em que ou os pequenos alienígenas ou as crianças utilizam o equipamento de controle de mente dos adultos como manobra tática são originais e até divertidos, atingindo o ponto máximo na ofegante luta mortal entre a vovó dos garotos e o namorado da adolescente Bethany, vivida por Ashley Tisdale (a Sharpay de High School Musical) – sem maiores feitos dignos de comentários.

Por um acaso, as crianças em cena convencem mais do que os invasores. É bem verdade que para o alvo do longa, não é necessária tamanha preocupação com técnica. Mas o trabalho gráfico servido aos E.T.s é devedor. Os seres verdinhos convencem menos de sua existência do que muitos personagens de atuais filmes em animação, surtindo efeito apenas na parcela bem mais nova do público (aos maiores de 7 anos já deve ficar difícil de enganar).

Repleto de frases de efeito para instigar a coragem, seqüências de aventura e comédia despretensiosas, usadas apenas para “enrolar” até o desfecho e nenhuma surpresa, Pequenos Invasores pode vir a provar que ainda há interesse das crianças em repetir no cinema a mesma dose de bobagens que acompanham em casa através do Disney Channel ou, quem sabe, mostrar que suas cabecinhas já estão moldadas para absorver ao menos 10% das historinhas da Pixar – o que já é bastante, se feitas comparações. Mas certo mesmo, é que vai ter muito pai e mãe inquieto na poltrona da sala escura, desejando nem que seja poder ir ao banheiro.

nota_4Aliens in The Attic (EUA, 2009). Infantil. Aventura. 20th Century Fox.
Direção: John Schultz
Elenco: Ashley Tisdale e Robert Hoffman

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Categorias
Aventura, Críticas, Infantil