CRÍTICA: Presságio (Knowing)

Ação
// 09/04/2009

Tudo bem que a grande catástrofe só chegará no filme 2012, que está esperando sua estreia para o meio do ano. Mas enquanto o longa não chega às telas, a boa pedida para o fãs do estilo é Presságio (Knowing), com Nicolas Cage, que estreia nesta sexta-feira. Com algumas cenas de ação criteriosas e um enredo que em boa parte do filme se sustenta, o longa deve agradar o público a que se destina, mas não espere tanta coisa. O porquê você encontra na crítica. Confira!

Presságio (Knowing)
Por Arthur Melo

Não é de hoje que os filmes catástrofe atraem uma grande massa aos cinemas. As explicações para tal são variadas. Em uma explicação resumida, pode-se admitir que o perigo de aparência real e verossímil tem uma capacidade maior de convencimento e a lógica dá as mãos para isso. Mas o que conforta um angustiante sentimento momentâneo de pavor diante das probabilidades de grandes estragos é a possibilidade de sobrevivência, sempre sinalizada ao fim do desenrolar neste estilo de filme. Foi assim com Independence Day, Armagedon, Impacto Profundo e Twister. A fórmula até chegou a se reinventar com O Dia Depois de Amanhã, quando o que deveria ser matéria de insegurança, ao se aproximar dos créditos, se transforma num mero alerta que até o presente momento foi ignorado. Mas no novo Presságio (Knowing), a interferência humana está longe de ser a causa ou propor a salvação.

Dirigido por Alex Proyas, que comandou o blockbuster Eu, Robô (2004), com Will Smith, Presságio estabelece uma linha dramática até então distante das produções calamitosas. Misturando elementos de diversos gêneros aliados a algumas situações já manjadas, o filme até consegue instigar e produzir uma faísca de inquietação, mas o seu sucesso está apenas na destruição.

Há cinquenta anos, as crianças de uma escola guardaram numa cápsula do tempo suas mensagens e desenhos com expectativas de como seria o mundo hoje. Quando a cápsula é aberta após esse período, o professor de astrofísica John Koestler (Nicolas Cage) descobre nas mãos de seu filho uma mensagem numérica que prevê todos os desastres globais, sejam eles de causas naturais ou não, listados por data, número de mortos e posição geográfica. Após uma contínua e incessante pesquisa, John constata que restam apenas três catástrofes da lista para ocorrerem e ele não sabe o que fazer para impedir aquele que pode ser o maior dos desastres.

O pouco frescor existente em Presságio está na sua abordagem. Não há perda de tempo com grandes explicações científicas ou desvirtuamento para romances. E, apesar de algumas resoluções e situações fugirem um pouco da lógica comum, a trama se desenvolve bem e dá margem para o espectador elaborar a sua própria tese e aos poucos descartá-la. A implantação segura de conceitos religiosos em combate com o aparente sobrenatural cria uma atmosfera de suspense que é a estrutura óssea do filme,  articulada por algumas cenas de destruição alocadas em momentos oportunos do longa.

O trabalho de direção de Alex Proyas colabora para o bom andamento da projeção. As sequências de ação panorâmicas, com vista aberta e às vezes em uma única tomada dão realismo à produção. Algo que já fora visto nas melhores pirotecnias do seu anterior, Eu, Robô. Um bom exemplo é a primeira catástrofe, com um avião de passageiros explodindo em plena autopista. Os cortes destas passagens são exatos, sem exageros ou dívidas que só não estão num nível digno de grandes aplausos devido à mediana qualidade dos efeitos visuais – que só mostram seu grande poder de fato no clímax. O modo como as cenas de suspense ou com elementos surpresa são apresentados também demonstram o quão preparado Proyas estava quando assumiu a direção.

Mas o enredo possui suas fraquezas. As reviravoltas do final destroem qualquer vestígio dos impactos anteriores e até anulam alguns dos motivos para elogiar a trama. Mas merece seus louros por manter a tensão em boa parte da trajetória e pela primeira vez tirar da humanidade a “responsabilidade” de tentar se salvar.

7

Knowing (EUA, 2009). Suspense. Paris Filmes.
Direção: Alex Proyas.
Elenco: Nocolas Cage, Rose Byrne e Chandler Canterburly.

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