CRÍTICA | Sombras da Noite

Comédia
// 21/06/2012

Estreia neste fim de semana mais um filme de Tim Burton, diretor aclamado pela adolescência alternativa dos anos 2000, em parceria com Johnny Depp, astro usual dos filmes desse diretor e também aclamado pelos jovens corações. Desta vez, no entanto, o astro não aparece nos créditos apenas como ator, mas como produtor também. Sim, desde o ano passado, sua empresa, Infinitum Nihil, produziu Diário De Um Jornalista Bêbado, A Invenção De Hugo Cabret e, enfim, Sombras da Noite.

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Sombras da Noite
por Henrique Marino 

Sombras da Noite é a adaptação de uma série americana dos anos 1960. O Tim Burton daquela época era uma criança e provavelmente a série contribuiu para a formação deste que é um dos diretores mais famosos da atualidade. Se a sua homenagem está à altura, só os fãs daquele seriado poderão dizer. No entanto, adianta-se que, em vista das falhas no roteiro, talvez a homenagem tenha ficado aquém do esperado, mesmo apenas para os fãs das estrelas envolvidas na adaptação.

O filme se inicia com um prólogo sobre a vida de Barnabas Collins (Johnny Depp) passada no século XVIII. Aí são explicadas as noções básicas da trama, como a relação de Barnabas com Angelique (Eva Green, muito confortável no papel de bruxa lindíssima), que é o conflito motriz do filme, e o motivo de sua transformação em vampiro. O começo pode soar estranho, pois a publicidade tem enfiado na cabeça do público que a produção é uma comédia, ao passo que este prólogo não tem nada de engraçado. Ponto para o filme, que ganha por conta dessa abertura. Levado a sério, esse início dá o tom circunspecto e conservador do personagem principal, bem como o tom de algumas passagens propositadamente nada engraçadas do filme. Isso tudo reforça a contradição entre a seriedade de Barnabas e a liberalidade dos anos 1970, época em que ocorre a maior parte das ações do filme, o que dá causa a vários momentos engraçados.

Vencida essa primeira parte, somos introduzidos na família Collins dos anos 1970 por meio da chegada de Victoria Winters à mansão decadente deles (construída por Barnabas e seus pais). O motivo explícito de sua chegada é a oferta de emprego na mansão, mas os motivos implícitos serão esclarecidos ao longo da película, revelando a importância da personagem. Somos, então, apresentados aos Collins e seus agregados. Não convém apresentá-los aqui e, na verdade, o próprio filme trata mal essas personagens, fazendo confusão a todo instante sobre o grau de destaque deles e mal explicando suas motivações e eventuais revelações.

Afora essa deformidade muito feia, o roteiro até que funciona, embora não seja “bom”. Após a volta de Barnabas, a rivalidade entre os Collins e Angelique reacende. No momento, Angelique domina economicamente a cidade, o que instiga Barnabas a contra-atacar, revitalizando a mansão e os negócios de sua família e organizando uma festa para os citadinos; nessa festa, aliás, aparece Alice Cooper fazendo um show, o que dá margem a boas risadas. Aí se nota a obviedade do roteiro, embora ele force algumas subtramas mal executadas e até com finais injustificados, que só deixam a história desinteressantemente complexa.

Se Tim Burton não soube trabalhar tão bem o roteiro, é inquestionável sua habilidade para dirigir outros elementos constitutivos do filme, tais como a fotografia, a direção de arte e o figurino. Auxiliado por uma equipe brilhante, Tim Burton cria um visual gótico, obscuro e denso para o seu filme de vampiro. A mansão dos Collins é excentricamente gótica, assim como as roupas de Barnabas; a fotografia de Bruno Delbonnel faz jus a sua carreira, que tem sido muito elogiosa. Como de praxe, são esses os elementos que mais chamam a atenção no trabalho de Tim Burton.

Sombras da Noite, então, é visualmente bem criado, com um roteiro meio problemático. O filme pode ser uma comédia, e de fato tem momentos engraçados, mas não debanda de vez para o gênero. Inclusive, há momentos razoáveis de terror e de romance. É uma diversão, mas será que vale o preço do ingresso de cinema?

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Dark Shadows (EUA, 2012). Fantasia. Comédia. Warner Bros.
Direção: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Michelle Pfeiffer, Chloe Moretz

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Categorias
Comédia, Críticas, Fantasia