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O renovado detetive vitoriano volta às telas em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras para combater, junto a seu fiel amigo Doutor Watson, o arquiinimigo Professor Moriarty. Apostando mais em sequências de ação e menos numa trama, o filme ainda funciona, mesmo que dentro de certos limites de gosto pessoal — isto é, nem todos se satisfazem apenas com ação e comédia e precisam de um suspense para manter a atenção na tela.

Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
por Henrique Marino 

Há mentes inocentes que acusam a nova roupagem do detetive de ser muito distante do personagem literário; afinal, ele luta muito bem e sua inteligência é mais esperta (ou malandra) que intelectual. Acusação fundada numa crença de que a série Sherlock Holmes seja intelectualizada. Mas ela não é. A série literária apela para o gosto popular, e é exatamente isso que a adaptação faz: apela para o gosto popular… Da nova geração consumidora de cinema. Os livros funcionam bem apenas com suspense, mas um filme, que prezasse pela lógica industrial de Hollywood e que se valesse só de suspense, seria um fracasso — e chato, tanto para a plateia popular, que simplesmente dormiria sem umas boas cenas de ação, como para a plateia intelectual, que não veria objetivo além de diversão num joguinho astuto de suspense. Contudo, em O Jogo de Sombras, essas mentes inocentes ganham motivos para criticar.

O grande, e talvez único, desprazer do filme está no roteiro. Metade da película serve apenas para delinear os personagens e fazer o público circular distante da trama. Uma hora gasta apenas para reconhecer a dupla principal, inserir e retirar personagens e esboçar a história, ou seja, uma hora de espera que é ocupada com ação gratuita e diálogos cômicos, mas sem suspense. Tempo que poderia ser reduzido por um roteiro inteligente ou que poderia ser usado para criar alguma tensão palpável. Alguns se satisfazem nessa delonga recheada de Hollywood, outros se chateiam. Talvez esse pequeno deslize esteja na troca da equipe de roteiristas do primeiro para o segundo filme. Na segunda metade da película, enfim, há uma busca, há suspense e aí as engrenagens se movem e a atenção do público é plenamente conquistada. O clímax e o final formam o ponto alto, não por o serem naturalmente, mas pela habilidade própria com que são construídos; daí porque o público tem saído satisfeito das salas de cinema em outros países, sem contar o mérito da arejada e engraçada química de Watson (Jude Law) e Holmes (Robert Downey Jr.), que persiste agradável graças às habilidades de seus atores.

Afora isso, Guy Ritchie ainda ocupa a direção e comanda a história com todo estilo. Junto de diretores como Zack Snyder, Michael Bay e Christopher Nolan, ele desenha a face do cinema hollywoodiano de nossa época. Em O Jogo de Sombras, Guy traz mais do mesmo visto no primeiro da série: lutas corpo a corpo filmadas numa mistura de velocidade normal e lenta, o  monólogo cínico de Sherlock no meio da luta, montagem ligeira que denota a esperteza de Holmes ou que simplesmente dá ritmo ao filme, tiros precedidos por imagens das engrenagens das armas, explosões em câmera lenta etc. Tudo isso ajudado pelo bom desempenho dos efeitos visuais e sonoros. Nada de novo, mas, ainda assim, é a direção estilizada e dinâmica que tem agradado aos espectadores.

Agora, aproveitando a época e falando sobre Oscar: a equipe responsável pela reconstrução história (figurinistas e diretores de arte, esses últimos indicados ao Oscar pelo filme anterior) é a mesma e trabalha com o mesmo esmero. Hans Zimmer, responsável pela trilha sonora, também volta aqui e faz soar novamente o tema de Holmes em meio ao seu conhecido estilo de cordas. Ele também foi indicado ao Oscar por seu trabalho no primeiro filme.

Com praticamente a mesma equipe, Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras se repete visualmente para o seu próprio bem e traz personagens novos que enriquecem a trama, como o vilão, bem interpretado por Jared Harris, que agora soa suficientemente digno de um embate direto com Holmes e o irmão de Sherlock, Mycroft, tipicamente inglês e sarcástico, também com uma boa interpretação de Stephen Fry. Mas a mudança dos roteiristas foi um sério problema.

