CRÍTICA: Sim, Senhor

Comédia
// 29/01/2009

Jim Carrey volta às comédias, seu palco central. Depois de passar algum tempo tentando se firmar em todo tipo de gênero cinematográfico onde arrancava mais resultados artísticos do que bilheteria, o ator resolveu encabeçar Sim, Senhor, que estréia amanhã no Brasil. Mas há algo de novo neste filme em relação a suas últimas comédias? Confira na crítica.

Sim, Senhor
por Arthur Melo

Há certos tipos de comédias que exigem algum esforço para chegar até o fim da projeção. Muitas delas com o uso abusivo de piadas prontas ou situações de deplorável pastelão. Outras, no entanto, são espertas o suficiente para reconhecer o quanto são rasas e dirigem seu próprio foco para algo que não é a própria história. Para estas, existe Jim Carrey.

Acostumado com o tipo de filme que funciona como uma arena para as suas acrobacias faciais, Carrey faz de Sim, Senhor uma bela porção de “mais do mesmo”. Não fosse por suas comédias anteriores procedentes do mesmo estilo desta, como Todo Poderoso e O Mentiroso, o ator fatalmente estaria diante de um de seus melhores produtos. No que se refere à sua capacidade como ator, de fato está bem perto. Jim Carrey se aprimorou. Em meio a caras e bocas estampadas em expressões exageradas, sua marca registrada, o ator soube dar lugar para algum sentimento cuja profundidade, apesar de mínima, não era encontrada em seus longas anteriores do estilo. Uma exigência da trama minimalista.

Acomodado em suas respostas negativas para tudo e a todos que aparecem em sua vida, Carl Allen procura um programa de auto-ajuda cujo destino é dar sempre um “sim” a seja lá qual for a oportunidade que se materialize. A partir de então, Carl não pestaneja antes de aceitar qualquer proposta (e isto inclui as indecentes e indesejadas), não importa onde e quando. Os motivos são outros, os resultados são os mesmos. A relação e semelhança de Sim, Senhor com as estruturas das comédias anteriores de Jim Carrey são gritantes. À sua maneira, seu personagem está imerso numa vida regular linear, aparentemente imune a pormenores. Porém, após uma interferência sobrenatural, seu estilo de vida vira de ponta cabeça. Cabe às tramas, incondicionalmente, exibir um segundo momento em que todas as passagens anteriores a esta alteração se repetem, agora sob a influência desta modificação. É bem verdade que estas são as primeiras – e previsíveis – injeções de riso, que introduzem o futuro do personagem. Mas a maneira como é colocada, reavendo trabalhos anteriores, neutraliza a direção de Peyton Reed, que guia o longa roboticamente.

Mas Sim, Senhor tem seus bons momentos e acertos. Diferentemente de sua performance em O Fim dos Tempos, Zooey Deschanel dá o ponto a sua personagem. O caráter suave de sua Allison se encaixa perfeitamente com a segurança que a personagem passa para a Carl e suas reações em cena atingem uma ótima sincronia com as extravagâncias de Jim Carrey. Já Norman, personagem de Rhys Darby, é a inserção mais hilária da película, ao ser o anfitrião da festa à fantasia que se prova como uma das melhores cenas.

Sim, Senhor parece querer seguir um formato pré-estabelecido por Carrey. Uma comédia sem pretensão de passar qualquer sensação diferente dos soluços que seguem uma ou duas gargalhadas provocadas por uma imagem de choque hilariante. Mas que ao longo de seu desenrolar nada mais é do que um texto humorado cujo objetivo é enredar uma provação moral que busca alterar os costumes do personagem central.

Yes, Man (EUA, 2008). Comédia. Warner Bros. Pictures
Direção: Peyton Reed
Elenco: Jim Carrey, Zooey Deschanel.

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Comédia, Críticas