CRÍTICA: Sucker Punch – Mundo Surreal

Ação
// 24/03/2011

Chega aos cinemas nacionais nesta sexta-feira Sucker Punch – Mundo Surreal. Com muita ação e extremo cuidado com o tratamento de imagens, Zack Snyder reafirma um estilo próprio (apesar de fácil), que apesar de não encantar a fundo, sustenta uma plateia sempre interessada na sua pancadaria.

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Sucker Punch – Mundo Surreal
por Eliézer Carneiro

Sucker Punch – Mundo Surreal é o primeiro roteiro totalmente original escrito por Zack Snyder. O diretor, depois de adaptar duas histórias em quadrinhos para o cinema, resolveu filmar um próprio, o que acaba sendo um fator decisivo para o resultado do filme.

Sucker Punch resgata o apuro visual e estilo vistos nas produções anteriores de Snyder, fato esse que é bom e ruim. Bom porque o diretor sempre tem um cuidado com a imagem, mas deixa um gosto requentado na boca uma vez que, depois de assistir aos filmes anteriores, Sucker Punch não traz nada muito diferente do que já fora apresentado por Snyder na parte visual, ao menos.

A história, apesar de estranha, parte de uma ideia interessante.  A trama é centrada em Babydoll, uma menina que acaba sendo confinada em um hospício por seu padrasto e está prestes a sofrer uma lobotomia. Nessa espera pelo médico que irá fazer o procedimento, ela acaba criando um novo mundo dentro da sua cabeça para fugir dos problemas da realidade. O interessante é que, nesse universo paralelo dentro da sua mente, um terceiro mundo, agora dentro de sua personagem, passa a existir.

Falando assim, parece complicado, e de fato é difícil entender a princípio. A solução que Zack Snyder encontra para essa questão é focar bastante em cenas de ação que se passam nesse terceiro mundo para tentar desviar a atenção dos buracos deixados no roteiro. No primeiro mundo, vemos a realidade. No segundo, estamos na mente de Babydoll, no qual sua personagem vive em um cabaré e se vê obrigada a fugir deste ambiente. E é quando entramos no terceiro universo, o da mente da tal personagem, no qual a mesma surge como heroína, que surgem as sequências mais corridas.

Se tem algo que pode ser bastante elogiado, são as cenas de pancadaria que percorrem todos os escapismos da personagem. Bem arquitetadas, as sequências acumulam os mais diferentes tipos de ação – desde luta com espadas até artilharia pesada e confronto corporal – o que mais empolga no filme.

Mas os problemas da história longo ganham proporções iguais à grandiosidade da ação. Além de ser um tanto complicada (não pelo fato de se desenvolver em vários planos, já que a ação se desenrola em vários niveis), não empolga, simplifica quando não deveria e não colabora em nada para qualquer desenvolvimento que um longa deve ter. O intuito sempre parece ser criar uma desculpa para as cenas de ação. Neste ponto, as batalhas enfraquecem ao precisarem contar com motivos fracos e sem nenhum sentido para sua inserção.

A grande falha de Sucker Punch é que a produção parece ter vergonha de ser o que ela realmente é : um filme de ação. Ao tentar mostrar que é algo além disso, se perde, larga o sentindo, força uma história que não existe de fato, finge ter uma reflexão que não há e até mesmo fica piegas na solução final. Isso sem mencionar a resposta mal elaborada para o alinhamento da personagem com a sua imaginadora no final.

Se o interesse for desligar a cabeça (e isso será preciso) e aproveitar espetáculos armados de computação gráfica, Sucker Punch preenche a lacuna. Mas se houver um mínimo interesse por um arco dentro de uma trama cinematográfica, que dirá profundo, melhor nem tentar.

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Sucker Punch (EUA, 2011). Ação. Warner Bros.
Direção: Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Vanessa Hudgens, Abbie Cornish.

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Ação, Críticas, Fantasia