CRÍTICA | Toy Story

Animações
// 15/06/2010
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Boa parte do público que hoje frequenta o cinema com relativa assiduidade pôde acompanhar, quinze anos atrás, o estrondoso sucesso causado pelo primeiro longa-metragem da Pixar – empresa que, posteriormente, dominaria o mundo dos filmes em animação. Muitos, ainda crianças, se surpreenderam quando o planeta foi apresentado ao boneco Woody (voz de Tom Hanks, no original) e seus amigos, todos eles brinquedos com vida própria. Os que já eram mais crescidinhos e compareceram às sessões com a missão exclusiva de levar essas crianças ao cinema acabaram por se surpreender tanto quanto elas: Toy Story mostrava ser, sob os mais diversos aspectos, um importante marco do cinema moderno.

A trama tem início às vésperas do aniversário de Andy (John Morris), um menino de oito anos aficionado por brinquedos. O caubói Woody, seu boneco favorito, é o único dentre esses vários brinquedos que não teme ser “trocado” pelos presentes que ele viria a ganhar em sua festa. Tamanha segurança, no entanto, é abalada quando o garoto é presenteado com o equipado, eletrônico e moderno Buzz Lightyear (Tim Allen), que desperta admiração em todos os brinquedos e uma mistura de ciúme e inveja em Woody, que, se comparado a ele, não passa de um boneco de pano ultrapassado.

Deixado em segundo plano, o antigo líder dos brinquedos resolve enganar Buzz e atirá-lo em um vão entre a parede e um móvel para que Andy não mais o encontre e, assim, tudo volte à normalidade. Seu plano, no entanto, falha e Buzz acaba jogado pela janela. Woody é acusado pelos outros brinquedos de ter tentado se livrar do boneco espacial e, então, parte em uma busca desenfreada para recuperar Buzz, a confiança dos amigos e o posto de favorito de Andy. Tudo isso antes que o garoto se mude de casa, o que acontecerá muito em breve.

Daí em diante, Toy Story só acerta. O clima de aventura não cessa. As cenas rápidas, como a perseguição ao caminhão de mudança, são vistas em sequência a momentos de pura tensão, como aqueles envolvendo o macabro Sid, um garoto vizinho de Andy que “tortura” brinquedos. Há, ainda, uma ótima trilha sonora, que se encaixa perfeitamente a essa alternância de situações (“Amigo Estou Aqui”, uma das músicas que embalam o filme, foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original) e excelentes participações dos brinquedos coadjuvantes – o tiranossauro Rex, o impaciente Sr. Cabeça de Batata, o cachorro-mola Slinky, o cofre Porquinho, a boneca Betty e os carismáticos ETs de três olhos – que asseguram boas risadas e tiradas muito bem colocadas.

Por apresentar tantas qualidades e imperceptíveis defeitos, Toy Story configurou-se como o pontapé inicial não só para suas duas sequências, mas para todo um culto a animações em computação gráfica. Woody e Buzz, uma das mais interessantes e dinâmicas duplas do cinema recente, tornam ainda mais significativo o maior dos méritos de Toy Story: conseguir transformar em realidade o desejo que toda criança possui de ver brinquedos ganharem vida, sem deixar de ser convincente também para o público adulto (tanto aquele, de 1995, quanto o atual, formado pelas crianças daquela época).

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Toy Story (EUA, 1995). Animação. Walt Disney Pictures.
Direção: John Lasseter
Elenco: Tom Hanks e Tim Allen.

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