CRÍTICA: Se Beber, Não Case

Comédia
// 20/08/2009

A comédia para maiores de idade demaior bilheteria nos Estados Unidos chega aos cinemas nacionais amanhã e, infelizmente, com algumas cenas alteradas para diminuir a faixa etária no país – nada, absolutamente, que prejudique o longa. Se Beber, Não Case promete ser amelhor comédia do ano e já deixa alguns vestígios no mercado para possíveis continuações. Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Se Beber, Não Case
Por Arthur Melo

É tão difícil uma comédia usar da facilidade para agradar à maior parcela do grande público que, quando o faz, torna-se memorável. Surgem aí possibilidades de continuações que provavelmente não atingirão o mesmo nível do longa original, nem alcançarão o seu sucesso. Por enquanto, esses são os únicos riscos de Se Beber, Não Case, que estreia no Brasil amanhã, depois de uma surpreendente campanha nos Estados Unidos que lhe rendeu quase 300 milhões de dólares em bilheteria somente lá.

The Hangover (título original que pode ser traduzido como “A Ressaca”) possui uma sinopse que, reduzida, não é das mais atrativas, tampouco originais. Um grupo de amigos viaja para Las Vegas para a despedida de solteiro de um deles. Juntos, pretendem gastar e reaver rios de dinheiro em jogos, clubes e mulheres. Nesta empreitada, envolvem-se em inúmeros problemas que são o motivo da comédia. Fruto do contexto subestimado, surge uma comédia com piadas objetivas, claras, fáceis e não por isso ruins. Se Beber, Não Case vale-se do elemento surpresa e causa o riso com tanto preparo para tal que, em raros momentos em que não tenta ser engraçado, o é.

O trunfo do longa está no tratamento das situações não pelo roteiro, mas pelos próprios personagens. A trama não está preocupada em narrar as peripécias do grupo de quatro amigos pela jogatina e avenidas iluminadas da cidade dos jogos de azar. O alvo é bem diferente. Por um “engano”, Phil, Stu e Alan não se lembram de absolutamente nada do que ocorrera na última noite e não fazem a mais vaga ideia de onde está o noivo Doug, que precisa estar no altar em um espaço de tempo relativamente curto. Os fatos vividos são omitidos e, aos poucos, vão sendo revelados ao público e aos três amigos desesperados. Phil, um professor de ensino fundamental canastrão, acredita fielmente que ao fim o resultado será positivo. Alan, um adulto com mentalidade de criança, verdadeiramente não sabe o que opinar e Stu, o politicamente correto, já acredita na morte do pobre amigo.

O bom humor, ora presente em resultados assustadores dos atos e escolhas dos amigos, ora por comentários do divertidíssimo Alan, de cara convence. As opções da história são as mais estapafúrdias possíveis e, por incrível que pareça, não tão absurdas – salvo uma ou outra atitude durante a bebedeira que fora apagada da memória. O que resulta em sessões de riso que se estendem por longos minutos; causadas pelo choque, absurdo e, às vezes, por uma escolha singela da direção de Todd Phillips. O que se alia sem nenhum espaço para questionamentos a escolha do elenco.

Se Bradley Cooper é o canal que passa por fora da veia cômica, preocupando-se mais com a postura incorreta de seu personagem (Phil), e Justin Bartha é o mais próximo do equilibrado ao viver Doug (que tem uma soma de minutos, obviamente, inferior aos demais na tela), Zach Galifianakis e Ed Helms como o impagável Alan e o tímido Stu, respectivamente, são o gatilho. O despreparo de Alan para o mundo adulto e real é uma fonte de comentários e dúvidas que, por mais que se entenda sua situação, não há caminho para se fugir e não achar engraçado, e isso toma proporções ainda maiores pela contraditória imagem serena de Galifianakis na tela. Ao passo que Helms, em posse do personagem mais contido, protagoniza as melhores caras e bocas que destoariam de Stu se não fossem as descobertas de suas ações na obscura noite anterior.

Com uma narração corrida, o roteiro consegue, apesar dos atropelos, encontrar respostas e explicações plausíveis para cada extravagância descoberta ao longo de todo o emaranhado de fatos. E, apesar de não ter preferido optar por um caminho tão surpreendente para se chegar ao fim quanto a fórmula da comédia em si, encerra com resoluções de última hora com cabimento e ainda se reserva ao direito de continuar com os jogos cômicos nos créditos finais.

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The Hangover (EUA, 2009). Comédia. Warner Bros.
Diretor:Todd Phillips
Elenco: Justin Bartha, Heather Graham, Bradley Cooper

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Comédia, Críticas