CRÍTICA | Se Beber, Não Case – Parte 3

Comédia
// 29/05/2013

Se Beber, Não Case! Parte 3 estreia neste fim de semana nos cinemas do Brasil com a clara intenção de arrecadar dinheiro. O filme traz um pouco do mesmo, o que é ótimo para uns e péssimo para outros. Altera a lógica do roteiro, mas erra um pouco na mão e pesa no humor-negro. Reapresenta alguns personagens-chave de forma irritante (como Alan, mais mimado e menos engraçado, e Mr. Chow, mais esganiçado do que nunca) e reanima outros esquecidos. O filme é engraçado, mas tem uma cobiça acima do mérito.

Se Beber, Não Case – Parte III
por Henrique Marino

Se Beber, Não Case – Parte 3 tem a falsa pretensão de fechar uma trilogia. Isso por dois motivos: o primeiro motivo, todos sabem, é que a trilogia só virou uma trilogia por conta do sucesso do primeiro filme, ou seja, a continuidade não se explica pela narrativa, mas pelo lucro; o segundo motivo, as pessoas saberão ao verem uma cena após os créditos.

Com esta cena final, Todd Phillips manda uma mensagem para a indústria cinematográfica e para o seu público: “podemos fazer mais um”. Se realmente farão, dependerá da resposta do público — verificada na bilheteria e na reação crítica — e da cara de pau daqueles que tornaram a trilogia possível, como o próprio Todd e o elenco.

Dizer que essas sequências só visam o lucro é tão batido quanto o roteiro dos blockbusters, mas não deixa de ser verdade. Se Beber… não foge à regra. Aqui no Brasil (e em outras localidades do planeta) essa verdade é tão manifesta que o lançamento do terceiro longa-metragem vem acompanhado de um feriado prolongado, o que alavanca o rendimento.

Qualitativamente o filme também não foge à regra. Em geral, sequências desgastam-se à medida que avançam. Inferior aos seus antecessores, desgastar é precisamente o que este filme faz com a trilogia. Em diversos momentos, a Parte 3 faz referência aos seus antecessores, inclusive com o retorno (pouco útil na narrativa) de alguns personagens do primeiro longa-metragem. Ao invés de soar como saudosismo, essas referências — feitas a um filme que lançou há menos de cinco anos — soam um pouco forçadas e pretensiosas.

Todd Phillips tenta implicar uma linguagem grandiloquente ao filme, utilizando elementos fílmicos que visam ressaltar a grandiosidade dos personagens e da trilogia, como câmera lenta e amplos movimentos de câmera. Contudo, essa linguagem apenas reforça o ar pretensioso da Parte 3, ao invés de satirizar outros filmes que abusam da grandiloquência, como alguns pôsteres sugeriam.

O roteiro tenta escapar um pouco da premissa dos anteriores. Nas partes 1 e 2, os amigos solucionam problemas que causaram enquanto estavam drogados e alcoolizados. Neste último filme, eles nem estão de ressaca (hangover, como pronuncia o título original). O problema que originalmente buscam solucionar não tem nada a ver com drogas e álcool; no caso, o problema é o estado mental de Alan. No entanto, um infortúnio originado no primeiro filme é o que joga o grupo de amigos numa trama mais pesada, com direito a plot twist. Mas uma coisa não muda: Doug ainda é o motivo de preocupação do grupo, pois é ele quem desaparece por conta do infortúnio.

O tom da comédia também é um pouco diferente. O primeiro filme surgia como novidade no cenário: uma comédia nada certinha, mas que ainda assim pegava leve nos temas. A Parte 3 é bem mais pesada e detona o senso de filme certinho. Há momentos em que o humor-negro amarga a película. Não será surpreendente se defensores dos direitos dos animais atacarem o filme. Contudo, há momentos que são engraçados, sim.

Especulo que, para o público, o terceiro filme não fará muita diferença. Quem gostou dos outros filmes, gostará desse; e quem não gostou, continuará não gostando. Apesar das diferenças, mudanças e problemas apontados, Se Beber, Não Case – Parte 3 não destoa do seu antecessor. No se compara, no entanto, com o primeiro, que é realmente bom. Este, longe de ser um bom filme, não chega a ser intragável.

 

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The Hangover – Parte III (EUA, 2013). Comédia. Warner Bros.
Direção: Todd Phillips
Elenco:  Bradley Cooper, Zack Galifianakis, Ed Helms

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Comédia, Críticas