CRÍTICA: Predadores

Críticas
// 22/07/2010

A saga do Predador no cinema pode ter perdido algum fôlego depois de Aliens Vs. Predador 2, numa quebra de expectativa que tinha sido criada depois de Alien Vs. Predador, que foi até bem aceito pelos fãs. Talvez isso tenha contribuido para que Predadores tenha se tornado uma estreia tão subestimada. A verdade é que apesar dos pesares, o longa é um resgate de boa parte da qualidade da ficção científica original de 1987 – o que já começou na seleção do elenco. Contudo – e vale dizer – pode ainda não significar o tipo de filme para qualquer público e provavelmente seu erro tenha sido se preocupar em restringir-se demais aos fãs.

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Predadores
por Julia Moura

Talvez uma das estreias mais obscuras neste ano de grandes bockbusters, o terceiro Predadores injeta vida nova na série ,enquanto faz uma homenagem ao filme de 1987 estrelado por Arnold Schwarzenegger. Com roteiro de Michael Flinch e Alex Litvak, o longa conta com a direção do desconhecido Nimrod Antal e foi cuidadosamente rodado no Troublemaker Studios de Robert Rodriguez que participa como produtor.

O longa nos mostra um grupo de humanos tentando sobreviver em uma reserva de caça alienígena. Logo na introdução, descobrimos que este não será o tipo de filme “passeio no bosque”, nem um mero episódio do telesseriado Survivor. Royce (Adrien Brody) recobre a consciência para descobrir que está em queda livre e que o seu para-quedas não abre. E ele “aterrissa” para descobrir que a sensação de estar seguro em terra firme, salvo, foi apenas uma impressão momentânea. As frequentes tomadas próximas ao solo da densa floresta tropical mantém a sensação de que algo perigoso está à espreita, que que cada passo pode ser o último.

Predadores é, ao mesmo tempo, um filme de ficção científica com alienígenas e um longa  de ação. E esta mistura funciona muito bem, já que todos os elementos são colocados em doses exatas. Enquanto a poeira dos tiros e explosões baixa um pouco e um novo perigo não aparece, o público recupera o fôlego e tem a oportunidade de perceber o que está acontecendo em cena – momento raro entre os filmes de ação recentes, nos quais a adrenalina ininterrupta dá o tom da narrativa. Junto com a alternância entre ação e expectativa, os momentos em que os personagens especulam sobre o que está acontecendo, ou em que alguma informação conhecida anteriormente é revelada ao grupo, também vêm em ocasiões oportunas, deixando espaço para  a história ser desvendada ao acompanhar os eventos que se desdobram, permitindo que a plateia se pergunte se os personagens estão dizendo a verdade uns aos outros.

Apesar do ritmo bem dosado, Predadores não é original, pois possui em si a falha comum dos dois gêneros que integra: uma vez iniciado, podemos prever a maior parte do que vai acontecer. O que explica o infalível atrativo dos estilos em questão é a criatividade dos idealizadores para que os eventos, mesmo que previsíveis, aconteçam sempre da melhor maneira possível – E os efeitos especiais dão o tempero final para a diversão.

Com isto, resta aos atores a responsabilidade de fazer deste um bom filme, já que todos os outros elementos necessários, ao menos, estão disponíveis. Felizmente o elenco sob a direção de Antal consegue o tom exato. A escolha para os papéis principais de rostos que não são figurões dos filmes de ação hollywoodianos foi acertada: Adrien Brody parece muito confortável em seu primeiro papel do gênero, e a brasileira Alice Braga tem a força necessária para realizar sua Isabelle com eficiência e segurança. Já Laurence Fishburne faz uma participação especial como um humano que conseguiu sobreviver à sua “estação de caça” e que agora sobrevive se escondendo. Mas apesar de Fishburne interpretar muito bem os efeitos de se passar tempo demais sozinho, o seu Noland lembra o Morpheus da trologia Matrix – provando que o ator continua pregado ao personagem, como o dito em tantas críticas ao seu trabalho após a série. Quanto aos coadjuvantes, alguns são mais bem explorados do que outros, mas estes também deixam a sua marca; a exemplo, o Hanzo de Louis Ozawa Changchien, a partir do momento em que ele consegue uma katana (o que seria de um membro da Yakuza sem sua espada oriental? Mas este enorme clichê leva a uma cena que tem sua beleza).

Talvez o grande mérito de Predadores seja que este é um filme de fã para fãs. Todos aqueles que forem ao cinema em busca de um reencontro com um dos vilões mais icônicos do cinema não irão se decepcionar. Os Predadores, com a camuflagem que o público conhece bem, são introduzidos no momento certo da narrativa e reaparecem ao longo do filme sem banalizar a sua presença tão impactante. Letais e sádicos como sempre, agora com um bonus: cada Predador tem uma identidade visual que permite ao público reconhecer cada um deles (sim, se você é fã já pode sorrir agora: são mais de um).

Mesmo com todas estas qualidades, Predadores não é um filme para qualquer público e nem pretende ser. Os que têm estômago fraco, podem pensar bem antes de assistir à caçada. Os que não pertencem a este grupo e estão à procura de ação, ficção e aliens, ao se acenderem as luzes no fim da projeção, além da sensação de ter experimentado uma excelente dose de entretenimento, você também vai estar se sentindo um pouco mais humano.

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Predators (EUA, 2010). Terror. Ficção Científica. 20th Century Fox.
Direção: Nimród Antal
Elenco: Topher Grace, Danny Trejo, Adrien Brody, Alice Braga.

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