CRÍTICA: Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados (II)

Ação
// 23/06/2009

A nova produção da saga chegou às telas brasileiras nesta terça-feira. Mais barulhenta e longa que o primeiro volume, pode ser considerada um verdadeiro teste de paciência para o público. Leia a crítica na íntegra para compreender os motivos. Confira a crítica clicando em

Transformers – A Vingança dos Derrotados
Por Henrique Chirichella

A abordagem megalomaníaca é uma constante da indústria cinematográfica hollywoodiana. Tal fato acaba por ditar as regras e origina, justamente, os chamados blockbusters. Em tempos de férias, as atenções desdobram-se em função das produções as quais têm a intenção de causar um impacto visual e sonoro. Afinal, o público se interessa pelo surrealismo, ou irrealismo, que o cinema propõe por transcender os limites da nossa imaginação. Entretanto, em Transformers – A Vingança dos Derrotados, tudo acaba se convergindo para uma imensa desordem não só contextual como, principalmente, audiovisual. O resultado? Um longo exercício de paciência.

Atualmente, há uma incessante discussão entre a técnica sobrepor à dramaticidade e o roteiro. Ela se justifica mais uma vez, óbvio. A trama de Transformers – A Vingança dos Derrotados é apenas um pretexto para o desenvolvimento de explosões, combates, roldanas e mecanismos. Nela, acompanhamos a entrada de Sam Witwicky (Shia LaBeouf) na faculdade, enquanto enfreta o afastamento da namorada Mikaela (Megan Fox), dos pais e de seu robô protetor Bumblebee. Em paralelo, uma divisão do governo chamada NEST mantém um acordo militar com os Autobots, tentando exterminar os Deceptions que restaram no planeta. Entretanto, a ressureição de Megatron, líder da facção vilã, e o interesse pela energia do globo despertará um novo combate entre máquinas e também humanos. Um combate excessivamente maçante, diga-se de passagem.

Assim como no primeiro volume, algumas poucas sequências – em plano geral – impressionam pelo alto apuro técnico. Todavia, a repetição contribui para tornar o processo em algo bastante modorrento.  A direção de Michael Bay engana o espectador ao exagerar em closes e movimentos bruscos em uma tentativa de disfarçar supostas falhas. Revela-se uma alternativa, porém recai na já afirmada desordem audiovisual. É normal o espectador se perguntar o que está acontecendo em cena ao assistir à massiva presença de peças mecânicas em choque, faíscas, explosões, mistura de cores, luzes. A experiência pode até se tornar desconfortável aos menos exigentes exigentes, enfrentando o limite de tolerância dos mesmos.

É instigante averiguar que o alívio cômico, mesmo que pastelão, acaba por se revelar mais interessante que as próprias sequências de ação graças ao suporte de um elenco carismático. Shia LaBeouf, apesar de repetir o papel do nerd em apuros em diversos filmes, convence e cumpre seus deveres de herói desastrado. Já Megan Fox e a sua beleza reprensentam bem a função de moça sensual e corajosa. O divertido elenco secundário, porém, é o maior responsável por arrancar risos da plateia. E, de certa forma, uma observação curiosa a ser feita é que a relação entre os humanos é muito mais interessante e divertida do que o embate entre as máquinas. Infelizmente, este último acaba por refletir quase noventa por cento do tempo de projeção.

Aliás, a vertente de cineastas publicitários defende que um bom diretor e roteirista são capazes de transmitir certa idéia em menor tempo possível. Em Transformers – A Vingança dos Derrotados, Michael Bay abusa da tolerância e paciência dos espectadores por durante quase 150 minutos para transmitir, basicamente, nada. É uma repetição do primeiro filme, só que mais longa, mais barulhenta e mais desorganizada. Não me surpreenderá, logo, que os fãs da saga fiquem satisfeitos; e acredito em tal fato. Seria, então, uma produção destinada a um público mais restrito?

Steven Spielberg, produtor executivo do longa-metragem, afirmou em uma entrevista que Transformers – A Vingança dos Derrotados era um dos melhores filmes do ano. Fica a pergunta se o importante cineasta estava apenas tentando promover a produção e o seu colega Michael Bay ou se ele, realmente, está ficando senil. O fato é que a megalomania generalizada parece estar cansando o público e a crítica especializada. Bay, recentemente, se mostrou indignado com a negativa recepção da produção e fez questão de dizer que não está mais cogitando realizar um terceiro filme. Sinceramente? Apesar de achar que a ganância irá imperar mais uma vez, torço para que ele tenha dito a verdade, afinal este segundo teste de tolerência e paciência já se revelou mais do que suficiente.

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Transformers: Revenge of the Fallen (EUA 2009) Ação. Paramount Pictures
Direção : Michael Bay
Elenco: Shia Labeouf, Megan Fox, Isabel Lucas, Josh Duhamel

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