CRÍTICA: Tá Chovendo Hamburguer

Animações
// 30/09/2009

Tá Chovendo Hamburguer

O sucesso desta semana nos Estados Unidos estreará na próxima sexta-feira no Brasil. Tá Chovendo Hambúrguer, em 3D nas salas com o formato disponível, traz uma história enxuta, divertida e original, cuja única apelação visual é só o 3D. E isso já é um ótimo elogio.

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Tá Chovendo Hamburguer
por Arthur Melo

Depois que a febre de filmes em 3D se propagou, muitas animações passaram a se sustentar neste formato para atrair o público. De fato, o 3D colabora – e muito – quando se trata de longas-metragens que ainda não tem um público garantido antes da estréia. É o caso de praticamente todos os animados que não sejam frutos dos “criadores de Shrek e Madagascar” ou dos “produtores de Os Incríveis e Procurando Nemo”. O problema é que este tipo de diversão se tornou um atalho para histórias fracas cujo único apelo é o visual que salta para fora da tela – algo que, por mais super explorado que esteja sendo agora, ainda guarda um sabor de novidade.

Tá Chovendo Hambúrguer, animação da Sony Pictures que vem agradando nos EUA, não é lá um exemplo de enredo excepcional, mas ganha pela originalidade. Na aventura, um cientista desacreditado por suas invenções sem utilidade cria uma máquina revolucionária que transforma água em comida. Por um acidente, a máquina termina sendo lançada nos céus sem o menor controle, provocando uma tempestade de hambúrgueres que desencadeará uma série de refeições que irá alimentar toda a sua pequena cidade esquecida e falida, colocando-a em evidência ao redor do mundo.

Não há tanto interesse em desenvolver demais os personagens ou a história em si. Tá Chovendo Hambúrguer é despreocupado com qualquer fórmula de se fazer animação – e qualquer engloba as boas e ruins. Ele apenas segue o seu curso. As piadas para os mais velhos foram postas de lado, as faces cômicas e exageradas das figuras da aventura foram reduzidas a poucas passagens em tela. O roteiro está único exclusivamente preocupado em fazer chover comida e demonstrar toda a força das boas imagens e de um punhado de cenas de ação para segurar o público. De qualquer forma, para não dizer que menospreza os divertidos personagens que construiu, insere um pequeno conflito familiar e uma queda pelo romance premeditado.

Quanto ao 3D, este tem seus momentos. A utilização do formato se banaliza ao longo do filme. Se no início da projeção ele está presente tanto para dar profundidade à cena quanto para surpreender o espectador lançando pedaços de comida e pequenos objetos à frente, ele se transforma gradativamente em uma básica ferramenta de background à medida que as chuvas se tornam mais constantes. Contraditoriamente, isso poderia ser um ponto negativo, mas a retomada da força do 3D na segunda metade da animação reativa o elemento surpresa do filme e colabora para as espetaculares sequências do clímax.

A direção da dupla Chris Miller e Phil Lord chama atenção por sua discrição. Quando não há um verdadeiro buffet completo desabando dos céus (em partes da trama em que ela se volta para os pequenos conflitos familiares ou da própria cidade) a imagem procura deixar uma boa sobra de espaço ao redor do centro da ação, expondo com certa graça os moradores da cidade se aproveitando de maneiras mais absurdas da situação inusitada a que estão inseridos, mas sem exagerar na dose – divertido; aliados os momentos lúdicos ou de maior dramaticidade à boa trilha sonora Mark Mothersbaugh, atinge-se o tom certo.

Cloudy With a Chance of Meatballs (título original que pode ser traduzido como “Nublado com Possibilidades de Almôndegas” – mais coerente com o longa) é amistoso. Diverte sem exageros para gracejar os menores e sem se valer das piadas de cunho mais avançado para os acompanhantes (por mais válidas que sejam elas). Vale a ida ao cinema, desde que tão despretensiosa quanto o filme a que se está indo assistir. Mas, claro, preferindo o 3D.

nota_7Cloudy With a Chance of Meatballs (EUA, 2009). Animação. Aventura. Sony Pictures.
Direção: Chris Miller e Phil Lord.
Elenco: Bill Hader e Anna Faris.

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