CRÍTICA | Truque de Mestre: O 2º Ato

Críticas
// 09/06/2016

Após um primeiro ato eletrizante, Truque de Mestre 2 tenta flertar com o interesse do público pelo que acontece atrás das cortinas, sem perder o glamour dos holofotes. Como resultado, acaba se perdendo um pouco e decepcionando, em comparação ao ato anterior, porém continua sendo uma boa escolha para diversão descompromissada.

É argumentável que toda obra cinematográfica tem uma grande parcela de magia e ilusionismo envolvida, tanto na narrativa — ao convencer o público a crer na história —, quanto na metalinguagem — ao fazê-lo esquecer de si mesmo e de sua própria realidade, submergindo na tela. No entanto, existem filmes que dialogam ainda mais diretamente com a arte do ilusionismo, como o novo Truque de Mestre: O 2º Ato.

Os Quatro Cavaleiros foram forçados à escuridão, após cumprirem as tarefas que o Olho havia lhes enviado, como teste. Com uma nova formação, agora deixam de ser testados e são obrigados a lidar com um verdadeiro vilão, que busca aproveitar suas habilidades para roubar um chip eletrônico capaz de invadir qualquer sistema e acabar com a privacidade no mundo inteiro.

A nova composição do elenco tem dois pontos muito positivos e dois pontos muito negativos. Por um lado, a substituição de Isla Fisher (Arrested Development) por Lizzy Caplan (Meninas Malvadas) serviu como um perfeito contraponto cômico e irreverente à personalidade expansiva e controladora de Jesse Eisenberg, líder voluntário dos Quatro Cavaleiros. Um fato interessante é que a personagem de Lizzy se chama Lula, mas foi adaptada no Brasil para Lola, tentando evitar qualquer conexão com o ex-presidente — o que acaba falhando, dada a impossibilidade de mudar a trilha de áudio original. Igualmente positiva é a introdução do irmão gêmeo do personagem de Woody Harrelson, que lhe dá ainda mais espaço para extravasar seu lado humorístico em sequências verdadeiramente engraçadas.

Por outro lado, o retorno de um ator de peso como Michael Caine para uma participação apagada de um personagem fracamente desenvolvido levanta a famosa questão: por quê? Justamente, a explicação de sua continuidade na história é frágil a ponto de depreciar o roteiro de Ed Solomon — que também escreveu a prequência. Morgan Freeman também voltou, porém de uma maneira totalmente justificada, como elemento central da história do personagem de Mark Ruffalo; contudo, nenhum dos dois foi tão subaproveitado como Michael. No entanto, nada é tão depreciativo quanto Daniel Radcliffe, que ao longo de todo o filme se mostra apenas um jovem birrento, jamais conseguindo incutir na atuação qualquer sombra da vilania que podia ser esperada de seu personagem. Todavia, deve ser retirada uma parcela da culpa do ator, haja vista a precariedade do seu desenvolvimento no próprio roteiro.

Novo na direção de filmes de ação, Jon M. Chu só tem no currículo que o qualificaria para esse tipo de longa o fracassado G.I. Joe: Retaliação. Como seria esperável, o longa não possui a mesma dinâmica extasiante de seu antecessor, que deixava o público na ponta da cadeira, esperando ansiosamente pelo próximo truque. Neste segundo ato, apesar de haver muitas tentativas de conectar a ciência e a computação à magia e ao ilusionismo, a atenção está focada verdadeiramente no quem e no como, de certa maneira abandonando o quê. A trama é muito mais desenvolvida quanto às personalidades dos ilusionistas e à sua preparação para as apresentações, que nas próprias ilusões. Apesar de ser uma mudança válida e interessante, não é capaz de repetir o sucesso e acaba perdendo o público em meio a suas inúmeras — e crescentemente previsíveis — reviravoltas.

Truque de Mestre: O 2º Ato não é o que o público aprendeu a esperar com o primeiro e também não é o bastante para convencê-lo. Mais focado nas atuações que nas grandes ilusões, acaba revelando as fraquezas de elenco e de roteiro, sob uma direção que ainda não conseguiu se afirmar em longas de ação. Dada a memória extremamente agradável do filme anterior, é possível que o público se agrade com o novo. Entretanto, é muito improvável que também se torne um clássico digno de eternas reprises.


Now You See Me: The Second Act (EUA, 2016). Suspense. Paris Filmes.
Direção: Jon M. Chu
Elenco: Dave Franco, Woody Harrelson, Mark Ruffalo, Daniel Radcliffe, Michael Caine, Morgan Freeman

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Suspense