CRÍTICA | Shrek 2

Animações
// 07/07/2010
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Primeiro título a realmente ameaçar a hegemonia Disney/Pixar nas bilheterias mundiais, não era muito difícil adivinhar que, depois do estrondoso sucesso – e, principalmente, de uma gorda arrecadação -, Shrek (Shrek – 2001) ganharia uma continuação mergulhada nas melhores e mais entusiasmadas expectativas. A sequência da bem sucedida franquia da DreamWorks chegaria às telas três anos após o longa que lhe deu origem, e teve como diretor, assim como o primeiro filme, Andrew Adamson.

Depois de enfrentar a tirania de Lorde Farquaad, Shrek (Mike Myers no original e Bussunda na versão brasileira) finalmente conseguiu confessar seu amor a Fiona e se casou com sua princesa. No início do segundo filme, temos os dois recém-casados em plena lua-de-mel e um divertido clipe ao som de “Accidentally in Love”, interpretada pela banda americana Counting Crows, que mostra que os dois estão longe de serem considerados um casal tradicional. Essa condição torna-se um obstáculo principalmente depois que os dois voltam para o pântano e encontram à sua espera um convite do rei e da rainha – os pais de Fiona e sogros de Shrek. Contrariado, ele se deixa convencer pelo poder persuasivo da amada e eles partem, juntamente com Burro, para o reino de Tão Tão Distante.

O longo caminho, que teve ainda como fator dificultador um irritante Burro (a gente já chegou? A gente já chegou?), prova-se apenas o mais fácil dos obstáculos para o casal. Os pais de Fiona imaginavam que a filha havia se casado com o Príncipe Encantado e se transformado definitivamente em uma humana e, quando os dois chegam ao castelo, os reis tomam um choque ao constatar que ela na verdade escolheu permanecer ogra ao lado de seu marido. A péssima relação entre genro e sogro fica ainda pior por pressão da autoritária Fada Madrinha, que, através de uma obscura chantagem, exige do Rei Harold que ele a ajude a casar Fiona com seu filho, o Príncipe Encantado em pessoa. Paralelamente, Shrek acaba por constatar que está deslocado na vida de Fiona e não é o príncipe com que a mulher sonhou desde a juventude.

A sequência de Shrek mostra que a DreamWorks ainda tinha muito material a explorar na cultura pop em geral. Mesmo com a quantidade de clichês citados no primeiro filme, ainda sobraram muitas cartas na manga esperando para serem utilizadas mais tarde, com uma possível continuação – ou duas, ou três. Se no primeiro filme o Príncipe Encantado deu lugar a um ogro do pântano, em Shrek 2 ele está presente como um rapaz metrossexual e mimado que garante ótimas piadas. Outro personagem bastante popular dos contos de fada, a própria Fada Madrinha, ganha sua versão como uma senhora não tão boazinha como estamos acostumados, mas uma mulher manipuladora e disposta a qualquer coisa para satisfazer os caprichos de seu filho. Mas o grande destaque criado em Shrek 2 é, sem dúvida, o Gato de Botas. Originalmente dublado por Antonio Banderas, o personagem é uma versão felina do Zorro com direito a sotaque espanhol e um olhar capaz de derreter qualquer coração de pedra. Desnecessário dizer que ele rouba as melhores cenas do longa.

Além dos estereótipos já utilizados no primeiro filme, sua sequência encontra brechas para fazer referências a outros clássicos. Homem Aranha, Senhor dos Anéis, Missão: Impossível, Frankenstein e outras obras já muito conhecidas do público ajudam a construir o universo satírico que é o filme de Adamson.  O resto do mundo criado no primeiro Shrek está todo de volta. A trilha sonora animada, a presença constante de clichês de outros contos, as piadas que se atrevem a possuir pitadas de malícia e os personagens carismáticos que já haviam conquistado o sucesso da franquia permanecem e, juntamente com os novos elementos, ajudam a fazer de Shrek 2 uma das melhores sequências de filmes com que o espectador de todas as idades já foi presenteado.

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Shrek 2 (EUA, 2004). Animação. DreamWorks.
Direção: Andrew Adamson
Elenco: Mike Meyers, Cameron Diaz, Eddie Murphy

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