CRÍTICA: The Spirit

Ação
// 17/03/2009

Nesta sexta-feira chega ao Brasil, com algum atraso, por sinal, a adaptação de mais um quadrinho, The Spirit, dirigido pelo também quadrinista Frank Miller. Anteriormente apontado como possível obra de valor no cinema comuma trama originada de uma HQ, The Spirit ficou fadado ao esquecimento e ao fracasso em bilheterias devido às suas falhas. O que só veio a piorar com a estréia de Watchmen. Confira a crítica!

The Spirit – O Filme
Por Eliézer Carneiro

The Spirit – O Filme chega às telas brasileiras cercado de desconfianças. O longa, na verdade, faz parte da nova onda de Hollywood, que são as adaptações para o cinema de histórias em quadrinhos consagradas. Em meio à crise da falta de criatividade em Hollywood e suas sequências intermináveis, adaptar quadrinhos parece ter se tornado uma alternativa segura para os estúdios investirem o seu dinheiro. O problema dessas produções é que a maioria é feita a “toque de caixa”, em que nem todas conseguem manter a qualidade da trama original. A diferença entre as adaptações são enormes, todos querem o sucesso conquistado por Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas nem todos fazem por onde para merecer isso.

É complicado enquadrar The Spirit nesse cenário, principalmente porque o filme não se mostra como uma “adaptação” das aventuras vividas nos quadrinhos, já que o Spirit mostrado por Frank Miller no cinema não é o mesmo personagem criado por Will Eisner no papel diagramado.

The Spirit, originalmente criado Eisner para ser uma tirinha de jornal, conta a historia de Denny Colt, um detetive de polícia que é dado como morto por todos, mas que atua em segredo como um defensor da cidade. O outro grande personagem da HQ em questão é a própria cidade que o Spirit protege. O lugar é retratado como um mundo de sonhos e pesadelos, um espaço que toma vida a partir dos seus habitantes e, ao mesmo tempo, se torna um vício para eles – assim como para o Spirit, que necessita da cidade pra se sentir vivo. O lugar é mostrado de forma crua, com seus problemas, seus perigos e encantos (Will Eisner se baseou em Nova Iorque para compor essa “Cidade Viva”, que ele julgava conhecer muito bem pelo fato de ter morando em diferentes bairros dela durante sua infância).

Uma das grandes mudanças está no fato de a história ser voltada mais para a origem do Spirit e nos embates dele com o Octopus, seu maior inimigo. O clima de investigação e o trabalho como detetive foram deixados de lado, assim como o humor característico dos quadrinhos. Se o personagem de Will Eisner tinha um sensor de humor peculiar, o adaptado por Frank Miller não apresenta tal humor fino. Humor que no filme gira em torno das situações, e não dos personagens, deixando algumas cenas totalmente fora de contexto (normalmente as cenas envolvendo o vilão Octopus). Quanto às sequências de ação, estas evidenciam um outro problema, que é a dificuldade de situar a história em uma realidade, ora que estas cenas, nas quais o personagem às vezes dá inúmeros golpes no seu adversário ou utiliza algum objeto para acertá-lo, acontecem no melhor estilo cartoon. Uma controvérsia, já que outras passagens procuram passar a imagem de uma trama situada num mundo muito próximo do real.

Os buracos do filme, infelizmente, não estão só na adaptação dos quadrinhos. O fato de não seguir a risca o que está nas HQ’s não o impediria de ser um filme agradável ao grande público (a exemplo de Constatine, cuja história do longa fugia completamente da dos quadrinhos, mas realizando um bom filme que agradou à maioria). O maior erro de The Spirit passa pela direção que foi dada a Frank Miller, famoso escritor e desenhista de quadrinhos. Às vezes parece que Miller está perdido no papel de diretor, pois não consegue extrair muito dos atores. E o seu trunfo, que seria a questão visual, não difere muito do que já foi visto em Sin City e 300. Algumas cenas simplesmente não fazem o menor sentido, sendo totalmente descartáveis, culminando numa que talvez seja uma das cenas mais ridículas, fora de contexto e revoltantes já apresentadas ultimamente. Como um todo, o Spirit está lá. O Octopus, as belas mulheres (Eva Mendez e Scarlett Johansson) que povoam o universo do herói também estão no filme. Mas, mesmo assim, o longa dá aquele gostinho de que faltou muito para um bom resultado, mais ainda para ser uma adaptação à altura de seu original. E o seu fracasso na bilheteria americana pode ficar de lição aos grandes estúdios na próxima vez em que tentarem empurrar qualquer coisa, não só para os fãs de quadrinhos, como para o público em geral.

The Spirit (EUA, 2009). Ação. Sony Pictures.
Direção: Frank Miller.
Elenco: Gabriel Macht, Eva Mendes, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson.

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