CRÍTICA: Professora Sem Classe

Comédia
// 18/08/2011

Justin Timberlake está mesmo investindo na carreira como ator. E, a menos que se queira comprar briga com Mila Kunis (há quem vá entender), é melhor não contradizer isso. Mas não foi em Professora Sem Classe que o ex-N’Sync vai esticou as pernas. Seu personagem é fraco e sem graça e sua atuação pode usar destes mesmos adjetivos. Em contrapartida, Cameron Diaz entrega um bom e divertido trabalho para uma comédia que ganha mais com a sua presença do que com sua história.

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Professora Sem Classe
por Arthur Melo

Por um tempo, o pastelão foi sugado até a última gota. Quando se notou (finalmente) um certo desgaste, as histórias passaram a abordar um tipo de comédia mais verossímil, mesmo que depositasse a graça em cenas cujo o humor brotasse no inusitado. A aceitação foi rápida. De uma hora para outra, longas como Se Beber, Não Case passaram a oferecer conceitos como o do politicamente incorreto que, querendo ou não, foram absorvidos por outras produções. Professora Sem Classe certamente é a elevação ao mais alto grau desta tática de fazer rir e, em certo ponto, consegue mesmo que sem arriscar na criatividade.

No filme, Cameron Diaz é Elizabeth, uma professora de Ensino Fundamental que pede demissão às vésperas de seu casamento com um multimilionário. Mas o noivo descobre o real interesse da jovem pela sua fortuna e cancela os planos. Revoltada com o fato, Elizabeth decide mudar radicalmente sua vida fazendo um implante de silicone. Contudo, está muitos milhares de dólares abaixo do necessário. Agora ela deverá retornar à escola que antes lecionava e fazer o impossível para levantar a verba. Mesmo que para isso ela precise humilhar seus alunos e “enrolar” o coração do novo – e rico – professor Scott (Justin Timberlake).

Se há algo que Professora Sem Classe (finalmente um título nacional espertinho) pode se gabar é de engrenar rápido. Partindo do princípio de que todo o argumento da trama está centrado em Elizabeth, o longa não demora em dar espaço para que as situações exponham o caráter da professora. Para realçar, cria um contraste ao colocá-la devidamente entre tantos outros personagens cujas funções dentro do universo da história são os mesmos, mas com caráter oposto. O deslize, neste caso, está apenas em querer dar personalidades bem demarcadas, estabelecendo estereótipos diversos por meio de um gesto ou fala rápidos dignos das abordagens rasas dos filmes do Adam Sandler. Um prato cheio de criaturas afogadas em seus pontos fracos, prontos para que Elizabeth extraia tudo o que é preciso; fácil demais. Uma clara falta de criatividade do roteiro.

Apesar de simplista ou repetitivo nos tipos postos em cena, o filme sabe ao menos manipular o espectador naquilo que mais precisa. Auxiliado pela divertida atuação de Diaz (que sabe do que a personagem precisa), o longa consegue “inserir” uma aceitação do público para com a protagonista. Elizabeth é egoísta, calculista, fria, mal educada e muito mal intencionada. Mas as suas ações geram resultados não só na escola, nos demais a sua volta também. Aos poucos, os mais nobres se transformam em almas tão inescrupulosas em obterem resultados quanto Elizabeth. E, mesmo que a ideia seja detê-la e instaurar ordem, o objetivo da história já foi alcançado e os lados separados. Por mais ético que se possa ser, é impossível torcer contra os absurdos planos de Elizabeth e à favor de quem quer atrapalhá-la. E isso só demonstra o quanto o espectador pode ter a sua moral inclinada para qualquer setor, mesmo que pelo filme menos audacioso.

Se por um lado cria um personagem divertido de se ver em cena, por outro não dá caminhos tão interessantes para ele. A boa vontade do roteiro parece crescente quando o assunto é mesclar Elizabeth com seus métodos para conquistar Scott (em atuação e personagem esquecíveis de Timberlake), mas se esvai quando é preciso conceder resultados originais. Ainda assim, Professora sem Classe pode valer como o tipo de comédia que, ao contrário de sua professora em questão, tem em seus métodos uma boa justificativa para estar ali.

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Bad Teacher (EUA, 2011). Comédia. Sony Pictures.
Direção: Jake Kasdan
Elenco: Cameron Diaz, Justin Timberlake, Jason Segel
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Comédia, Críticas