CRÍTICA: Salt

Ação
// 29/07/2010

Quem é Salt? A pergunta que move o marketing do filme que estreia amanhã no Brasil até que se encaixa bem. Respostas mantidas até o último suspiro, Salt, com Angelina Jolie, prende a atenção pela história. Mas também chama o olhar para suas faltas – a começar, por explorar mais a coreografia do que a expressividade de sua protagonista. Vale a ida ao cinema? Se despretenciosa, sim.

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Salt
por Arthur Melo

Angelina Jolie já provou que é uma boa atriz. O Oscar de coadjuvante por Garota, Interrompida e a indicação quase recente ao mesmo prêmio por A Troca (neste, por melhor atriz), lhe dão uma boa credibilidade. E, pensada a questão estética do produto e os blockbusters com bom retorno financeiro para os estúdios, podemos acrescentar mais alguns créditos para a Sra. Pitt gastar. A questão é que, por mais neutras que as últimas produções que contaram com a sua presença sejam, Jolie sai imune. Quando não está disposta a pesar na interpretação, recorre a longas com menos diálogos e mais atitude, se colocando em um outro ambiente de segurança. Assim, não fica difícil dizer que Angelina carregou algum filme nas costas. Com Salt não é diferente.

Desta (mais uma) vez, Angelina Jolie é Salt, uma agente secreta especialmente treinada para arrancar qualquer informação de terceiros e versada em habilidades de confronto corporal. Às voltas com o aniversário de casamento, um informante confessa a ela, diante de agentes da CIA em uma sala de interrogatórios, que um membro da inteligência russa fora infiltrado há anos no departamento americano, esperando o momento certo para atacar. Momento este a se realizar em poucos dias, com o assassinato do presidente da Rússia em solo norte-americano, com o objetivo de criar uma crise diplomática e desencadear uma guerra. O agente? A própria Salt. A moça, agora, deve escapar da vista da CIA para tentar salvar a vida de seu marido, que pode estar em risco, e provar a sua inocência.

Por um bom tempo, filmes como Salt se prenderam demais a fugas e corridas policiais motorizadas, tiros em quantidades substanciais e explosões com muita gasolina. Quando procuravam se diferenciar, entravam os planos mirabolantes para infiltrações em poderosas edificações blindadas e jogos de charme do protagonista. Sem se distanciar demais, porque aparentemente há uma regra bem clara a ser obedecida, Salt usa de tudo um pouco (às vezes bem pouco), testanto o cacife do diretor Philip Noyce para levar na prática cenas de ação sem tanto estardalhaço e uma história que, mesmo bem arranjada, despreza um bom texto e a capacidade do elenco. Ao menos dispensa os efeitos visuais desmoderados, usando-os com tanta simplicidade que se pode até esquecer da existência deles. O alvo da atenção, de fato, tem de ser Salt, e o filme sabe disso.

Sem muitos rodeios, a trama se desenvolve no seu tempo e sem adjunções que a tornem mais complexa; o que não lhe desmerece, ao contrário. Por ser enxuto, o roteiro colabora para uma boa sucessão de fatos que narram as ações de Salt sem permitir uma conclusão segura, excluindo a personagem de quaisquer conexões que estejam fora daquele contexto que é mostrado na tela no momento. Todo enxerto que dê mais consistência ao personagem de Jolie é posto como uma mera ilustração de um relatório objetivo, a fim de justificar no futuro os fins e os meios, sem a necessidade de se portarem como dicas muito claras.

Mas nenhum ponto positivo atrai tantos elogios. Não é preciso compartilhar da profissão de Salt para deduzir o final de sua trajetória. Apesar de uma ou duas substanciais reviravoltas, a produção não deixa de ser um filme extremamente comercial. Não é difícil deixar de atentar ao fato de que a premissa de Salt é típica do usualmente instigante no gênero. Em dado ponto, até busca alcançar um valor significativo, e até convence de que está preparado para isso. Nisto, Salt já dá o segundo bote e, desta vez, é para provar que você estava certo desde o começo. Ao menos, não se faz por meio de clichês tão berrantes. Mas entrega o real comprometimento dos produtores com a arte de propor um bom filme quando opta por um desfecho extremamente marqueteiro, comercialmente bivalente e cinicamente com pompa de desinteressado.

De salto, Angelina Jolie mais uma vez saiu pela maior das portas, incólume para o mundo e com uma bilheteria para sustentar nas costas.

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Salt (EUA, 2010). Ação. Sony Pictures.
Direção: Philip Noyce
Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber

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Ação, Críticas