CRÍTICA | Percy Jackson e o Mar de Monstros

Críticas
// 15/08/2013

Percy Jackson e o Mar de Monstros chega ao cinema com uma premissa clara: limpar a má impressão deixada pelo antecessor. Houve melhoras significativas que estimulam a adaptação das sequências: o filme é muito mais prazeroso de assistir e o público-alvo foi bastante expandido. Será, contudo, o bastante para que a saga fuja da vala em que o primeiro a jogou?

Clique em Ver Completo para conferir a crítica, porém se apenas quiser ler a crítica após ver por si mesmo, saiba de antemão: não vale a pena ver em 3D.

 

Percy Jackson e o Mar de Monstros
por Eduardo Mercadante

Adaptações são necessárias. Por mais que alguns puristas fanáticos defendam que o filme tem de seguir à risca o livro em que é baseado, as mídias são diferentes; logo, as abordagens devem ser diferentes. É impossível a narrativa de um autor ser copiada para a telona. Por isso se chama adaptação, e não cópia. E é nesse universo de desprendimentos benéficos que Percy Jackson e o Mar de Monstros se insere.

Baseado na segunda parte da série escrita por Rick Riordan, o filme acompanha Percy Jackson, filho de Poseidon. Imerso nesse mundo de mitologia grega nos EUA de hoje em dia, sua nova aventura é a de provar seu valor. Após seus feitos em Ladrão de Raios, Percy começa a se sentir diminuído, como se já tivesse alcançado o auge de sua vida. No entanto, grandes perigos e profecias se aproximam, e ele será atraído para o olho do furacão, ao desbravar o Mar de Monstros (atualmente localizado no Triângulo das Bermudas).

O fator que mais empurrava o longa para o fracasso é o próprio livro em que é baseado. Mar de Monstros é uma apropriação indevida que Riordan faz da magnífica obra de Homero, Odisseia. Com quase todos os desafios e as respectivas soluções da travessia realizada por Odisseu (ou Ulisses) após a Guerra de Troia, dificilmente alguém que tenha lido o clássico gostaria dessa versão idiotizada. De fato, essa é a impressão que a saga de Percy Jackson tem: uma simplificação – exagerada – da mitologia grega. Parece que o autor subestima a capacidade de seus leitores de se imergirem em um mundo fantástico e desconhecido. A preocupação em manter um vínculo com a realidade cotidiana é tamanha, que a obra perde a naturalidade e a jornada literária é tolhida.

No entanto, felizmente, o roteiro de Marc Guggenheim (Lanterna Verde) se dá a liberdade de se separar do “original” – se é que essa palavra cabe – e fazer mudanças significativas. A história, em si, continua a mesma. Ainda são adolescentes em jornadas épicas, com piadas infantis. Entretanto, os personagens foram envelhecidos quatro anos e a intensidade das cenas de ação foi aumentada. Talvez o envelhecimento seja mais uma necessidade de produção que uma sacada de roteiro. O casal protagonista Logan Lerman (Percy) e Alexandra Daddario (Annabeth) nunca se passaria por adolescentes de doze anos. Irrelevante a razão, essa mudança, acompanhada do ritmo acelerado, serviu para dar um tom bem mais maduro à obra. Agora, o público que pode ser agradado é bem maior.

Tecnicamente, o filme peca da mais vil e comum forma: um 3D patético. Atualmente, qualquer filme que tem uma carga significativa de efeitos visuais é lançado em 3D, porém nem metade precisa – ou é merecedor – dessa tecnologia. Os cinemas atualmente têm duas sessões extremamente contrastantes: enquanto Círculo de Fogo (leia a crítica aqui) usa com maestria o 3D, Mar de Monstros desperdiça em cenas que já na base dos efeitos não eram boas. Se nem em duas dimensões os efeitos eram bons, imagina em três.

O diretor Thor Freudenthal (Diário de um Banana), ao ser comparado com o diretor de Ladrão de Raios, Chris Columbus (Harry Potter 1 e 2), é claramente mais inexperiente. Entretanto, parece que ele se acomodou melhor à série. Columbus investiu em uma atmosfera infantil que, combinada com a imaturidade da narrativa de Rick Riordan, tornou a obra simplificada e cansativa em demasia. Thor, por outro lado, apostou em um ritmo mais agitado, com foco nas cenas de ação e não nas piadas – apesar de esse alívio cômico ainda ser presente.

As atuações são, de certa forma, melhores que a do primeiro. Por um lado, Pierce Brosnan foi substituído por Anthony Head no papel do centauro Quíron, acabando com qualquer charme ou destaque que o personagem podia ter. Por outro lado, Stanley Tucci (como o deus Dionísio, ou Sr. D) mostra que os produtores ainda gostam de colocar uma estrela em papel cômico para tentar tornar o filme mais aceitável para o público adulto. Os adolescentes continuam mostrando pouca capacidade dramática, todavia demonstram muito mais conforto e desenvoltura.

Percy Jackson e o Mar de Monstros não é um filme bom. É um bom filme para se assistir – em 2D – quando não tem nada melhor passando. Apesar de ser muito melhor que o primeiro, ainda é fraco demais para se consolidar no gênero. No entanto, a maré aponta para um futuro promissor, já que os livros seguintes são bem mais interessantes. Com enredos envolventes e adaptações benéficas, talvez a maior jornada do jovem semideus seja o sucesso cinematográfico. O primeiro não vale o preço do ingresso. O segundo só vale o do 2D. Quem sabe os últimos não valham até o IMAX 3D?

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Percy Jackson & the Olympians: The Sea of Monsters (EUA, 2013). Aventura. Fantasia. Fox Filmes.
Direção: Thor Freudenthal
Elenco: Logan Lerman, Alexandra Daddario, Brandon T. Jackson, Jake Abel.

 

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Críticas, Fantasia