CRÍTICA | Selvagens

Críticas
// 06/10/2012

Pelas mãos de Oliver Stone chega às telas a adaptação de Selvagens. Ansiado pelo nome que o assina e pelo seu elenco, o filme é um bom entretenimento, sim, mas se sustenta mais nisto do que na tensão que se esperava por conta da mistura dos elementos da trama e do estilo do diretor.

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Selvagens
por Cássia Ferreira 

Apesar da temática ser drogas, apesar do assunto ser imediatamente vinculado à violência, apesar de Oliver Stone ter uma filmografia marcada pelos signos da violência, Selvagens, seu mais recente longamentragem, não é um filme nem de longe soturno ou pesado como o tititi que o diretor provocou ao defender a legalização da maconha sugeriu.

A história, baseada em livro homônimo, narra a história de três jovens de Laguna Beach (um paraíso no meio da Califórnia): Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch) que são grandes amigos que dividem a mesma namorada, Ophelia (Blake Lively), e cuidam de um negócio próprio de plantio e distribuição de maconha. A “firma” entra em colapso quando a chefe de um cartel mexicano – Elena (Salma Hayek) – decide propor uma sociedade e acaba sequestrando Ophelia para ter um boa mercadoria para barganha.

A trama teria tudo para ser um filme pesado, mas o clima de belos jovens à beira da praia acaba garantido mais diversão do que apreensão. Parte da “leveza” é resultado das atuações de John Travolta (o policial corrupto Dennis) e Guilhermo Del Toro (Lado, cujo nome já é uma piada), que faz o capanga de Elena e, apesar de estar ligado ao tráfico, garante algumas sequências divertidas. Toda a narrativa é contada a partir do ponto de vista de Ophelia, que abre o filme dizendo que “o fato de eu estar narrando essa história, não significa que eu tenha chegado viva ao fim dela”.

Considerando que é possível depreender mais de uma narrativa e, apesar do discurso progressista de Oliver Stone em defesa da legalização da maconha, o tom pode servir como uma forma de tingir mais uma imagem negativa em relação aos mexicanos. É de conhecimento público que aquele país da América do Norte vive um momento delicado no combate aos cartéis de drogas, famosos pela violência com que lidam com as disputas. Poderíamos arriscar dizer que, provavelmente, o México será a nova Colômbia e, brevemente, deverá sofrer algum tipo de intervenção americana.

O espectador é induzido a “torcer” por Ben e Chon. No entanto, os dois são tão traficantes e tão descumpridores da lei quanto Elena e seu capanga Lado (o bom e velho hábito do espectador de pender para o lado mais vulnerável). Ben tem seus pecados expurgados porque é um traficante gente boa, que viaja o mundo fazendo boas ações e nem está pelo negócio por dinheiro. Já Chon tem no currículo a participação na Guerra do Iraque como argumento para aliviar a barra. E, neste caso, quem seriam os “selvagens”?

Como estamos apenas no âmbito da ficção, Selvagens não é , nem de longe, uma obra-prima de Stone – que dirigiu Platoon e Assassinos por Natureza –, mas é um filme que garante duas horas de entretenimento marcado por reviravoltas e que coloca uma pulguinha atrás da orelha do porquê de o assunto precisar ser discutido, sem preconceitos. E isso já é suficiente.

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Savages (EUA, 2012). Drama. Universal.
Diretor: Oliver Stone
Elenco: Blake Lively, Taylor Kitsch, John Travolta, Aaron Johnson

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Críticas, Drama