CRÍTICA | Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra

Aventura
// 03/02/2009
Piratas do Caribe, a única série com dois filmes no top 10 das bilheterias

Ultimamente o cinema tem procurado nos seguimentos mais diversificados oportunidades para o milagre da multiplicação de cifras. A mais duvidosa de todas as apostas – que deu certo – partiu mais uma vez da casa do Mickey. Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra foi a idéia mais brilhante, dentre as mais arriscadas, para a entrada do estúdio no mercado cada vez maior dos filmes de aventura-fantasia.

Inspirado numa das atrações mais famosas e visitadas dos parques da Disney – que leva o mesmo nome da franquia cinematográfica – Piratas do Caribe utilizou uma fórmula até então pouco manjada, em evidência hoje, que se reafirma a cada lançamento milionário hollywoodiano: aproveitar uma marca já conhecida para expandir seu poder comercial. Mas os motivos pelos quais os produtores optaram pelo nome em questão são mais variantes. Arriscar dólares a fio em um diretor pouco conhecido sem a certeza de um público concreto ou lucros realçados é um perigo que dificilmente qualquer estúdio gostaria de passar.

A maior prova de que Piratas do Caribe – a atração – serviu apenas como pano de fundo do longa é o script. O mesmo em nada remete o espectador ao parque de Orlando, servindo apenas para situar a história ou utilizar o conceito de pirataria anteriormente visto em sucessos de bilheteria como Hook – A Volta do Capitão Gancho de Steven Spielberg e Os Goonies, ambos clássicos da “Sessão da Tarde”. Na verdade, é mais fácil assimilar Piratas do Caribe a esses filmes do que ao seu produto original.

Dirigido pelo simplista Gore Verbinski (O Chamado e Um Ratinho Encrenqueiro) Piratas do Caribe entrou tímido no circuito mundial, inimaginável quanto à explosão fanática que surgiria ao longo da possível trilogia que viria a ser realizada se não houvesse prejuízos monetários no primeiro episódio. De fato o longa surpreende aqueles que pensaram num contexto de fácil assimilação e pouco conteúdo. Realmente é assim. Mas as seqüências de ação inesperadas, os efeitos visuais de ponta e o capricho que foi estendido à direção de arte e à maquiagem tornaram A Maldição do Pérola Negra um blockbuster de primeira quando relacionado às técnicas de cinema empregadas ou quando nos deparamos com a indicação ao Oscar de melhor ator a Jonny Depp (contrariando todos os costumes da Academia de Ciências Cinematográficas) seguido pelas outras quatro nomeações que a película acumulou.

Aliás, Depp é o grande – e único – trunfo de Piratas. Numa etapa onde as menores produções já se acostumaram a utilizar super efeitos especiais, Verbinski teve de procurar em outros aspectos algo que pudesse prender a platéia na frente da tela. Mas a tarefa não se resumiria a escalação do elenco. O susto que os produtores tiveram ao ver pela primeira vez Johnny Depp na pele de Jack Sparrow foi o suficiente para o lançamento quase ser adiado e até mesmo repensado. A mensagem de Jerry Bruckheimer era clara: como poderia ter uma pirata com tantos distúrbios psicológicos e até mesmo… gay!? Coube a Verbinski destilar seu talento de persuasão que nem mesmo os renomados diretores de Los Angeles detêm. Convencer os realizadores quanto ao talento e a perfeição de Johnny Depp era trabalho árduo, mas a prova era visível e indiscutível. Jack Sparrow era brilhante e totalmente real. Sua figura no filme é tão ascendente e significativa que ofuscou o Will Turner de Orlando Bloom com uma facilidade extrema, onde até mesmo nos momentos em que o pirata Sparrow (“capitão!!!”) se apresenta como vilão consegue atrair mais entusiasmo e conivência do público.

Apesar de ser guiado da maneira mais cara e simplória possível – por mais controverso que isto soe – os 143 minutos da aventura colaboram pouco para inclusão de cenas fantásticas e inesquecíveis para a história do cinema. Mas há. Uma delas, a “Serenata ao Luar”, na qual Elizabeth é jogada ao ar por zumbis a bordo do Pérola Negra, se vale pela apresentação de todo o poderio científico que Hollywood pode proporcionar; e sua principal intenção, ainda que não declarada, é lembrar o tipo de filme que está sendo exibido.

Com bons atrativos, Piratas do Caribe supera expectativas – não por sua magnitude ou qualidade no contexto geral e sim pelo simples fato consumado de que não é o tipo de franquia que impressione pela forma; o conteúdo merece ser explorado. Sua performance lúdica e divertida não pode ser contestada, tampouco os lucros provenientes desta.

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Pirates of The Caribbean: The Curse of  Black Pearl (EUA, 2003). Aventura. Walt Disney Pictures
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knightley, Orlando Bloom

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Aventura, Críticas