CRÍTICA: Queime Depois de Ler

Comédia
// 27/11/2008

Saindo do ambiente faroeste e anos 80 de Onde Os Fracos Não Têm Vez, os diretores ganhadores do Oscar 2007, os Irmãos Coen, partem agora para a comédia atual de Queime Depois de Ler. Leia a crítica do filme que estréia nos cinemas do país nesta sexta-feira.

Queime Depois de Ler
Por Breno Ribeiro

Existem muitos tipos de comédia, algumas mais fáceis de serem identificadas outras nem tanto. Há as comédias familiares, as românticas, as infantis, as escrachadas e as inteligentes. As últimas são sempre as mais difíceis de serem reconhecidas como fazendo parte do estilo, justamente por não aparentarem na essência serem divertidas. Para esse tipo de filme é necessário mais do que apenas sentar na poltrona e esperar alguém sair rolando pela escada, ser atropelado ou falar palavrões para rir, é preciso prestar atenção para se entender completamente as nuances que fazem da história uma comédia. É o caso do mais novo filme dos Irmãos Coen, Queime Depois de Ler.

O longa conta a história intricada de diversos personagens caricaturais e distintos em torno do conteúdo de um CD no qual um ex-funcionário da CIA conta sua vida e alguns segredos do departamento. Depois que o CD é descoberto por dois funcionários de uma academia, eles tentam tirar proveito do que têm em mãos.

Dirigido, produzido e escrito pela dupla de irmãos, o filme conta com uma história que a princípio parece muito simples, mas que se apresenta como um processo narrativo complexo cada vez que um novo rosto “principal” aparece em cena. Com um humor negro afiadíssimo, os roteiristas assinalam cada passagem com ao menos uma pitada de graça. Com um final que em muito lembra o término de seu projeto anterior, os irmãos conferem uma nova maneira de encerramento narrativo que se mostra eficiente e compensatória.

Assim como o ótimo roteiro, o elenco do longa é um show a parte. Contando com grandes nomes do cinema americano, muitos deles indicados e ganhadores de estatuetas, o projeto se torna rico justamente pelo fato de os personagens paranóicos serem interpretados de forma caricatural pelos atores, apesar dos jeitos e exacerbações de caráter propostos por alguns. O elenco nivelado, onde se torna impossível decidir qual dos atores foi o melhor e qual deles foi o pior, traz um espírito de consistência ao filme.

A trilha de Carter Burwell também se mostra eficiente. Ao apresentar músicas que remetem a longas de espionagem e conspiração, o compositor consegue tornar tudo ainda mais divertido justamente pela ironia que a trilha propõe, uma vez que nenhum dos personagens é de fato um espião e muitos deles nem sabem o que estão fazendo, como na cena em que Chad Feldheimer (Brad Pitt) ameaça pela primeira vez Osbourne Cox (John Malkovich) pelo telefone.

Um filme cujas piadas estão mais nos jogos de palavras e atuações bem concretizadas do que em palavrões, quedas e dejetos, Queime Depois de Ler é válido pela história impossível e ao mesmo tempo divertida que propõem. Dos trejeitos e caricaturas de seus personagens a falas bem boladas e cenas parecidas, o filme é uma boa pedida para quem se interessa pelo gênero. E não se esqueça: comente depois de ler.

Burn After Reading (EUA, 2009). Comédia. Paramount Pictures.
Direção: Joel e Ethan Cohen
Elenco: George Clooney, Tilda Swinton, Brad Pitt, John Malkovich, Frances McDormand

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Comédia, Críticas