CRÍTICA: Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras

Ação
// 12/01/2012

O renovado detetive vitoriano volta às telas em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras para combater, junto a seu fiel amigo Doutor Watson, o arquiinimigo Professor Moriarty. Apostando mais em sequências de ação e menos numa trama, o filme ainda funciona, mesmo que dentro de certos limites de gosto pessoal — isto é, nem todos se satisfazem apenas com ação e comédia e precisam de um suspense para manter a atenção na tela.

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Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras
por Henrique Marino 

Há mentes inocentes que acusam a nova roupagem do detetive de ser muito distante do personagem literário; afinal, ele luta muito bem e sua inteligência é mais esperta (ou malandra) que intelectual. Acusação fundada numa crença de que a série Sherlock Holmes seja intelectualizada. Mas ela não é. A série literária apela para o gosto popular, e é exatamente isso que a adaptação faz: apela para o gosto popular… Da nova geração consumidora de cinema. Os livros funcionam bem apenas com suspense, mas um filme, que prezasse pela lógica industrial de Hollywood e que se valesse só de suspense, seria um fracasso — e chato, tanto para a plateia popular, que simplesmente dormiria sem umas boas cenas de ação, como para a plateia intelectual, que não veria objetivo além de diversão num joguinho astuto de suspense. Contudo, em O Jogo de Sombras, essas mentes inocentes ganham motivos para criticar.

O grande, e talvez único, desprazer do filme está no roteiro. Metade da película serve apenas para delinear os personagens e fazer o público circular distante da trama. Uma hora gasta apenas para reconhecer a dupla principal, inserir e retirar personagens e esboçar a história, ou seja, uma hora de espera que é ocupada com ação gratuita e diálogos cômicos, mas sem suspense. Tempo que poderia ser reduzido por um roteiro inteligente ou que poderia ser usado para criar alguma tensão palpável. Alguns se satisfazem nessa delonga recheada de Hollywood, outros se chateiam. Talvez esse pequeno deslize esteja na troca da equipe de roteiristas do primeiro para o segundo filme. Na segunda metade da película, enfim, há uma busca, há suspense e aí as engrenagens se movem e a atenção do público é plenamente conquistada. O clímax e o final formam o ponto alto, não por o serem naturalmente, mas pela habilidade própria com que são construídos; daí porque o público tem saído satisfeito das salas de cinema em outros países, sem contar o mérito da arejada e engraçada química de Watson (Jude Law) e Holmes (Robert Downey Jr.), que persiste agradável graças às habilidades de seus atores.

Afora isso, Guy Ritchie ainda ocupa a direção e comanda a história com todo estilo. Junto de diretores como Zack Snyder, Michael Bay e Christopher Nolan, ele desenha a face do cinema hollywoodiano de nossa época. Em O Jogo de Sombras, Guy traz mais do mesmo visto no primeiro da série: lutas corpo a corpo filmadas numa mistura de velocidade normal e lenta, o  monólogo cínico de Sherlock no meio da luta, montagem ligeira que denota a esperteza de Holmes ou que simplesmente dá ritmo ao filme, tiros precedidos por imagens das engrenagens das armas, explosões em câmera lenta etc. Tudo isso ajudado pelo bom desempenho dos efeitos visuais e sonoros. Nada de novo, mas, ainda assim, é a direção estilizada e dinâmica que tem agradado aos espectadores.

Agora, aproveitando a época e falando sobre Oscar: a equipe responsável pela reconstrução história (figurinistas e diretores de arte, esses últimos indicados ao Oscar pelo filme anterior) é a mesma e trabalha com o mesmo esmero. Hans Zimmer, responsável pela trilha sonora, também volta aqui e faz soar novamente o tema de Holmes em meio ao seu conhecido estilo de cordas. Ele também foi indicado ao Oscar por seu trabalho no primeiro filme.

Com praticamente a mesma equipe, Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras se repete visualmente para o seu próprio bem e traz personagens novos que enriquecem a trama, como o vilão, bem interpretado por Jared Harris, que agora soa suficientemente digno de um embate direto com Holmes e o irmão de Sherlock, Mycroft, tipicamente inglês e sarcástico, também com uma boa interpretação de Stephen Fry. Mas a mudança dos roteiristas foi um sério problema.

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Sherlock Holmes: A Game of Shadows (EUA/Reino Unido, 2011). Ação. Warner Bros. Pictures.
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Repace, Stephen Fry, Jared Harris
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Ação, Críticas