CRÍTICA: Tron – O Legado

Ação
// 16/12/2010

Em três anos a Walt Disney Pictures conseguiu resgatar um “clássico” esquecido (e por muitos desconhecido) e transformá-lo em uma das maiores sensações do mercado como um todo. Ainda longe de sua estreia, Tron: O Legado já tinha conquistado a atenção como um dos maiores lançamentos de 2010 graças ao seu visual cheio de neon e elementos translúcidos que se transformaram em inúmeros produtos para ajudar na divulgação de um filme que, agora, é uma poderosa marca do estúdio para os meninos. Claro que, visto sob uma lente comercial,  uma história tão boa assim pra se contar não é lá o maior alvo das preocupações. O que importa mesmo é vender.

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Tron: O Legado
por Leandro Melo

Tron: O Legado estreia em escala mundial 28 anos após o seu original. Tratado como uma continuação, a obra de 2010 tem a pretensão de atualizar o visual e criar uma nova leva de seguidores. Se o filme em questão é capaz de tal feito? Bem, isto é questionável.

Visualmente, a película tem uma qualidade ímpar. A complexidade arquitetônica do sombrio mundo virtual, aliado ao neon que permeia praticamente todas as cenas (seja nos cenários ou figurinos) são capazes de criar um efeito quase catártico. A profundidade de campo alcançada ao 3D acrescenta uma aproximação extremamente empolgante, conquistando facilmente o espectador. Se há algo no que o filme pode ser elogiado, é de sua direção de arte em total sincronia com a fotografia.

Em um filme tão focado nos efeitos especiais, onde a mise-en-scène é praticamente em sua totalidade realizada na pós-produção, o elenco seria o pilar responsável pela identificação com o público. Dada a devida importância, aqui se encontra um dos grandes defeitos da película. Garrett Hedlund se esforça tanto para parecer cool que acaba transformando as cenas em que o Sam Flynn aparece em um grande marketing de si mesmo. Não há praticamente uma cena em que não esteja fazendo pose ou uma expressão corporal e/ou facial que remeta a um desfile de moda. Cabe a Jeff Bridges e Olivia Wilde, respectivamente como Kevin Flynn/Clu e Quorra, serem os coadjuvantes que entregam – ao menos – uma atuação correta. Atenção especial para a rápida aparição de Michael Sheen, que introduz uma das melhores cenas do longa.

Se existe um elemento que justificaria a feitura de Tron:O Legado, com certeza seria a sua trilha sonora. Todas as cenas parecem ter sido coreografadas para se encaixarem nas músicas compostas pela dupla francesa de música eletrônica Daft Punk. Não à toa, a trilha é um dos principais produtos no marketing do filme. A dupla, inclusive, realiza uma participação extremamente bem executada, chegando a confundir o que é diegese ou não.

Joseph Kosinski estreia a carreira cinematográfica reforçando o estereótipo de diretor advindo da publicidade. Sendo bem sucedido nas propagandas em que os efeitos digitais são necessários, processa um trabalho exemplar em Tron:O Legado neste quesito. Por inexperiência e por tiques de sua carreira predecessora, acaba por realizar uma obra que soa o tempo todo como um grande trailer, se esforçando o tempo todo para entregar cenas de tirar o fôlego visualmente, mas esquecendo de outras características que fariam de seu primeiro filme um grande exemplar da ficção científica.

Tron:O Legado criou uma expectativa em fazer justiça com o original que – por muitos – é considerado subestimado. O mais óbvio que se poderia afirmar, no entanto, é que será lembrado como uma homenagem, com um visual tão embasbacante quanto o anterior, cada qual referente à época em que ambos foram produzidos. A diferença é que o mais recente não corre nenhum risco de virar cult como o Tron que o deu origem.

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Tron: Legacy (EUA, 2010). Ação. Ficção Científica. Walt Disney Pictures.
Direção: Joseph Kosinski
Elenco: Jeff Bridges, John Hurt, Olivia Wilde, Garret Hedlund
Trailer

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