CRÍTICA: Rede de Mentiras

Ação
// 26/11/2008

Guerras são um assunto que tem sido tratado exaustivamente desde muito tempo. Entretanto, o cinema aparenta ter uma predileção pelas guerras que nunca aconteceram abertamente entre os países. Era assim na época da Guerra Fria, período sobre o qual vários filmes foram feitos e são até hoje, em menor escala. O mesmo acontece atualmente com a guerra contra o terrorismo. É o caso de Rede de Mentiras, de Ridley Scott com Leonardo DiCaprio e Russew Crowe, que estréia na próxima sexta-feira.

Rede de Mentiras
por Breno Ribeiro

Quando Rede de Mentiras se inicia, somos apresentados de cara àquele que será o ‘vilão’ perseguido durante todo o filme, um perigoso líder da organização terrorista al-Qaeda. Dois agentes da CIA trabalham para prendê-lo, em um jogo que envolve desconfiança, mentiras e algumas traições.

Todos os ingredientes estão lá. Entretanto, com exceção de algumas cenas iniciais, o longa prossegue quase todo sem as explosões, fugas e matanças que de certa forma caracterizam o estilo. Obra do roteirista, William Monahan, que prefere fazer uso dos diálogos e situações engendradas no lugar dos efeitos grandiosos que possivelmente esvaziariam análises mais políticas para o filme. Porém, a narrativa se mostra por vezes enfadonha e arrastada, tamanho o número de diálogos explicativos e ilustrativos.

Outro elemento que pode provocar irritação são as passagens constantes e infindáveis entre as locações, ou a forma como elas são feitas. Fugindo mais uma vez de algo quase estabelecido no gênero (quando somos apresentados ao novo local, normalmente surge na tela, como uma legenda, o nome do lugar onde aquilo se passa), toda a vez que o longa muda sua posição no globo, aparece uma tela preta com o nome, em branco, da próxima localidade e, ou numa espécie de fade-out ou em um corte seco, finalmente o local em si. (somente quando a mudança acontece dentro da cidade onde o filme já se encontra, o recurso da legenda é utilizado).

Superando, e muito, o filme em si estão as atuações de forma geral. Russell Crowe, na pele do agente Ed Hoffman, apresenta-se em uma de suas melhores atuações. Dos olhares sobre os óculos aos tiques com a boca e as mãos, Crowe consegue construir muitíssimo bem seu personagem. Assim como Crowe, Mark Strong confere um ar ao mesmo tempo perigoso, sério, moralista e por vezes divertido ao seu personagem, o líder da Inteligência Jordânia, Hani Salaam. Por outro lado, fazendo uso de gestos e olhares que já usara em trabalhos anteriores, Leonardo DiCaprio surge como o mais fraco do trio, justamente por não atingir, de uma forma original, a complexidade e a transição pela qual seu personagem passa ao longo da projeção.

A direção de Ridley Scott é, em suma, boa. Preferindo não ousar, o diretor mantém uma direção técnica, mas que em nada acrescenta. Somente um plano, o da van percorrendo o deserto, chama atenção, embora o mesmo recurso já tenha sido utilizado diversas vezes por outros cineastas.

Contando sobre algo que pode ser visto todos os dias nas TV’s via um roteiro mediano, Rede de Mentiras é, em resumo, um filme que chama atenção muito mais pelo elenco pelo qual é composto do que pela história em si.

Body of Lies (EUA, 2008). Ação. Suspense. Warner Bros.
Direção: Ridley Scott
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Strong, Russell Crowe

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Ação, Críticas