CRÍTICA: Projeto X

Comédia
// 15/03/2012

Apenas um aviso merece ser dado para quem for assistir a Projeto X, que estreia amanhã com censura 18 anos no Brasil: aprecie-o o quanto puder, mas o que acontecer no cinema fica no cinema. Eis o motivo.

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Projeto X
por Eduardo Mercadante 

Um dos maiores desafios da crítica é tratar de filmes que, em resumo, não são uma aplicação das inúmeras técnicas de cinema. Em outras palavras, produções como Projeto X são extremamente controvérsias, tendo, provavelmente, o maior número de críticas contrastantes. Por isso, esse tipo de texto, especialmente as desse gênero, não devem ser como verdades absolutas.

Para demostrar a simplicidade do roteiro escrito por Matt Drake e Michael Bacall, o subtítulo adotado no Brasil, Uma Festa Fora de Controle, é oitenta por cento da sinopse do longa. Thomas (Thomas Mann) é um típico adolescente americano que decide fazer uma festa em sua casa para ganhar popularidade quando seus pais viajam. Auxiliado por seus amigos Costa (Oliver Cooper) e JB (Jonnathan Daniel Brown) – bem ao estilo do filme Superbad –, eles planejam uma festa gigante que sai do controle, beirando as raias do absurdo. No início, o espectador pode até achar previsível a trama, mas ela se revela completamente inesperada, numa analogia perfeita ao descontrole da festa, com acontecimentos que não podem ser descritos na crítica para não acabarem com a graça – e as risadas constantes tomam conta das sessões. Aos mais puristas quanto a enredo, só há o ínfimo desenvolvimento de um relacionamento de Thomas com sua amiga de infância, Kirby (Kirby Bliss Blanton).

Projeto X foi filmado com a técnica found footage – também empregada no recente Poder Sem Limites (confira a crítica aqui) –, que consiste na utilização de filmadoras comuns, carregadas pelas próprias personagens, para documentar a história. Esta é uma ótima aplicação da técnica, por se ajustar perfeitamente à atmosfera jovem de vídeos amadores de Youtube – que provavelmente é o fator que contribui para a popularidade do gênero.  Para torná-lo ainda mais próximo à juventude atual, é definitivamente acertado o emprego de uma trilha sonora cheia de remixes e rica em batida.  A direção de Nima Nourizadeh e a produção de Todd Phillips se complementam no esforço de intensificar o ambiente caótico da festa, que chega a lembrar a série britânica Skins em algumas passagens.

Projeto X é uma produção que causará repúdio nos que primam pelo pudor e pela qualidade técnica; talvez seja por isso que a maioria das críticas o esteja execrando como “o pior pesadelo de um pai” ou “um manual de rebeldia levado às últimas consequências”. Na verdade, a proposta do longa é ser uma bacante do século XXI, que agradará aqueles que buscam na arte, e no cinema em especial, um descompromisso com a moral, que os impede de realizar suas fantasias mais rebeldes. Apesar de não cumprir os requisitos técnicos da Academia para ser um filme “de qualidade”, sua real qualidade é entreter a qualquer custo – e isso ele executa com louvor.

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Project X (EUA, 2012). Comédia. Warner Bros.
Direção: Nima Nourizadeh
Elenco: Thomas Mann, Oliver Cooper, Jonnathan DAniel Brown
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Comédia, Críticas