CRÍTICA | Sete Homens e Um Destino

Aventura
// 23/09/2016
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Caso sintomático de remake do remake – o filme é uma nova versão do clássico faroeste homônimo de 1960 que, por sua vez, era a refilmagem norte-americana de Sete Samurais, realizado por Akira Kurosawa em 1954 – Sete Homens e Um Destino apresenta um elenco forte e extremamente à vontade em um dos melhores blockbusters do ano.

O gênero do faroeste é alvo de tamanha reverência e respeito em Hollywood que, já faz algum tempo, dificilmente reúnem-se nomes relevantes para uma produção do tipo sem que um padrão elevado de qualidade seja estabelecido. Desde Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood, em 1992, aos Oito Odiados de Tarantino no ano passado, e passando por pérolas como Os Indomáveis (2007), Appaloosa (2008), Bravura Indômita (2010) e até o peculiar Bone Tomahawk (também de 2015), o Oeste Selvagem americano se provou um terreno fértil para histórias de homens cruéis e vidas sofridas serem contadas com esmero por atores, roteiristas e diretores que raramente escondem a satisfação em trabalhar com uma vertente tão icônica do cinema do último século.

As diversas versões da história contada em Sete Homens e Um Destino têm um esqueleto universal em comum, mas diferem o suficiente entre si para serem encaradas como obras representativas dos diferentes contextos históricos e culturais em que foram criadas. Enquanto o original de Kurosawa é um épico histórico sobre o crepúsculo dos samurais em uma das fases mais conturbadas da história do Japão, a refilmagem americana de 1960, com os lendários Charles Bronson e Steve McQueen, se apresenta como uma aventura clássica de faroeste/veículo para astros caucasianos salvarem o dia diante de mexicanos e índios. Mais inclusiva, a versão de 2016, sob a direção versátil de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, Invasão a Casa Branca), reúne um elenco estrelado para mais uma vez encenar a luta inglória de um grupo heterogêneo de guerreiros contra a opressão e injustiça que ameaçam uma indefesa comunidade agrícola.

Nesta encarnação do roteiro, a cargo de Nic Pizzolato (True Detective) e Richard Wenk (16 Quadras, Os Mercenários 2), o recrutamento dos infames (anti) heróis que vão tentar livrar a vila de Rose Creek da mão de ferro do industrial Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard, sempre ótimo em parecer desprezível) é responsabilidade de Emma Cullen (Haley Bennett), recém-viúva como resultado dos atos do vilão. Emma, por um golpe de sorte, encontra o caçador de recompensas Sam Chisolm (Denzel Washington, excelente como de praxe) e o trambiqueiro Josh Farraday (Chris Pratt, a anos-luz da atuação insossa de Jurassic World), que aceitam a missão e partem para completar o time com o “anjo da morte” Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), seu companheiro (em mais de um sentido?) especialista em facas Billy Rocks (Byung-hun Lee), o rastreador religioso e implacável Jack Home (Vincent D’Onofrio), o fora-da-lei mexicano Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo) e o letal nativo comanche Red Harvest (Martin Sensmeier).

Os personagens, paradoxalmente tão rasos quanto cativantes, conduzem, sob o comando de Fuqua, uma trama que pode ser considerada previsível e superlotada com fluidez admirável. Não se trata de um filme exatamente profundo, mas há um par de reflexões interessantes para justificar as toneladas de chumbo que percorrem a tela ao longo das 2h12m de exibição – ainda mais de uma hora a menos que o extenso original de Kurosawa. Por fim, o longa acerta com louvor em um quesito que filmes demais têm buscado realizar nos últimos anos, mas poucos têm conseguido: a batalha final épica. Construída com paciência, cuidado narrativo e ritmo impecável, a última meia hora reserva assombro, risadas e, possivelmente, lágrimas ao público. E o melhor é que o caminho até ela é igualmente recompensador.


The Magnificent Seven (EUA, 2016). Faroeste/Aventura. MGM.
Direção: Antoine Fuqua
Elenco:
Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Haley Bennett

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Aventura, Críticas