—————————–
Sherlock Holmes: A Game of Shadows (EUA/Reino Unido, 2011). Ação. Warner Bros. Pictures.
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Repace, Stephen Fry, Jared Harris
Trailer

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Comentários via Facebook:

15 respostas para »CRÍTICA: Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras»
  1. Nossar comparar Nolan com Michael Bay e Zack Snyder é meio injusto não acha?….. Snyder e Bay só sabem fazer cenas de ação já Nolan faz isso e ainda consegue fazer um a climax de ÉPICO em quase todos os seus filmes!!

    Com relação ao filme eu esperava mais, e uma nota maior, ainda não vi então não posso falar nada!!!!

  2. Muito boa a crítica. ~ estou louca pra assistir no sab. *-*
    apesar de ter ganhado só 6 pipocas,ao ler,achei justo. (:

  3. então querem dizer que Gnomeu e Julieta e melhor

  4. Coorsoon = paga pau

  5. caique e o que uma coisa tem a ver com a outra?

  6. Caique, alguém gostou muito de um filme que você não gostou. Acontece, supere. Acredite ou não, a sua apreciação não é uma verdade absoluta e não obriga ninguém a concordar com ela.

  7. Não entedi esse paga pau AZOG!!!

  8. que crítica ridicula, nota 6 muito baixo, eu vi o filme conformaria com uma nota 8. affs que crítico sem espirito, Nolan e Michael Bay onde esse cara tava com a cabeça?

  9. Não gostei tanto, mas respeito. A ideia de que o filme deve ser feito pensando no perfil do público é extremamente válida do ponto de vista comercial mas, na minha opinião, deixa a desejar no artístico.

    O roteiro é muito fraco mesmo. Faltam boas relações de pista e recompensa. Concordo que a nova roupagem é ótima e encontrou seu lugar ao sol, mas o suspense é imprescindível em uma história de Sherlock Holmes – e acho que nisso o filme falha bastante. E besteiras como o presente que Holmes dá para Watson (conveniente demais) ou aquele traje camuflado do Holmes (óbvio que não funciona na prática e é inviável), por exemplo, são difíceis de engolir. E prefiro nem comentar a cena de Stephen Fry nu. Completamente desnecessária.

    Curiosamente, acho a primeira metade melhor que a segunda. A ação e os diálogos são melhores. Depois, desanda.

    Abraço

  10. Não entendi o que o fato de não gostar da nova roupagem tem a ver com o gosto popular, o crítico divide as coisas como se um Sherlock Holmes intelectualizado não tivesse o apelo de um outro mais fanfarrão e esperto; ambos são apelos diferentes e achar que o público só iria gostar do primeiro mostra quem é realmente o inocente aqui.

    Eu não concordo muito com o modo reducionista do personagem do Sherlock Holmes dos filmes do Guy, mas isso não significa que eu não ache o filme uma diversão de primeira, já que o que ele tira em profundidade na concepção dos personagens também adiciona em cenas de ação e no suspense em crescendo.

  11. Assisti hoje e gostei!! achei bem melhor que o 1º.
    O problema é que esse filme tem mt ação pra um sherlock, que devia ser mais quebra-cabeças,diálogos e etc…
    No mais, um bom filme.

  12. Aff,crítica estranha!Achei esse bem melhor que o primeiro,a trama é mais completa,a ação é na medida e Henrique,caso vc não tenha entendido,o inicil do filme pode ser mais morno,mas apresenta importancia dentro da história(como o Holmes fazer o cachorro voltar a vida,e Watson mais tarde usar do mesmo truque para ressusitar Sherlock,entre outras várias coisas).
    Ou seja,adorei o filme,melhor que o primeiro e final sensacional!!!

  13. obrigado pelo spoiler, Ingrid.

  14. já eu achei esse segundo bem melhor que o primeiro. Cenas de ação impecáveis mas também teve mistério e suspense no duelo de Sherlock contra Moriatry.
    Ótimo filme!

  15. Eu gostei do primeiro, mas esse supera, muito bom filme.

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