CRÍTICA | Psicose

Críticas
// 15/07/2009
Janet Leigh in Psycho

O cineasta inglês Alfred Hitchcock já havia assinado a direção de mais de 50 filmes, entre eles Janela Indiscreta e Um Corpo que cai, quando em 1960, produziu aquele que viria a ser considerado a sua obra prima e um dos mais influentes filmes da história do cinema: Psicose.

Adaptado do romance homônimo de Robert Bloch, o lançamento de Psicose foi cercado de uma intensa campanha de marketing, a começar pelo próprio trailer, no qual Hitchcock caminha sozinho pelos sets de filmagem, explicando em tom sombrio detalhes do longa. Além disso, o diretor vetou a entrada de pessoas nos cinemas após o início das sessões e chegou a comprar edições do livro de modo a evitar que o final pudesse ser previamente revelado.

Ainda que à época tenha recebido elogios um tanto mornos por parte da imprensa (vale dizer que Hitchcock não permitiu sessões de pré-estreia, para desagrado dos críticos), a estratégia pareceu funcionar, afinal  Psicose arrecadou consideráveis 50 milhões de dólares nas bilheterias.

Mas afinal de contas, qual a história por trás da mais que antológica cena do chuveiro?

Marion Crane – interpretada pela bela Janeth Leigh – é a pacata secretária de uma agência imobiliária. Um belo dia, após seu chefe concluir uma venda e incumbi-la de tomar conta do dinheiro, Marion foge com a pequena fortuna, numa atitude quase que impensada.  Certa de que logo descobrirão o crime, ela se aventura sem destino certo, até que, exausta, decide hospedar-se num motel à beira da estrada. No motel, ela é atendida por um rapaz bem afeiçoado e bastante cortes, Norman Bates (Antony Perkins) que lhe explica que ela é a única hóspede em dias, por conta de um desvio feito na estrada. Norman vive num casarão próximo com a mãe, uma velhota inválida e opressora que lhe nega o pedido de convidar Marion para o jantar. Norman se revela uma rapaz solitário e de hábitos estranhos – como o de empalhar aves – e faz questão da companhia de Marion. Ela por sua vez está muito cansada, preferindo tomar um banho e dormir… Sim, chegamos à fatídica cena do chuveiro: os ilustres 45 segundos em que Janeth Leigh é esfaqueada e que custaram não menos que 7 dias de filmagem, 70 diferentes posições de câmera, além de uma dublê de corpo para algumas tomadas. Bates então oculta o cadáver, acreditando ser sua mãe a autora do crime. Preocupados com o seu paradeiro, a irmã de Marion e seu amante dão início a busca pela jovem. E ao final da investigação, claro, um grande segredo virá a tona.

Psicose inovou em muitos aspectos. Hitchcock e o roteirista John Setaffano não hesitaram em descartar sua protagonista já na primeira metade da projeção, uma vez que é a partir do seu brutal assassinato que Perkins, brilhante na pele de Norman Bates, se torna de fato alvo das atenções. Seu personagem, originalmente concebido por Bloch como um homem calvo, obeso e sem quaisquer atrativos, foi sabiamente transformado Por Steffano num rapaz educado e em certos pontos até simpático. Sob a direção sabidamente rigorosa de Hitchcock (“Ator é gado!”), Perkins equilibra fragilidade e frieza numa interpretação inesquecível.

A ótima fotografia em preto e branco, uma preocupação a princípio exagerada do diretor, que temia o choque do público durante a cena do chuveiro, acabou por tornar-se elemento fundamental na elevação do filme a categoria de clássico. Somam-se a isso a edição ousada, os diálogos off-screen e é claro, a arrepiante e inesquecível de trilha sonora composta pelo americano Bernard Hermann.

Psicose teve ainda 3 desnecessárias continuações, além de um remake quadro-a-quadro realizado em 1998 pelo cineasta Gus Van Sant, (e imediatamente reconhecido como uma das piores refilmagens de todos os tempos).

Os sustos podem já não ter o mesmo efeito, ou efeito algum, mas a questão não é essa. Clássicos já nascem clássicos. E em cada minuto de projeção, Psicose deixa isso bem claro.

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Psycho (EUA, 1960). Suspense.
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Janet Leigh, Vera Miles, Anthony Perkins, Simon Oakland, Vaughn Taylor

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