CRÍTICA: Um Olhar do Paraíso

Críticas
// 19/02/2010

Um olhar do Paraíso gira em torno de uma jovem assassinada que observa do céu sua família e seu assassino. Ela deve pesar seu desejo de vingança contra o desejo de ver sua família superar a perda. Aguardado apenas por possuir a assinatura de Peter Jackson, o longa só vem a provar que o diretor só fez bonitos mesmo na trilogia que lhe rendeu o sucesso.


Um Olhar do Paraíso

por Henrique Marino


Peter Jackson
reuniu boa parte de sua equipe da trilogia Senhor dos Anéis. Ela trabalhou muito bem. Tecnicamente o filme é primoroso. Enche os olhos e os ouvidos.

A fotografia, de um Andrew Lesnie pouco premiado pelo Oscar, é impecável. Desde os momentos terrenos até os momentos em que a protagonista está no além, ela é bem realizada, e bem acertada para seus devidos momentos – o filme tem muitos, e muito diferentes entre si. Me espanta esta categoria não constar no Oscar.  Logo se vê que a Academia prima os favoritos nas categorias técnicas.

A direção de arte e o figurino resgatam com primazia a década de 70, bem como ajudam fortemente na construção das personagens. Nas cenas do limbo – se assim podemos chamar o “meio-termo” entre céu e terra –, a criatividade da arte e os efeitos especiais asseguram um visual exuberante, tão exuberante que chega a ser piegas em dados momentos; mas a esse último adjetivo a culpa fica por conta da personalidade da protagonista, porque tudo o que se passa naquele meio é reflexo das emoções dela.

Brian Eno, um dos músicos e produtores musicais mais aclamados do fim de década, trabalha na trilha sonora, e se sai muito bem. Assim como os outros departamentos, este acerta o tom com a cena. Trabalha tão bem os momentos doces e sutis tanto quanto os pesados, angustiantes ou tensos.

Peter Jackson consegue dirigir tomadas fantásticas. A sequência que compreende a pré-morte e a pós-morte (a cena da morte não é filmada para boa suavização) de Susie é das mais bem cumpridas. Enquanto dirigindo cenas, Peter Jackson tem pegada.

O elenco também trabalha bem. Ressalvas para Stanley Tucci (o assassino) numa atuação de merecida indicação ao Oscar, ele encarna o personagem e mostra o quão ele pode ser nojento; e para Saoirse Ronan (a protagonista) que já apareceu no elogiado Desejo e Reparação, e tem um futuro brilhante pela frente.

No entanto, não só dessas particularidades se sustenta um longa.

A alma dele é o roteiro; e a deste filme é pretensiosa, só que incerta e ingênua, o que acaba tornando-a longa, mas rasa. Não critico aqui a mistura de gêneros que acontece, pois que essa idéia é interessante, mas sim a falta de perspicácia no equilíbrio total da trama – principalmente o desequilíbrio entre o drama terreno e o drama celestial. O roteiro parece não se decidir em qual focar, e acaba esquecendo-se do mais importante: a ligação entre os dois mundos, que, no caso, seria a dúvida entre a superação e a vingança. No balanço geral, o filme tenta contar uma história ingenuamente mastigada num tom dramático para que o espectador se sensibilize. Sem sucesso. O clima é perdido pela indecisão de tramas. Em curtas palavras, é como se tentasse explicar uma longa história em seus mínimos detalhes, esquecendo-se do assunto principal. Essa análise se torna mais óbvia quando constatamos que a conclusão não se encaixa ao filme.


The Lovely Bones (EUA, 2009). Drama. Fantasia. Paramount Pictures.
Direção: Peter Jackson
Elenco: Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon.

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Categorias
Críticas, Drama, Fantasia