CRÍTICA: Recém-Chegada

Comédia
// 30/04/2009

Amanhã é o dia do trabalhador (ou do trabalho, se você for patrão). Em um momento de crise econômica, nada como um filme politicamente correto e economicamente incentivador para renovar as esperanças de um futuro próspero e… romântico?

A premissa de Recém-Chegada, com Renée Zellweger, é esta mesmo. Simples e utópica. Confira a crítica!

Observação: O texto, só desta vez, contém alguns spoilers, por fazer uma análise direta da previsibilidade do final da trama.

Recém-Chegada
Por Débora Silvestre

Recém-Chegada é, no mínimo, irônico ou esperançoso, depende do ponto de vista que se adote. Não por ser o tipo da comedia romântica extremamente engraçada ou a ponto de arrancar lágrimas, mas pelo que propõe em seu enredo. O mundo, hoje, passa por uma crise econômica, o que não é uma novidade. A cada dia se noticiam falências, demissões, empréstimos. E a pergunta que atormenta os trabalhadores mundiais é: quando isso vai acabar?

O novo filme protagonizado por Renée Zellweger não se preocupa muito com isso. Ela, uma workaholic, vai cuidar de uma fábrica no interior que simplesmente não está dando tanto lucro assim. Mediante a este fato, poderia parecer que o parágrafo acima é paradoxal, mas não.  Em momento algum o longa leva em consideração a crise mundial. Ao contrário, mostra um EUA feliz, próspero e capitalista, sem medo de quebrar no final do túnel. Assim, como o filme é otimista, o melhor elogio para ele seria esperançoso, pois, como em toda comédia romântica que possui um final feliz (ou não seria este o gênero), essa também o tem, e pode passar a confiança para o trabalhador que no fim vai dar tudo certo. Tanto que a protagonista mantém a fábrica, mantém os trabalhadores, chama outros, conquista o mercado consumidor e alcança o êxito. Qualquer um que faça administração de empresas ou que está vendo a sua falir teria a mocinha como um exemplo.

No mais, não é o melhor dos filmes de Zellweger. Ela, que conquistou todos com a simpática e atrapalha Bridget Jones, ao ser comparada com esta personagem, está apagada no novo filme. As piadas não são tão boas, e algumas saem à moda Jones. Além disso, a comédia dá a sensação de lugar comum, de algo que já foi assistido antes e, de fato, pode ser comparada com Doce Lar, com Reese Whiterspoon, sendo esse mais divertido.

A proposta para o casal principal, Renné e Harry Connick Jr., também poderia ser mais bem explorada, uma vez que eles representariam uma miniatura de Guerra Fria. Entretanto, isso só ocorre duas vezes muito brevemente, pois a vida no interior congelante do Minessota e o rústico comunista logo derretem o coração da capitalista, realizando o final feliz já esperado do gênero, já que a personagem descobre que o bom da vida está no interior, numa fabricazinha com o seu caipira americano comunista.

Um bom filme para os desacreditados na vida do interior, no capitalismo e na estruturação de uma fábrica que produz tapioca. Além, viva o dia do trabalhador.

New in Town (EUA, 2009). Comédia Romântica. Lionsgate.
Direção: Jonas Elmer.
Elenco: Harry Connick Jr., Rashida Jones, Nathan Fillion e, Renée Zellweger.

Comentários via Facebook
Categorias
Comédia, Críticas, Romance