CRÍTICA: Twilight (Crepúsculo)

Críticas
// 17/12/2008

Nesta sexta-feira estreia no Brasil uma das adaptações mais esperadas no ano: Crepúsculo. Se valendo de poucos efeitos visuais e abusando da simplicidade, o longa agrada, se mantém no ritmo, e tem critério e valor suficiente para agradar tanto o público que já conhece a história, quanto os novatos. Confira a crítica em Ver Completo!

Crepúsculo
Por Breno Ribeiro – crítico e colunista

É difícil de se prever um sucesso, ainda mais quando sua ideia original parte de um lugar comum. Foi o caso da série literária Crepúsculo, escrita pela autora americana Stephenie Meyer, cujo sustentáculo imaginativo é construído em torno de vampiros. Combinando uma melosa história de amor adolescente proibido, o imaginário mítico das criaturas da noite e uma narrativa em primeira pessoa que lembra um diário, os livros se tornaram um sucesso mundial, desbancando outros best-sellers juvenis, como Harry Potter. Mas nada disso é sinônimo de uma boa adaptação cinematográfica.

Quando Crepúsculo (baseado no primeiro livro dos, até então, quatro da série) começa somos apresentados à jovem Isabella Swan, quando a mesma está de mudança para a casa do pai na pequena e nublada cidade de Forks. Lá, a adolescente conhece os Cullen, uma espécie de família misteriosa e começa a se envolver com um deles, Edward. Porém, as ações estranhas do garoto fazem com que ela busque por respostas as quais levam a uma verdade que colocará sua vida em risco.

A adaptação de Melissa Rosenberg, embora não seja perfeita, é no mínimo satisfatória. Utilizando de algumas falas em off, o roteiro é especialmente melhor quando se trata de desenvolver a química entre os personagens principais de forma natural e não forçada. As falhas, ou faltas, começam no momento que abre o ato final da história. A fuga de Bella com Alice e Jasper, seu encontro com James e o clímax da história acontecem em um ritmo rápido demais que não se parece com a lentidão de pouco mais da primeira metade do longa.

Já a direção de Catherine Hardwicke se mostra sempre constante. Apesar de não acrescentar nada de novo, a diretora consegue alguns momentos interessantes, quase todos passados na floresta, como o momento em que Bella e Edward discutem pela primeira vez a condição dele (onde muitos takes são iniciados com foque nas árvores e a câmera percorre inquieta para os lados até encontrar o casal) e quando o rapaz leva a moça para cima de uma árvore (quando a paisagem ao redor é mostrada mais do que o casal em si).

As atuações são todas, com exceção talvez de Nikki Reed (Rosalie), convincentes. A dupla principal, composta por Kristen Stewart e Robert Pattinson, é muito bem desenvolvida pelos atores, que conseguem, tal qual o roteiro propõe, atingir o amor do casal com naturalidade.

Os efeitos visuais propostos pela história são quase nulos, a grande maioria concentrada no clímax final do filme. Porém, toda a vez que os efeitos se fazem necessários eles são usados de uma forma que pelo menos convence. Talvez graças à falta de um orçamento maior, muitos efeitos foram substituídos por jogadas de câmera rápidas cuja real intenção pode passar despercebida, devido à natureza selvagem dos vampiros.

Partindo de um lugar-comum do cinema e cheio de uma mentalidade adolescente que se mostra melosa em boa parte do tempo, Crepúsculo consegue o que parece almejar. O filme não surpreende em nenhum aspecto, a história é comum e as atuações nada mais do que boas, entretanto, em um momento em que muitos blockbusters pecam pelo excesso de efeitos computadorizados, um filme cujo propósito foge um pouco disso e consegue ser interessante é um alívio.

——————————

Twilight (EUA, 2008). Fantasia. Romance. Paris Filmes.
Direção: Catherine Hardwicke
Elenco: Kristen Stewart e Robert Pattinson

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Fantasia, Romance