CRÍTICA: Sete Dias Com Marilyn

Críticas
// 26/04/2012

Poucas personalidades alcançaram, a seu tempo, a popularidade de Marilyn Monroe. O que nem todos sabem, entretanto, é que por trás da emblemática personagem de cabelos louros e olhar sedutor se escondia uma jovem extremamente insegura e carente, que, por essa razão, esteve sempre envolvida em controvérsias. Sete Dias Com Marilyn – que tem estreia prevista para esse final de semana, em todo o Brasil – retrata justamente esse lado menos glamouroso da atriz, que nem por isso, conseguia torná-la menos irresistível.

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Sete Dias com Marilyn
por Matusael Ramos 

Marilyn Monroe pode não ter sido a maior atriz da história do Cinema, mas certamente foi a maior estrela que ele já fabricou. Da infância errante até sua morte prematura, passando por três casamentos e alguns escândalos extraconjugais, os muitos altos e baixos de sua vida se confundem, ironicamente, com uma daquelas histórias que a própria Hollywood tantas vezes contou: a da garota frágil, seduzida pelo sucesso e por ele subjugada. Feitas as devidas ressalvas, é justamente essa a proposta do longa Sete Dias Com Marilyn, estreia no cinema do produtor e (agora) diretor Simon Curtis que, com considerável atraso, chega ao Brasil.

Narrado em primeira pessoa, Sete Dias Com Marilyn conta a história do jovem Colin Clark, membro da aristocracia inglesa que, seduzido pelo mundo do cinema, deixa a casa dos pais para tentar a própria sorte. Não demora muito para que o rapaz seja contratado como terceiro diretor assistente (algo que em bom português poderia ser entendido como um “quebra-galho”) pelo estúdio Pinewood, então responsável pela produção do filme O Príncipe Encantado, comédia de costumes para a qual a estrela Marilyn Monroe está escalada.

Já nos primeiros dias de filmagem, Marilyn se mostra uma figura bastante peculiar – por seus constantes atrasos, pela sua dificuldade de memorizar as falas ou pela sua enorme insegurança –, de modo que o diretor e par romântico Lawrence Olivier se indispõe com a atriz por diversas vezes, questionando, inclusive, as razões do clamor em torno de seu nome.

As frequentes cobranças como atriz (tanto suas como do diretor), somadas à crise em seu terceiro casamento e à sua saúde fragilizada, fazem com que Marilyn busque, na figura do jovem e inocente assistente de diretor, uma espécie de confidente, sem que nunca fiquem claros os seus reais sentimentos. E é justamente essa indefinição que tange a relação do improvável casal, que distancia o filme de um romance propriamente dito.

Ao invés de uma cinebiografia demasiado abrangente, que – a exemplo de produções como O Aviador, Ray ou o oscarizado Gandhi – acabasse por comprometer o ritmo do longa, o diretor Simon Curtis optou acertadamente pela adaptação do livro homônimo escrito pelo próprio Colin Clark e publicado em 1995. Sob a ótica (ainda que questionável) de um jovem de 23 anos, Curtis pôde se desvirtuar da visão consagrada da atriz, e se limitar estritamente à Marilyn dos bastidores de O Príncipe Encantado.

Como resultado, temos, sim, um roteiro bastante simples e em vários aspectos até adocicado. Mas aquilo que, a princípio, pode ser tomado como um elemento que o desfavoreça, se justifica, num segundo momento, pela natureza sutil do filme como um todo.

Ainda que em termos narrativos Marilyn não seja a personagem principal do filme, cada uma de suas aparições é sabiamente transformada numa espécie de acontecimento, como quando desembarca no aeroporto de Londres, ou quando entra nos sets de filmagem pela primeira vez. Nesse ponto, vale observar o trabalho competente das equipes de maquiagem, figurino e fotografia, que foram capazes de transformar Michelle Williams na personagem icônica que Marilyn foi, e ainda é.

Nada disso, é claro, teria importância não fosse o carisma e a presença da própria Willians em cena. A atriz empresta toda a sua doçura e fragilidade a Marilyn, de maneira que o restante do elenco – ainda que formado por nomes de peso do cinema inglês como Keneth Branagh e Judi Dench – apenas orbita em seu redor.

E era justamente esse o efeito provocado por Marilyn Monroe, atuando ou não. O mesmo magnetismo que atraiu o olhar de Davis Conover – o fotógrafo que a descobriu para o mundo – acompanharia Marilyn nos mais de trinta filmes em que atuou nos anos seguintes. A atriz costumava dizer que mulheres comportadas raramente faziam história. Não restam dúvidas de que tenha elevado esse pensamento a extremos. Mas o seu maior extremo, aquele que talvez tenha custado sua própria vida, foi o de nunca ter abandonado o papel mais difícil e duradouro de toda a sua carreira: o de si mesma.

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My Week with Marilyn (EUA, 2011). Drama. Imagem Filmes
Direção: Simon Curtis
Elenco: Michelle Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Emma Watson, Dominic Cooper
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Categorias
Críticas, Drama