CRÍTICA: Reencontrando a Felicidade

Críticas
// 05/05/2011

Com um atraso considerável, estreia amanhã no circuito nacional o longa que rendeu à Nocile Kidman a sua indicação ao Oscar 2001 de Melhor Atriz, Reencontrando a Felicidade.

Abordando um tema propício para as lágrimas desenfreadas nos personagens, facilmente cansável, o filme contorna o que poderia ser um ponto negativo (o que de fato ainda é) e transforma em seu maior atrativo.

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Reencontrando a Felicidade
por Leandro Melo

Na natureza humana, existe uma ordem natural – quase uma regra – de que o homem nasce, cresce, se reproduz e morre. Por consequência, os filhos veem seus pais morrerem. Algumas vezes, porém, essa ordem entra em colapso. E, assim, uma das dores possivelmente mais devastadoras é o impulso de Reencontrando a Felicidade.

Em um tema tão delicado como este, seria fácil a película se desenrolar em um melodrama. Não é o caso neste filme, e este é um dos seus pontos positivos e – paradoxalmente – um de seus defeitos. O diretor John Cameron Mitchell opta pela sutileza ao dramatizar o luto dos pais que perderam o filho em uma tragédia pela qual suas vidas nunca voltarão a ser como eram antes. Diálogos longos – assim como as sequências – são pontuados por uma trilha econômica, apenas em momentos cruciais.

Em contrapartida, a sutileza buscada na abordagem de um tema tão pesado (e já predisposto a ser dramático), acaba por tornar o filme apático. Em parte, por culpa do roteiro. Na tentativa de podar qualquer caminho rumo ao supracitado melodrama, a jornada do casal acaba por se perder em muitos momentos vazios, dramaticamente falando. As situações vão se sucedendo e os conflitos soam frios e, quando há um ensaio de surto ou um comportamento mais agressivo, soa equivocado e fora da construção do personagem até então. Uma interessante é introduzida no longa, a do RabbitHole (titulo original do filme) e que dá sentido às camadas que compõem o filme: acima do luto e perda do filho, há a tentativa de famílias desestruturadas, cada qual pela perda de um membro, de seguir com o que se acredita ser uma instituição sólida, sendo o casal protagonista “apenas” um, dentro de um todo.

A grande força da obra se encontra em Nicole Kidman, síntese de tudo o que o filme tem a dizer. A força de sua atuação que, pode-se dizer, domina cada cena em que participa, seja nos seus momentos mais explosivos e descontrolados, seja na sua fase mais introspectiva e seus silêncios. Não é exagero afirmar que o filme seria bem menor sem a sua presença.  A outra metade do casal, Aaron Eckhart, está um pouco desencontrada no papel do pai que tenta manter o controle do que restou da família. Na maior parte do tempo está bem, porém pesa nos momentos mais físicos do seu personagem, exagerando nos trejeitos e expressões corporais  e indo contra a já sutileza da obra. Um destaque a ser observado é a participação pequena – porém encantadora – de Sandra Oh, como uma mãe também em luto.

Em suma, Reencontrando a Felicidade é um filme que tem o seu mérito evitar a todo custo a abordagem que um espectador comum esperaria a um conflito tão cruel, mas que parece ter tanto medo de errar a mão, que acaba por se sabotar e diminuir o impacto de seus conflitos. Longe de ser ruim, é um interessante exercício cinematográfico, no uso de seus planos, trilha sonora contida na medida certa e na excelente interpretação de Nicole Kidman.

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Rabbit Role (EUA, 2010). Drama. Paris Filmes
Direção: John Cameron Mitchell
Elenco: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Sandra Oh
Trailer

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Críticas, Drama