CRÍTICA: Rango

Animações
// 08/03/2011

Depois de estrear em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas, chega amanhã aos cinemas brasileiros a primeira animação criada pela maior produtora de efeitos visuais do cinema, a Industrial Light & Magic, conhecida pelas inúmeras indicações e vitórias no Oscar. Rango, do mesmo diretor da trilogia inicial Piratas do Caribe e dublada originalmente por Johnny Depp é, sem dúvida, um excelente resultado do bom gosto e da qualidade técnica, mas provavelmente só cairá no gosto do público adulto.

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Rango
por Leandro Melo

Em Hollywood, existem alguns lugares comuns e muito seguros na constituição de heróis: a crise de identidade (e a sua busca), a auto-exclusão do próprio meio, estar fora dos padrões aos quais deveria pertencer…

Partindo desta premissa, Rango poderia ser apenas mais uma animação que seguiria à risca esses atalhos. Felizmente, não é o caso. O filme segue a cartilha de como transformar um personagem errante em herói. Porém, em nenhum momento a história desanda para o apelo dramático e/ou faz do personagem principal um coitado. O filme parte de um início respaldado no lugar comum, mas trilha a sua própria regra e utiliza dos seus próprios artifícios para contar a sua história. Rango é um lagarto, magrelo e com os olhos esbugalhados. Não é bonito, muito menos fofo (assim como a maioria dos personagens do filme). Em nenhum momento essa questão é abordada na película. Não há mensagem sobre beleza exterior, nenhum animal é pseudo-feio e isso simplesmente não importa. Só por este detalhe, já se percebe o valor do tratamento no roteiro dado por John Logan.

Gore Verbinski é um diretor de muitos altos e alguns baixos. Rango definitivamente entra como saldo positivo em sua carreira. A sua direção é precisa e segura, mesmo quando as suas opções poderiam arruinar um possível sucesso comercial. E Rango é assim, um filme de caminhos tortuosos: personagens de uma “beleza exótica”, é direcionado a um público mais velho e, por essa razão, se passa em um universo pouco familiar às crianças, remetendo aos filmes de western.

Mas, apesar de ser um filmedigno de muitos elogios, Rango é vítima de um erro gravíssimo: a sustentabilidade de seu argumento. O seu roteiro poderia ser impecável caso fosse um curta-metragem, mas soa excessivamente esticado para criar uma história que dure os seus 107 minutos. Devido a este fator, algumas situações acabam se tornando desnecessárias para o desenrolar da narrativa e fazem a animação diminuir em qualidade.

A técnica de animação é inegavelmente um dos grandes pontos positivos da obra. A Industrial Light & Magic demonstra neste exemplar a sua superioridade em relação a maioria das computações gráficas executadas no cinema. Seja nas diferentes texturas de pele, nas expressões faciais ou elementos naturais, não há como discordar do trabalho impecável realizado em Rango.

A dublagem brasileira, sempre um dos pontos altos nas animações aqui lançadas, prejudica a apreciação do filme. As vozes soam desconexas dos personagens e, por consequência, afastam o espectador da obra. Ponto negativo para a localização nacional.

Em suma, Rango é uma ótima realização para o cinema de animação em 2011. Não é extraordinário, mas é corajoso e cativante o suficiente para receber alguma atenção aos cinéfilos de bom gosto e que curtam uma animação que foge dos conflitos impostos nas animações clássicas.

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Rango (EUA, 2011). Animação. Paramount Pictures.
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp
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Animações, Críticas