CRÍTICA: Star Trek

Ação
// 06/05/2009

Estreia na próxima sexta-feira, nos cinemas do país e do mundo, o mais novo projeto do diretor J. J. Abrams: Star Trek. Como a série é famosa e possui inúmeros fãs pelo mundo, vale ressaltar que o décimo primeiro filme da franquia é uma ‘volta às origens’ que conta os fatores que levaram os tripulantes da nave USS Enterprise a ficarem juntos e o foco da produção é justamente o público que jamais se viu diante da saga. Assim, foi escalado para a tarefa de escrever sobre o longa o crítico Breno Ribeiro que, assim como grande parte do ‘novo público’, nunca acompanhou o original ou tinha a mínima idéia de seus personagens e história.

Star Trek
Por Breno Ribeiro

Na década de 60, auge da Guerra Fria e da corrida espacial, era criada por Gene Roddenberry a série de ficção científica Star Trek. Mais de 40 anos, 79 episódios (da série original) e 10 filmes lançados depois, o produtor e diretor J. J. Abrams traz às telas a mais nova aventura da nave Enterprise. Entretanto, no intuito de angariar mais espectadores para o longa, o produtor resolveu contar a história desde seu começo. Uma ideia que, desde o início, se mostrou acertada e, agora, muito bem realizada.

Abrindo com os eventos que guiaram o nascimento do futuro Capitão Kirk, Star Trek conta a história que teria guiado o rebelde Kirk, o aparentemente frio Spock e toda a tripulação da espaçonave Enterprise a realizarem sua primeira missão: salvar o planeta Terra das mãos vingativas do vilão Nero.

Grande parte do início do filme (tirando a eletrizante cena que precede o surgimento do título do longa em cena) baseia-se em construir uma personalidade única, mas profunda, para seus personagens. Assim, enquanto Kirk (Chris Pine) parece um rebelde sem causa ao longo de todo primeiro, os fatos envolvendo seu nascimento e a breve resistência para entrar no emprego que lhe foi proposto o fazem um personagem compreensível. Ao mesmo tempo, seu jeito debochado o torna um sujeito divertido, um dos muitos escapes cômicos do longa.

Entretanto, o personagem mais interessante é, sem dúvidas, o dividido Spock (Zachary Quinto). Ele se vê desde o começo da narrativa entre suas duas origens, a vulcano e a terráquea: enquanto esta lhe atribui características mais emocionais, aquela é mais racional e quase fria. Embora não tendo renegado de vez seus traços terrenos, Spock não se mostra muito passional ao longo do filme, mesmo que aqui e ali algumas expressões de Quinto sugiram uma leve queda da racionalidade. Dessa forma, é quase assustador assisti-lo tendendo totalmente para a passionalidade em certo momento da narrativa.

Depois de nos apresentar a quase todos os futuros tripulantes da USS Enterprise, o roteiro dá lugar a sua trama principal e, é claro, às cenas de ação. Por mais que a óbvia previsibilidade do final atrapalhe um envolvimento maior no que tange ao ‘perigo’ que os personagens enfrentam, as cenas de ação, aliadas à trilha forte de Michael Giachinno, tornam a segunda metade do longa um show a parte. Com efeitos excelentes e tomadas espaciais (e glaciais) elegantes, Abrams consegue ainda criar cenas de batalhas interessantes (ainda que utilize o fatigante efeito de slow-motion umas duas vezes). Ainda, é imprescindível valorizar o belo trabalho da direção de arte do projeto em criar uma Entreprise clean e ainda cenários externos e internos que marcam bem as diferenças entre humanos e vulcanos.

Mesmo com aquele tipo de citação ou piada que apenas os fãs da série entenderão (confesso não ter entendido muitas e só sei que elas existem graças aos risos da platéia que me acompanhava), Star Trek é um filme que possivelmente agradará tanto aos fãs quanto não-fãs dos originais, estes últimos capazes de compreender tudo que se passa sem necessariamente possuir base alguma. É provável ainda que este seja o primeiro de uma série de longas que virá. A contar pela qualidade de roteiro, direção e outros deste só podemos desejar uma coisa para a potencial franquia: vida longa e próspera.

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Star Trek (EUA, 2009). Ação, Ficção Científica. Paramount Pictures.
Direção: J.J.Abrams.
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Winona Ryder, Eric Bana, Leonard Nimoy e Simon Pegg.

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