CRÍTICA: Um Parto de Viagem

Comédia
// 05/11/2010

Estreia hoje em circuito nacional o divertido Um Parto de Viagem, trazendo de volta à ação o diretor de Se Beber, Não Case, Todd Phillips. Mesmo sem um enredo “novinho em folha”, o filme tem seu maior atrativo nas piadas e situações bem repassadas por Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis.

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Um Parto de Viagem
por Arthur Melo

Quando Se Beber, Não Case estreou, a expectativa não era das mais animadoras. Comédias vêm e vão em todos os finais de semana; mais uma seria apenas um título para se contabilizar. Convenhamos, o tino para fazer graça caiu em um uso que beira o horror: roteiros esdrúxulos, histórias desconexas e passagens medíocres tipicamente pastelonas. Isso quando não brotam “dádivas” que satirizam produções de destaque ou quando tudo se volta apenas ao tipinho romântico. Claro que surpresas como (500) Dias com Ela, Juno e Queime Depois de Ler (este, um delicioso humor negro), vez ou outra dão as caras – mas não é sempre. De qualquer forma, exceto a primeira, nenhuma das citadas faz parte do grupo que se propõe a verter lágrimas de riso se valendo de uma história divertida, a exemplo de Um Parto de Viagem.

No longa, comandado por Todd Phillips (também de Se Beber, Não Case), Robert Downey Jr. é Peter, um arquiteto que, por uma péssima sorte, cruza o seu caminho com Ethan, um aspirante a ator completamente afetado, antes de embarcar em um voo para encontrar a sua esposa, prestes a ter o primeiro filho. Por um mal entendido, Peter e Ethan (que coincidentemente estava no mesmo avião) são retirados da aeronave e proibidos de voar novamente, devendo cruzar os Estados Unidos juntos para que Peter chegue a tempo do nascimento do filho e Ethan a um encontro com um agente de Hollywood.

De novidade, muitíssimo pouco se há além de tudo o que não é obrigação do roteiro. O desenvolvimento é claro e totalmente previsto, de um ponto ao outro da viagem. E, para efetivar esse princípio, há os desvios. Um Parto de Viagem é, definitivamente, um trajeto repleto de eventos esperados cuja surpresa se dá apenas no formato deles, dando ao longa a característica necessária para encaixá-lo em um espaço específico dentro de um gênero. Em vias de desenvolvimento, o roteiro aponta como único objetivo da história levar os personagens ao êxito enquanto se vangloria apenas em dificultar este processo, atingindo-os com uma série de infortúnios. À medida que mais improbabilidades vão surgindo em níveis e qualidades crescentes, mais claro se torna o esboço de um final premeditado. E eis o momento em que, neste caso específico, comparações vêm à calhar.

Se em Se Beber, Não Case o roteiro prima por adequar a quantidade de hilários absurdos a que são expostos os personagens à necessidade de satisfazer um desenvolvimento do enredo, compondo uma estrutura entrelaçada ao final, em Um Parto de Viagem o humor surge como um mero enchimento de um espaço temporal da narrativa que só existe por conta dele. Não é uma falha da comédia em si, mas da ideia básica do filme, que não dá margem para que o espírito do gênero seja, factualmente, a máquina que o cria, apenas a que o sustenta. E como sustenta. Apesar de não se ocupar do mesmo papel importante da comédia anterior de Phillips, a graça brota através de piadas afiadas e situações bem encaixadas que ganham um potencial efetivo muito maior através de Downey Jr. – ainda melhor do que em Sherlock Holmes – e Zach Galifianakis, quase repetindo o papel de “Hangover”.

Atraente graças à meia parcela de culpa da dupla em cena, Um Parto de Viagem diverte pelo ritmo, pelo desapego a eventuais mudanças repentinas no seu tom para estabelecer laços entre os personagens e pela extrema capacidade de ocasionalmente repetir a piada só através do diálogo – na mesma dose de sequências propícias a isto. Pode não corresponder, realmente, a um formato ideal, mas ganha valiosos pontos a seu favor por saber rechear muito bem uma massa insossa de um prato repetido.

Due Date (EUA, 2010). Comédia. Warner Bros.
Direção: Todd Philips
Elenco: Rbert Downey Jr. Zach Galifianakis e Jamie Foxx.
Trailer

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Comédia, Críticas