CRÍTICA: Shrek Para Sempre

Animações
// 08/07/2010

O ogro que conquistou milhões de fãs pelo mundo chega finalmente ao seu capítulo final. Shrek Para Sempre encerra as aventuras do monstro que mudou radicalmente a maneira de tratar o público das animações e inseriu uma pontada de sarcasmo, cultura pop e uma linguagem um pouco mais próxima do centro que divide os espectadores entre crianças e adultos.

Pode não ter chegado com a mesma graça e originalidade dos primeiros filmes até o seu final, mas certamente ainda carrega o mesmo carisma e algum gás para divertir por alguns minutos.

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Shrek para Sempre
por Gabriel Giraud

O queridinho ogro verde virou queridinho demais. Em Shrek Para Sempre, Shrek se cansa da sua rotina de família e busca uma maneira de viver um dia de ogro novamente. É então que ele encontra Rumpelstiltskin, um golpista que usa contratos leoninos para levar vantagens.

Shrek volta com uma justificativa artificial no seu quarto e – esperemos que – último filme da série (nesse mundo mercadológico, as histórias que parecem findas às vezes renascem das cinzas). O histórico de quão legal Shrek é varia de acordo com cada pessoa; no entanto, a opinião de que o terceiro filme não supera o segundo e muito menos o primeiro é quase consenso. A expectativa que se cria em torno do quarto é, desse modo, negativa.

Shrek atende algumas dessas nossas expectativas. Ele diverte, mas há aquela sensação de brinquedo velho, que não é mais tão divertido. Apesar das ótimas piadas, da trilha musical sempre ótima, da ação e da trama bem montada, há a questão da origem do enredo. O filme nasce de um “se” da história. E se Shrek não tivesse salvado Fiona? E se eles tivessem se conhecido de outra forma? E se… esse gatilho é extremamente artificial, ainda mais quando se usa um personagem totalmente alheio aos outros filmes como antagonista para dispará-lo. Rumpelstiltskin, o vilão, não tem tanto carisma quanto o Príncipe Encantado ou sua mãe, a Fada Madrinha, mas ele tem boas falas.

O papai ou a mamãe que for acompanhar seu filho na sessão muito provavelmente vai se sentir mais solidário aos problemas de Shrek do que o suposto público-alvo primário infantil. A rotina da vida em família, a perda de identidade própria, a nostalgia dos tempos de solteiro são sentimentos cruciais na formação da trama e pelas quais as crianças ainda não passaram. A suposta tentativa de manter a atenção dos adultos pode ter saído maior do que a encomenda.

Muitos podem reclamar, mas as piadas repetidas, como o olhar fofo do Gato de Botas e as dancinhas pop, são usadas num ritmo muito orgânico, sem parecer forçado – para a alegria de muitos fãs. Além disso, a sempre ótima trilha musical conta com nomes como The Carpenters e Scissor Sisters. Os personagens novos e os personagens com cara nova também compõem os pontos altos do filme. As bruxas, criaturas clássicas das histórias da carochinha, nunca tinham aparecido num filme do Shrek, só agora. Estavam radiantes. Merecidíssimo. Nenhum outro ogro existia além de Shrek e Fiona, também foi legal ver a, se podemos falar assim…, “diversidade étnica” dos ogros. E, para a versão dublada, temos até barraquinha de tapioca no filme. Falando em tapioca, o Biscoito ganhou uma roupagem bem… agressiva. Vale a pena conferir a criatividade para formar os mesmos personagens em um universo paralelo.

Se, por um lado, o mote original do filme não convence, o fim retoma um ciclo com o começo. Isso garante um último capítulo digno à dimensão da série. Ele é mais consistente do que Shrek Terceiro, mas não domina tanto o tempo narrativo, resguardando-se em poucos núcleos. Shrek para Sempre se mostrou, na verdade, um novo fim, um substituto a Terceiro,  para a trilogia que não estava vivendo o seu “felizes para sempre”.

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Shrek Forever After (EUA, 2010). Animação. DreamWorks Pictures / Paramount Pictures.
Direção: Mike Mitchell
Elenco: Mike Myers, Cameron Diaz e Eddie Murphy

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Animações, Críticas