CRÍTICA: Super 8

Aventura
// 11/08/2011

Com certo atraso, chega aos cinemas nacionais Super 8, nova aventura produzida por Steven Spielberg e dirigida por J.J. Abrams, o novo diretor do gosto imediato do público nerd. Com uma história própria usando os melhores elementos dos longas de aventura da década de 80, o filme entretém com segurança e nos lembra o que mais gostávamos de acompanhar nos bons anos da Sessão da Tarde.

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Super 8
por Arthur Melo

Criar um filme de aventura, hoje, parece ser mesmo difícil. Apesar de ser um estilo que ao se disposto de elementos interessantes ganha o espectador com uma facilidade maior, a fonte das ideias tem sido as histórias que já conquistaram a plateia anteriormente ou aquelas que o fizeram fora das telas. Assim, em meio a tantas continuações, remakes e adaptações, Super 8 se sobressai não só pela sua qualidade de produção, mas também pelo trunfo de ser uma história totalmente original, mesmo que não parta do zero para convencer as pessoas a pagarem pelo seu ingresso.

Seria mentira, portanto, dizermos que Super 8 não tem algum auxílio. Ter, tem. Afinal, é Steven Spielberg quem assina como produtor (o que pesa em um pôster) e J.J. Abrams conduz o longa (e a boa impressão causada pela telessérie Lost e pelo excelente Star Trek ainda está em atividade). E ao passo que só com isto se garante algum retorno em bilheteria, assegura um piso qualitativo. O que se comprova ao assistirmos ao produto final.

Na trama, um grupo de crianças vai até uma estação ferroviária para rodar um filme (capturado no formato Kodak Super 8 ) de terror; todos escondidos dos pais. Durante o processo, os meninos avistam um trem se aproximando e resolvem aproveitar o momento para intensificar o valor de produção. Mas a breve passagem do trem se transforma em um “acidente” colossal que liberta uma criatura em custódia do governo norte-americano. Agora, as crianças devem manter tudo em segredo para preservar suas vidas e de suas famílias, enquanto precisam se manter a salvos diante do caos instaurado na cidade.

A semelhança de Super 8 com outras produções é quase óbvia. E, aqui, vira um ponto positivo. Assim como o longa produzido em 2006 por Abrams, Cloverfield, o foco da narrativa são os personagens, não o monstro. Durante todo o desenvolvimento da história, as crianças e a cidade são jogadas à influência daquela criatura com quase nenhuma interação direta. E, á maneira de Cloverfield, explicações científicas são praticamente esquecidas. Porém, desta vez, a ciência é recebida apenas quando se torna extremamente necessário que o animal ganhe um traço psicológico – o único intuito da “análise técnica” de fato.

O sustento do filme, então, está no elenco infantil, apenas nele. Ao invés de contratar crianças prodígio do cinema, Abrams optou por desconhecidos e iniciantes; exceto por Elle Fanning (ótima). Para cada um foi dado um personagem delineado pelos próprios métodos de atuação, pelas linhas do roteiro e pelas suas funções na trama. A junção origina uma equipe formidável, fluente e extremamente divertida. Nisto se torna impossível não estabelecer uma comparação com Os Goonies. O instinto aventureiro está lá. As ocasiões propícias para isso também. Os personagens adoráveis, idem. Não há como não se afeiçoar à inocência do protagonista Joe Lamb (Joel Courtney), à falta de coragem de Martin e não torcer para o aspirante a diretor Charles (Riley Griffiths). Este, aliás, carrega consigo uma preocupação com a qualidade de seu filme muito maior do que a que é vista hoje em Hollywood; isso é notável no diálogo entre ele e Joe sobre a necessidade de desenvolver melhor o seu roteiro a partir das ideias que já tem.

Em se tratando da relação familiar, Super 8 sai ganhando por reduzir o que não funcionaria muito bem para a economia da aventura. A relação com os pais existe em mesmo grau para os centrais Joe e Alice (personagem de Fanning). Entretanto, a complexidade de seus diferentes problemas se ilustra e conclui com o desenrolar da trama principal, sem enxertos específicos prolongados para os dramas privados. Fornecendo a profundidade precisa para a criação de bons personagens sem desacelerar o ritmo do filme.

Mesmo tendo à mão poderosos efeitos visuais e excelentes ideias para sequências-ápice de aventura na cabeça (o descarrilamento do trem, primeira grande sequência do longa, é sensacional), J.J. Abrams prefere seus personagens. Por sua escolha, nasce um grupo de crianças com uma solidez poucas vezes vista em tela, mas certamente de fácil espelho fora dela. E, uma vez postas em uma boa história salpicada de pequenos mistérios que vão sendo desvendados pouco a pouco como pequenas explosões da trama, garantem o êxito de Super 8 como filme e como aventura que há bastante tempo não temos o prazer de ver.

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Super 8 (Eua, 2011). Aventura. Paramount Picutures.
Direção: J. J. Abrams
Elenco: Elle Fanning,  Joel Courtney, Riley Griffiths
Trailer

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