CRÍTICA | Procurando Dory

Animações
// 29/06/2016
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Lá se vão 13 anos desde que Procurando Nemo chegou aos cinemas e cativou o mundo com a emocionante história de um pai, Marlin, que cruza o oceano para reencontrar seu filho, Nemo. Ainda que os peixes-palhaço sejam as grandes estrelas da trama, quem rouba a cena é de outra espécie: a cirurgião-patela Dory, que se tornou um grande ícone da cultura pop por encantar a todos com seu bom humor e determinação para continuar a nadar mesmo sofrendo com sua perda de memória recente. O sucesso foi tanto que ela se tornou a protagonista-título da continuação, Procurando Dory, que estreia amanhã.

Superar a qualidade de imagem do já clássico Procurando Nemo não era exatamente um obstáculo para a Pixar ao trabalhar em sua continuação, Procurando Dory, já que o esmero visual do estúdio evoluiu com a tecnologia – e, muitas vezes, fez a tecnologia evoluir para atender suas próprias necessidades. O grande desafio a ser vencido era manter vivo o carinho do público pelos peixes da história entregando um filme com roteiro igualmente competente e tocante. A solução, tal como em todas as outras obras da gigante das animações, foi se manter fiel à proposta central do enredo: o amor pela família.

Se no longa original, de 2003, o que impulsiona e conduz a grande aventura de Marlin e Dory é o amor do pai por seu filho, Nemo, a jornada deste novo capítulo é movida pelo desejo da apaixonante desmemoriada de se reunir com sua família. Logo na primeira cena conhecemos os pais de Dory, que fazem de tudo para ajudá-la a viver da melhor – e mais segura, como manda o manual dos pais – forma possível. Vivenciamos então o momento em que ela se perde deles, busca ajuda de outros peixes para encontrá-los, gradualmente esquece o que estava procurando e, finalmente, esbarra em Marlin. Já no presente, ajudando Tio Raia a cuidar das crianças durante uma excursão para ver a migração das arraias, Dory se lembra que tem uma família e parte com seus amigos alaranjados para reencontrá-la. Durante a viagem, uma série de lugares e situações a ajudam a recuperar memórias há muito esquecidas e a trama se costura com fluidez.

Novos e excelentes personagens são inseridos e boa parte dos coadjuvantes do primeiro filme têm seu espaço, mas alguns não são sequer mencionados e isso gera algum incômodo, mas nada que prejudique a totalidade da obra. Entre os recém apresentados, destacam-se a super carismática tubarão-baleia Destiny, o hilário beluga Bailey e o mau humorado polvo Hank. Os três têm um papel importante a desempenhar e um arco narrativo convincente.

A dublagem é primorosa e adapta com bastante êxito as piadas para o mercado brasileiro. Há apenas um problema: a voz de Hank. Dublado pelo humorista Antonio Tabet, do canal Porta dos Fundos. Único nome famoso no elenco de dubladores, ele destoa dos demais talvez pela falta de experiência nesse tipo de trabalho – é perceptível seu esforço para fazer uma voz similar à de Ed O’Neal, dublador original, mas falha ao tentar emulá-la e tem dificuldade para passar a emoção necessária para o expectador.

Apesar dos problemas, que são pequenos e não chegam nem perto de empobrecer a experiência, Procurando Dory é uma história simples contada com um roteiro caprichado e muito bem amarrado. Não faltam cenas que abrem largos sorrisos, arrancam gargalhadas ou levam lágrimas aos olhos, seja com um pé na realidade – as piadas e dramas referentes aos estereótipos de cada espécie marinha são incríveis – ou em sequências mirabolantes e inimagináveis.

Desde o primeiro filme, Dory nos ensina duas coisas muito importantes: a primeira é a falar baleiês. A segunda é que é preciso continuar a nadar para achar a solução. E a Pixar continuou. Nadou graciosamente e entregou uma continuação tão cativante quanto seu predecessor.


Finding Dory (EUA, 2016). Animação. Disney/Pixar
Direção: Andrew Stanton
Elenco de dublagem: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Ed O’Neill

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Animações, Críticas