CRÍTICA: Se Beber, Não Case! – Parte II

Comédia
// 26/05/2011

Sem tirar nem pôr. Exceto pelo país. Essa é a melhor resposta para Se Beber, Não Case! – Parte II, à toda vez que alguém perguntar se, afinal, é melhor que o primeiro. Com o mesmo nível, qualidade e quantidade de piadas, o longa repete exatamente não só a fórmula, como o desenvolvimento narrativo do original. Estaria tudo perfeito, não fosse, agora, a perda do fator surpresa; o caráter de novidade.

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Se Beber, Não Case! – Parte II
por Caíque Bernardes

Uma das várias regras não escritas de Hollywood estipula que uma sequência deve sempre trazer de volta tudo o que o original fez bem feito, mas aumentado. Julgando por este aspecto, portanto, quando uma comédia faz tanto sucesso de público e crítica quanto Se Beber, Não Case fez em 2009, as apostas em seu sucessor são altas. Esperam-se piadas em maior quantidade – além de mais ousadas – e se esperam novos elementos para divertir o espectador. Tudo isso ainda mostrando respeito e fazendo referências ao seu antecessor. É uma tarefa homérica. Exatamente por isso entristece, mas não surpreende, que Se Beber, Não Case – Parte II pegue o caminho fácil e siga ao pé da letra a receita do primeiro e termine ficando apenas à sua sombra.

Após se divorciar da prostituta com a qual casou em Las Vegas, Stu (Ed Helms) está prestes a se casar na Tailândia com sua nova noiva, apesar da relutância da família desta. Temendo que sua despedida de solteiro termine com eventos como os de Las Vegas, ele convida seus amigos David (Justin Bartha), Phil (Bradley Cooper) e Alan (Zach Galifianakis) para a festa com muitas ressalvas. Tudo parece estar indo bem, até que, após um encontro ao redor da fogueira na praia, eventos nem tão inesquecíveis assim se iniciam. Agora, perdidos em Bangcoc, os amigos precisam novamente reviver os eventos da noite anterior para que o casamento seja possível.

Todos os principais personagens estão de volta, inclusive o hilário Ken Leuog (da série de TV Community) como o criminoso internacional Chow. Aliás, todos os elementos que fizeram o sucesso do original estão de volta, muito bem executados, por sinal. São ótimas as sequências nas quais os amigos descobrem as aventuras de sua noitada, cada peça do quebra cabeça/caça ao tesouro os levando mais perto da história completa. É possível até traçar relações entre os elementos principais dos dois filmes, o bebê é substituído pelo monge; o tigre, pelo macaco; o dente arrancado se torna um amputamento diferente.

O seu maior diferencial com relação ao primeiro não é o macaco que serviu de muleta para a divulgação, mas sim Bangcoc. A cidade e o seu país cedem suas várias paisagens, faces e estereótipos para o longa. Assim como feito com Las Vegas, todos os clichês da cidade da vez são explorados: dos monges às prostitutas, passando pelo trânsito e pelas típicas famílias tradicionais. Este último, aliás, um clichê dispensável por ser utilizado não como fonte de piadas, mas simplesmente como o velho artifício narrativo do “meu pai te desaprova”.

Grande parte das surpresas, como no primeiro, não é efetiva pela célebre cena que inicia o filme e precede o flashback: a ligação de celular de Phil onde ele informa as pessoas no casamento das más notícias. Sabe-se, portanto, desde o início que nada será resolvido da forma como o filme faz parecer até que a mesma cena se repita ao final do filme. Um dos maiores blefes do longa se desfaz neste raciocínio, o que é uma pena. A resolução do conflito principal também deixa a desejar, principalmente dada à similaridade, novamente, com o original.

O filme não deixa de prender sua atenção, muito menos deixa de ser engraçado, passando longe disso. A maioria das piadas funciona, principalmente as mais pesadas (embora alguns as possam julgar vulgares demais) e as mais sutis, feitas nos diálogos e brincando com a cultura pop. Infelizmente, uma vez passado o calor e a graça do momento, o filme envelhece mal. Isso porque, como já foi dito, fica à sombra do original. Uma cópia segura, mas que não surpreende e que, portanto, vira um apêndice na memória da série que uma vez surpreendeu a todos com sua originalidade.

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The Hangover – Part II (EUA, 2011). Comédia. Warner Bros. Pictures.
Direção: Todd Phillips
Elenco: Bradley Cooper, Zach Galifianakis, Heather Graham
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Crítica Se Beber, Não Case!

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