CRÍTICA | Robocop

Ação
// 21/02/2014

Embalado em críticas políticas e sociais relevantes mas abordadas de forma um tanto rasa e cenas de ação que apelam para a previsível estética e ritmo de videogame, o Robocop de José Padilha é uma extrapolação atualizada do original que ganha pontos ao introduzir um protagonista mais complexo, mas peca na condução atabalhoada da trama.

Robocop
Por Gabriel Costa

E, mais uma vez seguindo o princípio de que o reconhecimento de marca rende mais que a introdução de conceitos originais, Hollywood se mete na espinhosa tarefa de atualizar outra adorada franquia surgida na década de 80. Aqui, o diretor brasileiro José Padilha assume a tarefa de trazer a intensidade dos dois Tropa de Elite para o clássico policial cibernético do futuro. Missão dada é missão cumprida? Apenas em parte. Seja devido à classificação PG-13 (recomendado para maiores de 13 anos) imposta pelo estúdio, com todas as interferências criativas aí implicadas, à adaptação do diretor ao trabalho no mercado norte-americano – e mundial – ou a quaisquer outros da infinidade de motivos possíveis, o longa tem um caráter algo esquizofrênico e mal resolvido, e carece de um rumo definido.

Enquanto a premissa básica de Robocop permanece a mesma, o cenário é bastante diferente. Em vez de discutir em tom de sátira a violência urbana

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em uma megalópole futurista, Padilha opta por criticar o já combalido imperialismo e intervencionismo norte-americanos. No original de 1987, Detroit era uma cidade caótica mergulhada no crime, enquanto aqui o verdadeiro caos está bem distante dos civilizados Estados Unidos da América, e soldados robóticos, humanóides ou não, são utilizados há anos para “pacificar” territórios como o Irã.

Acontece que os norte-americanos resistem à ideia de usar máquinas armadas para manter a lei em seu próprio solo, como é explicado na sequência inicial do filme por um histriônico Samuel L. Jackson na pele do apresentador televisivo Pat Novak, uma espécie de Datena republicano cuja participação ao longo do filme, embora divertida, parece curiosamente descolada do desenrolar da história como nos é mostrado. A saída encontrada pelo CEO da megacorporação OmniCorp, Raymond Sellars (Michael Keaton) para lucrar com os drones também em território americano é criar um robô que mantenha resquícios de consciência humana para consquistar a empatia da população. E é aí que entra o moribundo Alex Murphy (Joel Kinnaman), cujo corpo destruído é reconstruído pela equipe do Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) em um laboratório localizado, não sem ironia, na China.

O filme é impiedoso ao mostrar o estado do corpo orgânico de Murphy em uma angustiante sequência que é um dos momentos de destaque do longa. Kinnaman é um Robocop mais humano que o original vivido por Peter Weller, uma vez que mantém suas emoções ao ser “ressucitado”, uma reviravolta óbvia mas fundamental para que o remake se sustente como obra individual, uma vez que o tema da consciência humana versus programação, relegado a um frustrante segundo plano no longa de 87, bem como a relação de Murphy com a esposa Clara (Abbie Cornish) e o filho pequeno David (John Paul Ruttan) são colocados de forma central no enredo.

O encaixe entre todos esses elementos é o grande problema. Após um início bastante lento até que Murphy se estabeleça como Robocop, o filme se apressa em colocar o personagem em ação em sequências pouco criativas – ainda que seja animador finalmente vê-lo correr e fazer movimentos ágeis depois de todos esses anos. A partir daí, a trama é fragmentada nos diversos fronts. Em turnos, o traficante de armas Antoine Vallon (Patrick Garrow); o consultor militar da OmniCorp, Rick Mattox (Jackie Earle Haley, o Rorschach de Watchmen) e Sellars, na performance esforçada, se não exatamente inspirada, de Keaton, são colocados como vilões, e a falta de um antagonista definitivo é perceptível. Oldman, a princípio promissor como um cientista gradualmente corrompido pela pressão financeira e psicológica da OmniCorp, logo parece entrar em piloto automático. O tema da corrupção na força policial é resolvido de forma particularmente insossa, mas é difícil encontrar uma conclusão verdadeiro para a grande maioria das tramas iniciadas.

A visão de Padilha, bem distinta da original, não deixa de ser uma extrapolação de pontos tocados mas não explorados na série iniciada 1987, com direito a citações como o vislumbre da antiga pistola do protagonista no arsenal de Mattox. Se levarmos em conta que uma fatia considerável do público atual provavelmente nunca teve contato direto com a primeira encarnação do Robocop – afinal, lá se vão quase 30 anos -, a atualização ganha alguma justificativa, mas, diante das declarações de frustração do próprio diretor quanto às dificuldades e interferências durante o desenvolvimento e filmagens, dificilmente veremos uma sequência com a mesma equipe. Um pontapé inicial vacilante na retomada de um personagem incônico.

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Robocop (EUA, 2014) Ação/Ficção Científica. MGM.
Direção: José Padilha
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson

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