CRITICA | Shazam!

Ação
// 04/04/2019
shazam

Afirmação mais explícita da mudança de tom do universo cinematográfico DC na atual era pós-Zack Snyder, Shazam! injeta uma nova camada dotada de humor e alguma ousadia artística genuína na ambientação antes criticada como excessivamente soturna e sisuda que o personagem-título compartilha com a trindade Batman, Superman e Mulher Maravilha (ok, e com o Aquaman também). Porém, como também acontece em alguns dos filmes recentes sobre esses ilustres colegas, após um começo promissor o longa deixa claro que não tem uma trama sólida o suficiente para sustentar as mais de duas horas de exibição, e se perde em batalhas pretensamente épicas e exageradamente longas para o seu próprio bem.

Concebido inicialmente como um concorrente/cópia do Superman, antes de ser adquirido pela DC Comics, Shazam, o herói, sempre teve um diferencial que o aproxima do público jovem: em sua identidade secreta, ele não é um jornalista ou playboy milionário – ele é só um garoto. Billy Batson (Asher Angel) se perdeu da mãe ainda bem pequeno, e agora, ainda antes de entrar na adolescência, escapa de um lar adotivo para outro à procura dela. Na mais recente família a adotá-lo, ele conhece Freddy Freeman (Freddy Freeman), um menino aficionado pelos seres superpoderosos que habitam o mundo em que vivem.

Freddy logo se revela um aliado/mentor valioso, ainda que Billy possa relutar em admitir, quando suas vidas são envolvidas em uma trama milenar (ainda que explorada apenas no nível mais básico) envolvendo magos, poderes fantásticos e criaturas demoníacas que encarnam os grandes pecados da humanidade. A versão adulta e superpoderosa de Billy é interpretada com carisma e desenvoltura por Zachary Levi, mas numa atuação um tanto desconectada dos maneirismos de sua contraparte juvenil. A interação do protagonista adulto é mais interessante quando confrontada com a seriedade do vilão Doutor Silvana, um personagem raso, mas interpretado com solidez por Mark Strong.

Shazam traz algum frescor ao já saturado nicho de super-heróis, mas também percorre, em alguns aspectos, uma estrada já trilhada pelos filmes do Deadpool, ao tirar sarro de alguns clichês do segmento “de dentro”, ainda que aqui a metalinguagem seja muito mais contida. Com direito a citações visuais e conceituais a clássicos dos anos 80 como Quero Ser Grande e Os Caça-Fantasmas, o diretor David F. Sandberg não se apressa na introdução e desenvolvimento de temas, tratando-os, a princípio, com cuidado, mas chega em um momento, ainda bem distante do final, em que parece desistir de avançar a história, e simplesmente dá início a uma gigantesca (e, em mais de um momento, tediosa) batalha final, embora ainda traga algumas surpresas saborosas. Com 132 minutos, porém, é estranho que a sensação deixada seja a de uma obra pouco desenvolvida.

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Shazam! (EUA, 2019). Aventura / Comédia. Warner Bros. Pictures.
Direção: David F. Sandberg
Elenco: Zachary Levi, Mark Strong, Jack Dylan Grazer, Asher Angel, Djimon Hounsou, Rosa Vasquez, Michelle Borth

7-pipocas

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Ação, Críticas, HQ's