CRÍTICA: Sexta-feira 13

Críticas
// 14/02/2009

Ontem estreou em muitos países, inclusive no Brasil, o décimo primeiro Sexta-feira 13, marcando o retorno do vilão Jason à tela grande. O reboot do “monstro” chega para provar que, apesar da queda do nível da série nos últimos anos, Jason ainda pode oferecer alguns sustos interessantes e entreter de alguma forma os mais ávidos por sangue de groselha.

Republicação da crítica de quinta-feira, 14 de fevereiro, por erro no sistema.

Sexta-feira 13
Por Débora Silvestre

Diferentemente dos demais que principiaram na década de 1980, este Sexta-Feira 13 se inicia da estaca zero: conta-se a história de como toda a revolta de Jason teria começado, em que, num acampamento na mesma década, quando criança, ele teria se afogado e sua mãe (Pamela Voorhees) assassina todos os monitores por não terem tomado conta da criança. Porém, o menino sobreviveu e viu a última monitora a sobreviver assassinar sua mãe, e ali ele entende que tem uma missão: matar todos que quiserem acampar em Crystal Lake.

Os demais filmes da série tinham um tom mais diabólico, Jason, assim com Freddie Kruger, fora um monstro e herói de toda uma geração. Mas, após tantos filmes com tantos retornos (lembrando que Jason já foi e voltou de Nova York e do inferno), o novo Sexta-feira 13 já não alcança o mesmo. Seu tom é mais realista, trata-se de um homem que vive isolado do mundo e mata todos aqueles que perturbam a paz de Crystal Lake. Como, normalmente, quem faz isso são jovens, esses serão as vítimas de serial killer.

O filme conta com três inícios: o já citado, o segundo em que um grupo de jovens vai em busca de maconha e acampam – e desse tem-se a personagem Whitney (a única que sobrevive a esse massacre) e o terceiro, que conta a chegada de outros jovens e do irmão da sobrevivente, Clay (Jared Padalecki), que busca respostas para o desaparecimento da irmã. Agora todas as histórias convergirão para o filme se desenvolver e chegar a um final.

O interessante deste novo é que, ao contrário das demais produções da série, não há mais a expectativa de um sobrevivente, mas sim, quem será o último a morrer. O assassino possui certos valores que refletirão na ordem dos assassinatos, passando ainda a sensação de que os jovens que morrerão merecem aquilo, por suas futilidades, bebedeiras, riquezas ou burros. Eis que surge a primeira das muitas alusões a Jogos Mortais: o QG do assassino é praticamente o mesmo de Jigsaw (aposta-se que utilizaram o mesmo set de filmagens). Agora, Jason possui certa linearidade na ordem dos assassinatos, começando por aqueles que tiram a tranqüilidade do local, não respeitando seus limites (nas palavras de uma vizinha), e que de certo modo estão mais acessíveis ao personagem, até chegar aos protagonistas que representam o bem: Clay e Whitney. Mais uma alusão a Jogos Mortais. É totalmente crível que tentaram pegar uma carona no sucesso dessa outra série, que ainda não chegou a 11 filmes, mas chegou a 6 com muito fôlego.

Se no passado, Sexta-Feira 13 era um filme aterrorizante, hoje já perdeu o brilho de um grande (talvez, o maior) thriller de terror; tornando-se um filme de segunda. Depois de dez filmes, perdeu seu enredo e os esquemas se repetem mesmo tendo o objetivo de mostrar como tudo começou, desde a infância até a vingança. Porém, não é dos piores do gênero. O espectador torce pela forma como cada um morrerá, pois já sabe que ninguém fugirá do implacável Jason. Não parece ser uma reinvenção da série, apenas uma continuação, com alusões aos filmes antigos, e a novos; além da sensação de “acalmar” um pouco com a saudade de quem ainda insiste com a moda dos anos oitenta.

Friday The 13th (EUA, 2009). Terror. Paramount Pictures.
Direção: Marcus Nispel.
Elenco: Ryan Hansen, Derek Mears, Danielle Panabaker, Jared Padalecki, Nana Visitor.

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Críticas, Terror