CRÍTICA | Thor: O Mundo Sombrio

Ação
// 02/11/2013

Como um alívio, Thor: O Mundo Sombrio vem para deixar claro que Homem de Ferro 3 foi só um tropeço da Marvel Studios na criação dos filmes pós-Vingadores para seus heróis. Com ação espetacular e qualidade técnica absolutamente melhor do que o do primeiro filme (e, talvez, até mais critiva do que de Os Vingadores), a nova empreitada do filho de Asgard coloca o primeiro filme no bolso.

Thor: O Mundo Sombrio
por Arthur Melo

É notória a evolução na produção do time de heróis d’Os Vingadores em seus filmes solos após o longa da equipe da S.H.I.E.L.D. Mas se em Homem de Ferro 3 víamos apenas um crescimento no caráter técnico e um péssimo desenvolvimento narrativo, Thor: O Mundo Sombrio chega para dar um exemplo bem claro de como uma trama pode dar continuidade aos acontecimentos de Os Vingadores de maneira isolada e ainda assim permanecer coerente – e interessante.

Thor, o primeiro filme, é fraco. Com a direção cheia de maneirismos de Keneth Branagh e uma história bastante simples, o longa trazia todos os elementos-chave precursores da batalha de Nova Iorque de Os Vingadores. Mas, no que se referia ao sustento próprio como um filme independente dos demais, fora bastante inexpressivo. Carência mais do que suprida em O Mundo Sombrio. No segundo filme, não só os fatos têm mais importância à narrativa isolada do príncipe de Asgard, como ainda contribuem de maneira promissora para a próxima união dos heróis no cinema.

No longa, uma poderosa força chamada Éter é o foco da luta entre os habitantes de Asgard e os elfos negros, liderados pelo vilão Malekith, que se aproveitará do alinhamento dos nove universos, que acontece a cada 5 mil anos, para estender seu domínio – o que inclui instaurar sua vingança sobre Asgard. Cabe a Thor precisar confiar em Loki para contar com sua ajuda e neutralizar Malekith.

A premissa não é das mais originais. Como toda história de super-herói, o vilão sempre está atrás de uma fonte de energia que potencialize a sua força e o torne soberano, cabendo ao protagonista destruir tal fonte antes que ela seja absorvida por quem não deve. Mas os ganhos de Thor: O Mundo Sombrio não foram pensados para acontecerem nesse quesito. Ao contrário do que ocorre com Homem de Ferro 3, em Thor 2, ambos os primeiros filmes de cada herói após Os Vingadores, estabelece uma relação com os fatos de Nova Iorque, exercendo alguma influência nos personagens e em seus status. Ainda, é evidente que a luta travada em Asgard está separada dos motivos daquela que ocorreu na Terra. Isso, somado ao fato de que a batalha acontece, afinal, em um outro plano universal, mais do que justifica a não necessidade de interferência dos demais heróis da S.H.I.E.L.D; sem mencionar a velocidade que o enredo dá à ação na tela, excluindo também a possibilidade do ingresso de outros personagens (em Homem de Ferro 3 a problemática se desenvolveu por semanas, o que implica na pergunta “por que os demais heróis não ajudaram?”).

Um ponto bastante favorável à apreciação de O Mundo Sombrio é a sua postura de não deturpar os personagens centrais. Thor está visivelmente mais ciente de sua função tanto em Asgard quanto na Terra, mantendo a evolução linear do personagem, sem tantas ramificações que poderiam deixá-lo confuso para o espectador. Jane Foster se vê mergulhada na ciência (ou magia) que se põe a estudar e até Loki assume um importantíssimo papel na trama, ainda que mudando de posição, mas sem modificar a sua nuance de vilão, o que é um tremendo acerto da elaboração do roteiro.

O roteiro, aliás, dá boas entregas no que concerne à ação. A pancadaria em Thor 2 é de um raciocínio melhor e de uma elaboração idem. O salto da qualidade dos efeitos visuais nas sequências de luta corporal e criação de cenários é gritante – vide o duelo entre Thor e Malekith percorrendo diferentes universos no clímax, demonstrando o quão poderoso é um bom planejamento de como uma cena de luta deve ser. O embalo estético se dá pela fotografia que, apesar de oscilante e artificial, utiliza dos tons certos em sua paleta de cores para a diferenciação dos palcos percorridos pelos protagonistas, o que é bastante proveitoso, e evidenciar os desenhos da Direção de Arte elogiável.

Thor: O Mundo Sombrio retira a validade da máxima de que nenhum filme solo dos heróis da S.H.I.E.L.D. tem coerência depois de Os Vingadores, visto que, em um universo verossímil, os outros heróis poderiam muito bem ir ao encontro do outro para dar um fim a qualquer que seja a ameaça de forma rápida e menos dolorida. Aqui, não só a trama estabelece uma importante ponte entre o primeiro e o próximo longa do time da Marvel, como também evidencia o valor de Thor como personagem em um contexto próprio, o que dá muito mais significado à sua importância em um contexto coletivo. Resta saber se Capitão América: O SoldadoInvernal, cuja ação se passa na Terra, terá competência suficiente para se manter coerente com o que já fomos expostos na tela.

 

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Thor: The Dark World (EUA, 2013). Ação. Marvel Studios.
Direção: Alan Taylor
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston

 

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