CRÍTICA | Star Trek: Sem Fronteiras

Ação
// 07/09/2016
star-trek-sem-fronteiras

Ícone da ficção científica, Star Trek se renovou e abrangeu um novo público com o lançamento, em 2009, do reboot de mesmo título que marcou o tom para uma nova era da franquia sem, em momento algum, ignorar suas raízes clássicas. A obra de J. J. Abrams ganhou uma continuação, Star Trek: Além da Escuridão, em 2013 pelas mãos do mesmo diretor e manteve sua qualidade em termos de narrativa em ação. Este ano o novo capítulo, Star Trek: Sem Fronteiras, chegou aos cinemas sob a direção de Justin Lin (franquia Velozes e Furiosos), que entrega cenas de ação intensas, mas que fica devendo no que diz respeito ao desenrolar da trama quando comparado ao que fez o cineasta anterior.

Não é à toa que J. J. Abrams é um queridinho no mundo da cultura pop, especialmente no que diz respeito a fantasia e ficção científica. A mente por trás de sucessos como a série Lost e filmes intrigantes a la Spielberg como Super 8 deu nova vida e estabeleceu um universo (em mais de um sentido) rico, diverso e muito interessante no imaginário de um público que vai muito além dos fãs fervorosos da criação de Gene Roddenberry. Deixando vaga a cadeira de diretor do terceiro Star Trek do século XXI para dirigir um tal de Star Wars, ele aqui ocupa o posto de produtor e passa o bastão para Justin Lin, dos últimos Velozes e Furiosos.

Neste novo filme, o capitão da U.S.S. Enterprise, James T. Kirk (Chris Pine), está comandando sua tripulação em uma jornada de cinco anos explorando o espaço; audaciosamente indo aonde ninguém esteve antes, sabe? A história começa quando ele tenta entregar a uma raça alienígena uma arma de uma espécie inimiga como sinal de paz, mas – é claro – as coisas não saem como o esperado. Após uma divertida cena de fuga, ele chega à estação espacial Yorktown com Spock (Zachary Quinto), Uhura (Zoe Saldana, um tanto apagada), McCoy (Karl Urban), Sulu (Jon Cho), Scotty (Simon Pegg, que também é responsável pelo roteiro), Checkov (Anton Yelchin, que deixará saudades) e companhia para reabastecer a nave. É aí que uma alienígena invade o espaço aéreo da base em busca de ajuda contra uma ameaça escondida em uma nebulosa. Indo ao resgate da tripulação da alienígena, o grupo sofre um ataque fatal. A Enterprise é destruída e boa parte dos personagens é sequestrada pelo vilão Krall (Idris Elba, capaz de atuar bem mesmo escondido sob muita maquiagem), que busca a tal arma que Kirk entregaria no início do longa. Com a equipe devidamente separada, pequenos núcleos dividem a cena até que todos voltem a se reunir para a batalha final contra o antagonista. É neste momento que somos apresentados a Jaylah (Sophia Boutella), cuja nave e tripulação também foram atacadas.

Daí pra frente, 1+1=2. Ainda que o roteiro seja divertido e bem elaborado, falta alguma coisa. Talvez o elemento da surpresa. Pegg, nerd de carteirinha e fã ferrenho da obra original, segue uma excelente fórmula, mas que já é facilmente reconhecida. Mais de uma vez, parece ter tirado inspiração diretamente dos filmes de 2009 e 2013. O arco do vilão é tão previsível que, apesar da fantástica atuação de Elba, torna-se mais um entre tantos. A história funcionaria melhor na literatura, com páginas e páginas para desenvolver mais a fundo ótimas ideias e personagens que acabaram por não receber o destaque necessário. A direção também não ajuda muito: se Lin entende de ação, deixa a desejar no drama. Empolga – e muito – com as frenéticas sequências de batalhas de naves espaciais, lutas e perseguições, mas parece não saber trabalhar com os icônicos personagens e competente elenco que tem disponível. A exceção de Kirk e Jaylah, fica a impressão de que todos aparecem bem pouco e nenhum se desenvolve muito.

Seria injusto, entretanto, não celebrar a altíssima qualidade dos efeitos visuais e a arrebatadora trilha sonora de Michael Giancchino, presente no reboot desde seu início. E por falar em trilha sonora, um dos pontos altos do filme é justamente mostrar, ao pé da letra, o poder da música (vale, sim, assistir ao longa em uma sala IMAX). Há ainda uma homenagem ao elenco clássico, especialmente Leonard Nimoy (o Spock original, falecido ano passado), que, apesar de simples, é de se aplaudir.

Entre altos e baixos, Star Trek: Sem Fronteiras cumpre seu papel: entretém, diverte. Pode não ser tão bom quanto seus dois antecessores, mas está longe de ser uma cicatriz na face da franquia e deixa espaço para o já anunciado quarto filme. Ao que tudo indica, as aventuras da tripulação da Enterprise terão uma vida longa e próspera.


Star Trek: Beyond (EUA, 2016). Ação. Aventura. Paramount Pictures.
Direção: Justin Lin
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, Jon Cho, Simon Pegg, Idris Elba, Sophia Boutella.


7-pipocas

Comentários via Facebook