CRÍTICA: Surpresas do Amor

Comédia
// 22/01/2009

Filmes de Natal seguem sempre aquela fórmula manjada,já até comentada em uma das colunas aqui do Pipoca Combo. Mas apesar das influências da data de estréia original (mas que só chega amanhã nos cinemas brasileiros) de Surpresas do Amor, a comédia romântica atinge uma marca maior do que o esperado. Confira a crítica!

Surpresas do Amor
por Débora Silvestre

O nome em inglês (como normalmente acontece) é mais apropriado (4 Christmases). Mas a frase que surge logo de início, Everything but Home, seria algo do tipo: “qualquer coisa, menos casa”; e é exatamente o que pensam os personagens principais, a legalmente loira Reese Witherspoon e o que se esforça para ser engraçado, Vince Vaughn, sobre o Natal.

Frases do tipo “não existe família sem mentiras” compõem o pensamento do casal que quer se ver livre de um relacionamento de acordo com o mandamento “crescei e multiplicai-vos”, pois, há três anos juntos, eles são completamente contra filhos, casamento e comemorar o natal em família. Entretanto, o natal daquele ano preparou uma surpresa para o casal; devido a um nevoeiro, eles não conseguem embarcar para suas férias nas ilhas Fiji, e são obrigados a comemorar a data de quatro formas diferentes, e, assim, enfrentarem seus passados nada agradáveis em família, como a gordura e as tendências lésbicas dela durante a juventude.

De forma bem divertida e irônica, aquelas mentiras fazem o casal, ou melhor, a loirinha, repensar seus pontos de vista sobre o relacionamento; que, na verdade, quem vivia numa grande mentira, era o casal. Para eles, suas respectivas famílias eram loucas e insuportáveis, e eles dois que viviam de forma feliz e harmoniosa. Entretanto, aquele natal inesperado mostra que o relacionamento deles é, na realidade, insólito, inseguro, imaturo e incompreensível; que não há cumplicidade entre o casal e que eles não se conhecem de verdade, ao contrário dos casais de suas famílias. No meio dessas descobertas bombásticas, a irmã de Kate (personagem de Witherspoon) a questiona: “como se pode amar alguém até conhecê-la de verdade?”. E aí vem a dúvida que abalaria tudo: o casal bem sucedido e amoroso se amava tanto assim?

O enredo e a produção do filme poderiam explorar mais esses pontos e elevarem o filme de uma simples comédia romântica a um grande filme, mostrando o que são realmente surpresas do amor, ao invés de simplesmente colocarem o casal num “hiato” de 5 minutos e terminarem o filme com possibilidade de Surpresas do Amor 2.

Outro ponto é que, das quatro famílias, a única “normal” é a do pai de Kate, última a ser retratada. As outras três são compostas por lobas (mãe, irmã e tias de Kate), brutamontes (pai e irmãos de Brad ou Orlando), e a mãe de Brad que saiu de casa para morar com o melhor amigo do personagem, ou seja, uma diferença enorme de idade. O que faz pensar na família do pai de Kate como a mais normal é a de que assim é para simplesmente criar um clima de que, no fundo, família é sempre a mesma coisa, só muda de endereço e nome, e, no final das contas, o espírito natalino sempre harmoniza tudo. Aí o filme pode partir para o final, ou simplesmente faltou criatividade e dinheiro para a produção desenvolver mais alguns minutos de entretenimento para o espírito?

Surpresas do Amor, é como qualquer outra comédia romântica deve ser: divertida, bem humorada e alto astral. Mas não espere grandes cenas de romance e beijos bem demorados; pode ser porque, segundo correu o boato por Hollywood, o casal na vida real não se suporta. Além disso, família e comédia romântica é sempre a mesma coisa, só muda de nome!

4 Christmases (EUA, 2008). Comédia. PlayArte.
Direção: Seth Gordon
Elenco: Reese Witherspoon, Robert Duvall, Jon Favreau, Vince Vaughn.

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance