CRÍTICA | Toy Story 2

Animações
// 15/06/2010
toy-story-2

Inicialmente planejado por sua produtora, a Pixar, para ser lançado diretamente em vídeo, Toy Story 2 chegou às grandes telas de todo o mundo cercado de expectativas. O resultado de todo o trabalho do diretor John Lasseter e equipe possuía um potencial comercial enorme, e era bom demais para ficar restrito às gavetas das crianças. À época de seu lançamento, em 1999, a empresa já havia emplacado Vida de Inseto, outro grande sucesso, e tinha – na vontade de se superar sempre – impulso suficiente para produzir uma continuação tão boa quanto o original.

Nesse sentido, Toy Story 2 apresentava uma série de melhorias gráficas. O período de quatro anos desde o início da série foi mais que suficiente para que a produção fosse capaz de conferir mais precisão e qualidade aos sombreamentos e texturas dos cenários, bem como dos personagens humanos – na sequência, eles estão menos robóticos e mais, bem, “humanos”. Além disso, neste mesmo intervalo, foram criados novos brinquedos, alguns deles fundamentais no decorrer da história, que começa quando Andy vai para um acampamento de verão pouco tempo após o fim de Toy Story.

Sua mãe decide organizar uma garage sale (uma espécie tipicamente norte-americana de brechó) e lá coloca à venda brinquedos com os quais o garoto não mais brincava. Dentre eles, Wheezy, um pinguim mudo por problemas em seu apito. A temática da amizade mais uma vez é colocada em primeiro plano: o boneco-herói Woody (Tom Hanks) parte para tentar resgatar o amigo. O problema – que desenvolve toda a trama – é que o caubói acaba roubado por Al, um colecionador de brinquedos que faz as vezes de vilão.

É no sequestro de Woody que se dá a inversão da trama com relação ao primeiro filme. Desta vez, ele não é acusado pelos outros brinquedos. Ao contrário: são esses mesmos brinquedos que, liderados por Buzz Lightyear (Tim Allen), partem para salvar o xerife das mãos do vilão. Assim, boas doses de aventura e comicidade são novamente garantidas por Rex, Porquinho, Slinky e o Sr. Cabeça de Batata.

Novos personagens também são adicionados à história: na casa de Al, Woody conhece outros personagens do show de TV que lhe deu origem, como a cowgirl Jessie (Joan Cusack), com quem ele se identifica imediatamente; seu fiel cavalo Bala no Alvo e o velho Mineiro. Nesse momento, o xerife descobre ser um exemplar raríssimo, que será vendido por largas quantias de dinheiro a um museu no Japão, e passa a ter uma diferente perspectiva acerca de sua própria situação: por um lado, Andy está crescendo e tende a se importar cada vez menos com seus brinquedos; por outro, ele finalmente resgatou os holofotes como o personagem preferido de alguém, além de ter encontrado aqueles que poderiam vir a constituir, com ele, uma nova família. Conflito interno semelhante é visto quando Buzz encontra o Imperador Zurg, seu mortal inimigo, que guarda um segredo. Em sequências repletas de influências pop (a principal delas relacionada ao clássico Guerra nas Estrelas) e de ótimas canções como “Quando Eu Era Amada” (“When She Loved Me”, no original em inglês), as reflexões dos personagens dão contornos ainda mais nítidos a suas personalidades e à carga emotiva que elas carregam, reforçando uma importante qualidade do primeiro filme.

O desenrolar desse emaranhado de situações se dá de forma simples, clara e sem deixar pontas sobrando. Toy Story 2 é uma obra-prima e, embora pareça querer adicionar sempre mais e mais a uma história que se sustentava por si só, consegue despertar com a mesma excelência de sua prequência um sentimento de nostalgia no público adulto, sem deixar de abarcar – de modo leve e divertido – valores como a lealdade, sempre importantes para as crianças. E, como visto, essenciais também para os brinquedos.

——————————

Toy Story 2 (EUA, 1999). Animação. Walt Disney Pictures.
Direção: John Lasseter
Elenco: Tom Hanks e Tim Allen.

Comentários via Facebook