CRÍTICA | The Maze Runner – Correr ou Morrer

Ação
// 17/09/2014

A mais nova franquia cinematográfica baseada em uma série de livros sobre um grupo de jovens colocado à prova em situações-limite não esconde o sabor da receita Lost + Jogos Vorazes, com um astuto tempero de O Senhor da Moscas. A ação no labirinto do título original em inglês é eletrizante, mas a trama “previsivelmente imprevisível” peca na gritante falta de originalidade.

The MazeRunner: Correr ou Morrer
Por Gabriel Costa

Lançado originalmente em outubro de 2009 – cerca de um ano após o primeiro livro da série Jogos Vorazes, diga-se, ainda que tenha sido escrito mais ou menos simultaneamente ao primeiro livro da séria de Suzanne Collins, e dois anos antes do primeiro livro da trilogia Divergente -, o livro The MazeRunner, de James Dashner, conta a história de um grupo de jovens, todos, a princípio, do sexo masculino, que vivem em uma enorme clareira cercada por colossais muros de pedra cinzenta. Esses muros dão passagem para um complexo labirinto que muda sua configuração todas as noites, quando as entradas são fechadas, impedindo que as criaturas mecânicas conhecidas como “verdugos” saiam para a clareira. Os jovens chegam à clareira um por mês, em um elevador, sem qualquer memória de sua vida anterior, exceto pelo primeiro nome que lembram alguns dias após chegarem.

Exceto pelas perigosíssimas incursões pelo labirinto em busca de pistas sobre o significado da coisa toda, ou quem sabe uma saída, a vida na Clareira é relativamente tranquila. Cada um tem sua função, e os clareanos, como chamam a si mesmos, vivem em relativa harmonia devido a três regras, logo explicadas ao mais recente habitante do local, Thomas (Dylan O’Brien, da série Teen Wolf) pelo líder do grupo, o sensato Alby, interpretado por AmlAmeen em uma das melhores atuações do filme. Tudo muda, contudo, logo em seguida, quando, pela primeira vez, o elevador traz uma garota, Teresa (a filha de mãe brasileira KayaScodelario, de Skins). Mais do que isso: a estrutura carrega também um bilhete dizendo que ela será a última pessoa a ser trazida. Para sempre.

A partir daí a trama avança com diversas reviravoltas, ainda que nenhuma delas seja realmente surpreendente, uma vez que são, de forma geral, ou baseadas na tradicional Jornada do Herói, na variação “novato em um grupo já estabelecido”, ou no acréscimo de novos elementos que parecem simplesmente extraídos de outros nichos da ficção científica ou até mesmo horror. O elenco, completado por Thomas Brodie-Sangster, o Jojen Reed de Game ofThrones, como Newt; Will Poulter, de As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, como Gally; Ki Hong Lee como Minho; Blake Cooper como Chuck; Dexter Darden como o cozinheiro Caçarola e Chris Sheffield como Bem, não compromete e tem seus bons momentos. Poucos deles, entretanto, são devidos ao casal de protagonistas, especialmente a Teresa de Scodelario, que aqui parece pouco mais que uma Kristen Stewartgenérica.

O diretor Wes Ball, em sua estreia em longa metragens, faz um bom trabalho de manter a ação instigante, enquanto o Labirinto é consistentemente impressionante em suas dimensões e estruturas. Já o enredo leva ao pé da letra a evidente influência de Lostaté na irritante tática de deixarbasicamente todas as respostas para um depois constantemente adiado. Em relação ao material literário original, a adaptação não é 100% fiel, mas mantém elementos mais do que suficientes para agradarem aos fãs dos livros. Resta saber se esse público será suficiente para sustentar o desenvolvimento posterior da franquia. A julgar pela performance internacional do filme, que só estreia nos Estados Unidos este fim de semana, a resposta parece ser um enfático “sim”.

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The Maze Runner (EUA, 2014) Ação/Ficção Científica/Thriller. 20th Century Fox.
Direção: Wes Ball
Elenco: Dylan O’Brien, KayaScodelario, Will Poulter, Ki Hong Lee, Thomas Brodie-Sangster

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