CRÍTICA: Premonição 5

Críticas
// 25/09/2011

Sabemos que atrasamos mais do que o normal e que prometemos para ontem. Mas imprevistos (grandes) acontecem. Antes tarde do que mais tarde.

Depois de tanta insistência, parece que Premonição 5 conseguiu colocar a franquia de volta nos eixos, retornando às mortes inquietantes e uma trama com alguma coisa a mais para ser oferecida. Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Premonição 5
por Caíque Bernardes

Que o gênero terror/horror sempre foi solo fértil para franquias que duram décadas, é senso comum. Filme após filme, em sequências infindáveis, observamos como estas tentam sempre repetir a fórmula que as lançou e, no percurso, acabam desgastando o enredo que um dia foi original. Porém, ressuscitar tais franquias perdidas com filmes feitos com um pouco mais de esmero e planejamento tem estado em voga recentemente em Hollywood. Para a felicidade de fãs, críticos e, obviamente, das produtoras, podemos citar nesta lista de bem quistos salvadores, por exemplo, Pânico 4 e o mais recente Premonição 5.

Na história, um grupo de funcionários de uma empresa é salvo da morte no colapso de uma ponte suspensa após um de seus colegas ter tido uma visão do acontecido e avisado a todos. Agora, a única esperança de escaparem da vingança da Morte é a de deixarem inocentes morrerem em seus lugares. Apenas esta pequena modificação no conceito, apesar de não muito bem justificada, já é um motor narrativo a mais na trama, que sempre sofria por ser, digamos, um tanto previsível. Seus efeitos visuais, muito criticados nas últimas produções da franquia, também são outro aspecto que finalmente foi melhorado, desta vez passando a ajudar a gerar as várias sensações que o filme provoca, do espanto ao nojo.

Desde seus créditos de abertura – que homenageiam as mortes mais icônicas da série de forma simbólica e criativa – o longa insere referências aos outros quatro durante toda sua duração. Não são exatamente sutis, observando em retrospecto, mas se encaixam muito bem em um filme cuja temática tem a ver com visões atemporais e que sempre prezou muito por seus easter-eggs. Ele também é repleto de surpresas, sustos e reviravoltas (inclusive algumas que não fazem muito sentido, como as motivações de certos personagens) que movimentam o enredo e envolve quem o assiste.

Ser um filme com méritos não corresponde a dizer que a franquia se tornou subitamente um drama familiar com histórias envolventes e personagens complexos. Pelo contrário, a primeira morte que ocorre no filme é a do nosso interesse pela vida pessoal dos protagonistas planos, vividos por atores sem talento. Mas, novamente, o filme usa tal característica da série a seu favor e nos impede de sentir remorso algum pelas suas execuções – inevitável – de qualquer membro do elenco.

Merece maior atenção, porém a maior diferença deste para seus antecessores é o suspense bem construído. Apesar de todos sabermos para onde as cenas de morte nos levarão, a tensão (através de closes precisos, cortes seguros e da construção sonora) cresce gradativamente e nos leva a mais pura aflição, apenas para nos surpreender ao final. É a diferença entre o suspense e o simples gore.  Preste atenção na sequência da ginástica olímpica e a compare, por exemplo, com a cena da academia em Premonição 3 e verá a diferença no tom do suspense. Finais irônicos para tais sequências de morte são também estrategicamente colocados pelo diretor para justamente aliviar a tensão criada e levar o espectador a rir – de nervoso –, mostrando que o estreante Steven Quale sabe bem quais emoções quer que sua obra inspire a cada momento.

Foram precisos três fracassos consecutivos para que a franquia Premonição encontrasse uma forma eficaz de mascarar o sadismo que é seu núcleo principal. Com um timing eficiente do suspense, auto-referências e doses comedidas de criatividade e humor, percebe-se que finalmente a série atingiu seu objetivo e ressurgiu das cinzas anciãs das franquias desacreditadas para produzir um filme bom para os apreciadores do gênero. Só precisa-se de calma ao falarmos em mais continuações, pois podemos concordar que, após este quinto filme, não existe mais espaço para elas.

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Final Destination (EUA, 2011). Terror. Suspense. Warner Bros.
Direção: Steven Quale
Elenco: David Koechner, Nicholas D’Agosto, Emma Bell.
Trailer

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Críticas, Terror